Brasil

Eles voltaram

Não faz muito tempo, a Copa São Paulo era a única competição de futebol de janeiro. Servia de aquecimento para o que vinha pela frente. Os juniores entravam em campo, enquanto os profissionais ainda se preparavam para as competições do ano.

Isso acontecia porque os estaduais podiam se alongar durante todo o semestre, de fevereiro a junho. O Campeonato Brasileiro era uma competição mais curta, de um só semestre, o segundo. A partir de 2003, com o Brasileiro finalmente entrando na era dos pontos corridos, os estaduais perderam força.

Dali em diante, diminuíram, perderam datas e passaram a ser considerados menos importantes. A ponto de as torcidas mesmo desvalorizarem a conquista, cobrando mais do time.

O título estadual serve apenas para, como disse Rogério Ceni em entrevista ao Sportv, demitir técnicos no início da temporada ou enganar a torcida, que com o título estadual acha que o time tem condições de brigar por algo mais – o que muitas vezes mostra-se uma mentira, que o diga o Atlético-MG no ano passado.

Os campeonatos estaduais têm uma importância histórica maior do que a importância atual. Com o Brasileiro maior e mais consolidado como principal torneio do país, os estaduais tornaram-se um problema para os clubes, que têm que voltar rápido demais a campo – praticamente um mês depois do fim do nacional – e o excesso de jogos pouco interessantes.

É claro que os estaduais ainda têm o prestígio que têm com a CBF pela estrutura de poder que é montada. As federações elegem o presidente, que em troca faz favores a elas. As datas dos estaduais, que tinham sido diminuídas, voltaram a aumentar. São 23 datas no modelo atual, com duração de janeiro a maio. Quando os estaduais foram reformulados, em 2003, as datas iam até março.

Os estaduais podem continuar existindo. Mas tem que ser um torneio no estilo Copa, com poucos jogos, tiro curto. Há quem argumente que isso acaba com os clubes pequenos. Na verdade, quase todos já acabaram e os estaduais servem como um conta gotas que, na verdade, os faz morrer ainda mais. E mantêm os dirigentes com o poder na mão.

Porque no Brasil, quem decide o presidente da CBF são as federações. Com pires na mão, tudo que eles querem é a parte que lhe cabe deste latifúndio. E ficam com seus estaduais, no caso dos grandes centros, já sem graça.

Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo têm estaduais que valem cada vez menos. É mais grave ainda nos dois últimos, onde há quatro times considerados grandes. A sensação de que o campeonato é só um aquecimento para o ano aumenta. Só que no caso do Campeonato Paulista, por exemplo, é um aquecimento de 23 datas. Sendo que 19 delas como fase de classificação.

Se fosse em formato de copa, com divisão em grupos e semifinal e final, o torneio poderia ter menos datas e seria mais interessante, porque todos os jogos teriam valor.

Tanto que muitos torcedores do Palmeiras consideram que o time está na fila de títulos desde 1999, já que em 2008 a conquista do Paulista valeu pouco. O torcedor do Botafogo comemora o título carioca porque é o máximo que o time conseguiu nos últimos 15 anos. O torcedor do Vasco clama pelo título como uma luz no fim do túnel.

Um exemplo melhor é o Flamengo. O time que trouxe Ronaldinho Gaúcho e Thiago Neves deve brigar pelo título carioca. Mas se o time levar a taça do estadual e não conseguir mais nada, nem na Copa do Brasil, nem o título do brasileiro e nem uma vaga na Libertadores, o que o torcedor achará do ano de 2011? Um fracasso. E com razão.

Por enquanto, estaduais são só um estorvo para os times. Os times que perdem vivem crises. Os que ganham correm risco de se auto-enganar e iludir a torcida. E a preparação física dos jogadores ficam comprometida por toda a temporada. Como uma copa, de tiro curto e alta competitividade nos jogos, poderia ser uma interessante competição de pré-temporada. E hoje, é tudo que pode conseguir ser.
 

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Equipe Trivela

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