Brasil

Situações de Coritiba e Santa Cruz vão suar mais que a do Sport para continuar no poder

Os presidentes de Coritiba, Sport e Santa Cruz chegam às eleições deste final de ano consolidados no poder e com força para buscar a a reeleição. Mas diferente do presidente rubro-negro João Humberto Martorelli, a situação dos outros dois clubes vai precisar trabalhar bastante para se manterem no poder, porque a oposição também se articula.

TEMA DA SEMANA: O seu clube também terá eleições para presidente, e você sabe o que esperar?

No Sport, Martorelli sucedeu Luciano Bivar, que pediu licença para tentar uma cadeira de deputado federal por Pernambuco. Não conseguiu, mas vai, por enquanto, se afastar de cargos diretivos no clube e tenta nos bastidores organizar os grupos políticos para que o seu candidato seja aclamado no pleito do final do ano, como ele próprio foi em 2004, a última vez que isso aconteceu nas eleições leoninas. Por outro lado, o Santa Cruz vai ter o famoso “bate-chapa”, porque a oposição liderada por Joaquim Bezerra acusa a atual administração de ter feito promessas que não conseguiu cumprir.

No Paraná, Vilson Ribeiro de Andrade, chefe da delegação brasileira na Copa do Mundo, tem muita força para buscar a reeleição. Mas se o Coritiba terminar o Campeonato Brasileiro rebaixado, a oposição pode se animar e, com o apoio do meia Alex, complicar a vida do amigo da CBF.

Coritiba

O Coritiba tem um nome muito forte na presidência do clube. Vilson Ribeiro de Andrade foi chefe da delegação brasileira na Copa do Mundo de 2014 e tem uma relação próxima com a CBF. Evita confirmar que será candidato à reeleição no final do ano porque pega mal falar de política enquanto o clube definha na zona de rebaixamento. E a permanência ou não do Coxa na primeira divisão do futebol brasileiro pode ser o fator chave para o surgimento de uma oposição.

Por enquanto, quem colocou a cabeça para fora da terra rapidamente a enterrou novamente. O grupo de oposição mais estruturado do Coritiba é liderado por Ricardo Guerra, um empresário de 35 anos, que chegou a pedir um projeto de gestão a João Paulo Medina, da Universidade do Futebol, com consultoria do técnico Paulo Autuori. Apesar de toda a imagem de modernidade que conseguiu passar, desistiu da candidatura há cerca de um mês por não conseguir, neste momento, “conciliar a presidência com a vida familiar e profissional”. Outro com nome ventilado nos bastidores foi Renato Follodor, mas, no fim, descobriram que o empresário nem é sócio do clube.

Quem está pensando em lançar candidato é o Movimento Democrático Coxa-Branca, liderado por um rapaz de 22 anos. Bruno Kafka, estudante de direito, criticou o aumento da dívida do Coritiba e está tentando se viabilizar como candidato. Há um impedimento legal. Ele é sócio há quatro anos, como manda o estatuto, mas passou seis meses desse período fora do País. Como não poderia ir aos jogos mesmo, aderiu ao plano de R$ 9,90, que não é considerado nessa conta. Ele entrou com uma ação no Conselho Deliberativo do clube para tentar se candidatar mesmo assim.

Se falhar, o grupo pode lançar outro candidato, mas, no fundo, tudo depende do resultado do clube verde e branco dentro de campo. O rebaixamento abalaria o poder de Vilson no clube e poderia animar a oposição a enfrentá-lo. Principalmente se Alex, crítico ferrenho da atual gestão, declarar apoio publicamente (é sócio desde 2000 e pode até integrar uma chapa, se quiser). Enquanto for jogador, não deve se manifestar, mas seu contrato termina seis dias antes da eleição.

Sport
João Humberto Martorelli, presidente do Sport
João Humberto Martorelli, presidente do Sport

Nada como a calmaria de um ano tranquilo para deixar as eleições previsíveis. O Sport está na nona colocação do Campeonato Brasileiro, o suficiente para ninguém tocar no assunto rebaixamento. As contas estão controladas, e o clube, de olho no futuro, planeja a reforma da Ilha do Retiro. A tendência do pleito de dezembro é a situação continuar no poder.

Luciano Bivar pediu licença da presidência no final do ano passado para se dedicar à campanha para deputado federal pelo pelo Partido Social Liberal, do qual é presidente, mas não conseguiu votos suficientes para garantir a cadeira. Teve 24.840 votos, foi o 37º mais lembrado, mas a coligação do PSL conseguiu apenas um representante na Câmara Federal e ele perdeu para Kaio Maniçoba, do PHS. 

Bivar estaria livre para voltar ao comando do Sport, mas não quer neste momento, até porque considera que o seu sucessor João Humberto Martorelli está fazendo um bom trabalho. Prefere se concentrar na presidência do partido e na vida empresarial. Deve apenas articular os grupos políticos para assegurar uma chapa única e a reeleição de Martorelli.

O atual presidente rubro-negro, advogado conceituado no Recife, também foi elogiado pelo principal opositor da política do clube, o ex-presidente Homero Lacerda, derrotado na última eleição, e pelo chefe do Conselho Deliberativo, Gustavo Dubeux. Bivar deve reunir as lideranças ainda nesta semana para chegar um consenso e encaminhar a aclamação de Martorelli, a primeira desde que ele próprio foi eleito sem ressalvas em 2004.

Santa Cruz
Antônio Luiz Neto, presidente do Santa Cruz
Antônio Luiz Neto, presidente do Santa Cruz

Embora o momento do Santa Cruz também seja relativamente tranquilo, com o clube estabilizado no meio da tabela da segunda divisão, os ânimos estão mais acirrados antes das eleições de 15 de dezembro. O atual presidente Antônio Luiz Neto, após quatro anos no poder, vai tentar fazer o seu sucessor, mas não haverá conciliação com a oposição.

O nome escolhido pelo grupo que atualmente está na presidência é o do advogado Alírio Moraes, cuja principal bandeira é o saneamento fiscal. Afirma que está há um ano e meio trabalhando para diminuir pendências tributárias e dívidas trabalhistas para conseguir as certidões negativas de débito. Com elas, o clube vai buscar um patrocínio de dois anos com a Caixa Econômica Federal.

Mas a oposição tem críticas. Joaquim Bezerra, derrotado por Antônio Luiz Neto há dois anos, não encabeçará a chapa, mas está articulando o seu grupo. Quer um candidato para profissionalizar o clube e reclama de promessas de campanha não cumpridas pela atual gestão (como a construção de uma Arena). Disse, em entrevista ao Super Esportes, que o nome que será lançado é “forte, bastante conhecido dentro do Santa Cruz, mas nunca disputou eleição ou foi diretor do clube”.

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Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.
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