Brasil

Empresa de ônibus processa Santos, CBF e governos por vandalismo após rebaixamento

Responsável pelo transporte público em Santos, Viação Piracicabana quer indenização por ônibus queimados

Os atos de vandalismo praticados pela torcida do Santos após o rebaixamento do Peixe no Campeonato Brasileiro, em 6 de dezembro de 2023, seguem trazendo dor de cabeça para o clube. Agora porque a Viação Piracicabana — empresa responsável pelo transporte público de passageiros da Cidade —, de acordo com o apurado pela Trivela, entrou com uma ação na Justiça cobrando a reposição dos seis ônibus queimados pelas ruas do Município assim que a queda para a Série B foi sacramentada.

Além do Santos, a empresa entende que a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a Prefeitura de Santos e o Estado de São Paulo são co-responsáveis pelos crimes praticados por torcedores depois do jogo e têm que arcar com a reposição dos veículos, cujo valor será apurado por meio de perícia.

O que a Piracicabana alega no processo?

— No âmbito do cumprimento das obrigações assumidas, a Piracicabana recepcionou, em 04/12/2023, uma notificação encaminhada pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) alterando o regime de operação do tráfego e a adoção de medidas para atender à expectativa do público torcedor que compareceria à partida de futebol agendada para o dia 06/12/2023, às 19:00 horas, entre o Santos Futebol Clube e o Clube Fortaleza, no Estádio Urbano Caldeira – Vila Belmiro — informou a empresa na ação.

— Para atendimento à demanda prevista para o evento, todas as linhas que atendem o Estádio Urbano Caldeira foram mantidas em plena operação e houve, ainda, a inclusão de uma linha extra específica para a partida, resultando na circulação de dezenas de ônibus municipais nas proximidades do referido Estádio — acrescentou.

Por que Santos e CBF estão na ação?

Para embasar o seu pedido de ressarcimento, a Piracicabana usou a Lei Geral do Esporte para processar o Santos e CBF.

— “(…) as organizações esportivas regionais responsáveis diretamente pela realização da prova ou da partida, bem como seus dirigentes, responderão solidariamente com as organizações esportivas que disputarão a prova ou a partida e seus dirigentes, independentemente de culpa, pelos prejuízos causados ao espectador decorrentes de falhas de segurança nos estádios ou da inobservância do disposto neste Capítulo” — incluiu a empresa na ação.

Diante disso, a Piracicabana entende que a CBF tem a sua responsabilidade por ser a instituição responsável pela organização do Campeonato Brasileiro. Já o Santos, no entendimento da empresa, tem as suas obrigações por ser a organização esportiva que disputou o jogo e é o dono do estádio.

E a Prefeitura e o Estado de SP?

De acordo com a Piracicaba, o Estado de São Paulo e a Prefeitura Municipal de Santos, por sua vez, são responsáveis por garantir a segurança pública local, não só dos espectadores da partida, mas também do patrimônio e da ordem pública, por isso têm que responder pelos crimes cometidos contra os veículos.

Santos já tem conhecimento da ação?

Como a ação foi distribuída à 3ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Santos na última quinta-feira (16), ainda não houve despacho inicial do processo. Por isso, o Peixe ainda não tem qualquer conhecimento da questão jurídica movida pela Viação Piracicabana.

O que aconteceu após o rebaixamento do Santos?

Assim que o Fortaleza marcou o segundo gol da sua vitória por 2 a 1 sobre o Santos, na Vila Belmiro, que resultou com o inédito rebaixamento alvinegro, bombas foram arremessadas para dentro do gramado, em direção aos jogadores.

Do lado de fora do estádio, dezenas de torcedores santistas entraram em confronto com a Polícia Militar e, em ruas próximas à Vila Belmiro, atearam fogos em ônibus circulares e outros equipamentos públicos, como praças e cestos de lixo.

Na ocasião, o carro do atacante Mendoza também foi incendiado ao lado do estádio.

Foto de Bruno Lima

Bruno Lima

Jornalista pela UniSantos com passagem pelo Jornal A Tribuna de Santos. Já trabalhou na cobertura de jogos da Libertadores e das Eliminatórias Sul-Americanas no Brasil e no Exterior. Na Trivela, é setorista do Santos.
Botão Voltar ao topo