Brasil

Erros repetidos do Fluminense preocupam com nível mais alto de competições pela frente

Fluminense ainda não encontrou melhor versão em 2024 — e repete erros contra adversários mais fortes

A altitude e a arbitragem tiveram forte influência na derrota do Fluminense para a LDU, em Quito pela Recopa Sul-Americana. Mas é inegável que, após quatro partidas, os titulares do Flu ainda não estão em seu melhor nível. E os problemas são repetidos.

É pouco tempo de temporada, e em menos de um mês de preparação, o Flu já tem uma decisão pela frente. Tida como prioridade, a Recopa pressiona o Tricolor por desempenho e resultado, e a equipe ainda não entrega o melhor que pode.

Já era de se esperar que toda essa dificuldade acontecesse em Quito, onde a altitude maximiza os erros de uma equipe ainda em preparação. Ainda assim, o Flu repetiu os mesmos erros que cometeu nas primeiras partidas do Campeonato Carioca em que usou titulares.

Lentidão na saída atrapalha criação no Fluminense

Ao vender Nino, o Fluminense não só perdeu seu capitão, mas também o melhor defensor — em todas as fases do jogo. Em muitos momentos com bola, era o camisa 33 quem acelerava o jogo com passes precisos ou conduções em direção ao campo de ataque.

Por mais que venha fazendo bom papel como zagueiro, Thiago Santos tem características diferentes. Melhor no jogo aéreo, por exemplo, ele sofre, por outro lado, para construir jogadas com a qualidade do antecessor. Com o tempo de treino, o volante de origem pode conseguir evoluir a esse ponto. Hoje, entretanto, tem dificuldades.

Marlon voltou ao Fluminense e pode ser solução interessante para dificuldades de construção de jogo - Foto: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE FC
Marlon voltou ao Fluminense e pode ser solução interessante para dificuldades de construção de jogo – Foto: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE FC

A entrada de Marlon na vaga de Felipe Melo melhorou um pouco a construção de jogo a partir da defesa. O camisa 4 é o substituto natural de Nino, mas ainda readquire sua melhor forma após lidar com problemas físicos no início da temporada.

De todo jeito, com Felipe Melo, Thiago Santos ou Marlon, o Fluminense é lento para sair do campo de defesa. E como constrói desde sua área, com Fábio, e precisa percorrer todo o campo, a dificuldade aumenta com a lentidão. Quando Ganso e André recuam, o time melhora, mas Arias é o único que consegue fazer a próxima ação, e costumeiramente bem marcado, o colombiano nem sempre resolve tudo.

Fluminense tem dificuldade para agredir e perde poder de fogo

O Fluminense de 2023 se caracterizou por ser tão agressivo que jogava com quatro atacantes e apostava no ataque e ocupação de espaços para se defender. O problema é que em 2024, a equipe ainda não conseguiu repetir isso.

Contra adversários mais fracos, o Tricolor tem dificuldades naturais com linhas mais baixas. Mas outros rivais, como o Vasco, fizeram diferente e pressionaram a saída do Flu. O cobertor se mostrou curto: lento, o time não conseguia sair do sufoco que cria para agredir, e sem agredir, dava chances ao adversário.

Fernando Diniz precisará rodar elenco do Fluminense e deve usar reservas no Fla-Flu por prioridade à Recopa - Foto: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE FC
Fernando Diniz vê dificuldades para encontrar soluções no Fluminense em 2024 – Foto: MARCELO GONÇALVES / FLUMINENSE FC

O que se viu contra o Cruz-Maltino se repetiu contra a LDU também por causa da altitude, mas não só por isso. Quando conseguia quebrar a primeira linha, o Fluminense não tinha força e velocidade para agredir. Cano, uma máquina de gols nos últimos dois anos, teve uma natural queda de eficiência nos arremates, e o Flu perdeu poder e fogo.

Sem bola, por aglomerar jogadores em setores do campo em busca de superioridade numérica, o Fluminense dá muito campo ao adversário. E sem Nino, não tem quem cubra com tanta velocidade e precisão os espaços — mas neste quesito, Thiago Santos tem ido bem.

André na zaga parece solução óbvia para o Fluminense

A alternativa de utilizar André na zaga parece cada vez mais óbvia. Não só porque abre espaço para Renato Augusto, John Kennedy ou outro jogador de ataque, mas também por diminuir os problemas defensivos e potencializar a qualidade na construção em busca de agressividade.

Contra o Flamengo, Diniz deve escalar reservas, e a formação não será utilizada. Já na Recopa, contra a LDU, o Tricolor precisa do resultado, e não será surpresa se o camisa 7 começar jogando como zagueiro.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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