Eficiência vale muito, e o Inter ensinou isso ao Flamengo dentro do Maracanã
Às vezes até parece que ninguém quer ficar com a quarta vaga do Brasileirão na Libertadores. Enquanto Corinthians, Atlético Mineiro e Grêmio abrem folga nas três primeiras posições, a última colocação do G-4 é terra de ninguém. Em algumas rodadas, quase todo mundo derrapa, como a passada. Nesta 31ª, porem, a maioria dos concorrentes parece ter acordado. Palmeiras e Ponte Preta fizeram sua parte, o Santos está fazendo (no momento em que o texto é redigido) e nem o São Paulo pode reclamar da vida, diante das circunstâncias em que o empate com o Vasco saiu. No entanto, o grande vitorioso da rodada é o Internacional. Recuperou o fôlego ao vencer o Flamengo dentro do Maracanã por 1 a 0. Derrubou o rival direto, em um jogo de eficiência.
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As estatísticas no Rio de Janeiro deixam bem claro como se desenrolou o jogo. O Flamengo teve 60% de posse de bola e acertou 76% dos passes, contra apenas 60% do Inter. Além disso, os rubro-negros finalizaram mais que o dobro dos adversários, 17 a 8. Mas os detalhes fizeram muita diferença. Enquanto o time de Oswaldo de Oliveira abusava dos erros na definição, os colorados foram fatais na grande chance que tiveram. A partir de mais um buraco na zaga do Fla, nas recorrentes falhas de marcação nas jogadas aéreas, Ernando acertou o único chute no alvo dos gaúchos. Nas redes, em belíssimo gol.
De um bom início de jogo, pressionando e se movimentando, o Flamengo sentiu o baque após o gol aos 18 minutos. E murchou. Poderia até ter buscado o empate, especialmente em chute de Guerrero que carimbou a trave. Mas o domínio era inútil. As muitas tentativas terminavam indo longe da meta de Alisson. De todos os 17 chutes dados, o goleiro só precisou pegar três. Aproveitamento baixíssimo, e que pesou em partida tão importante. Não à toa, a irritação se tornou evidente no Maracanã, com vaias e gritos de “vergonha”. Por mais que o Inter também não tenha feito uma partida tão exuberante, foi bem mais seguro de si. Segurou a pressão e jogou em cima dos erros adversários. Mesmo não levando tanto perigo, também criou em seus contra-ataques.
No fim das contas, os três pontos valem muito para o Internacional, depois da irregularidade nas últimas rodadas, beirando o G-4. E pesam ainda mais contra o Flamengo, que perdeu o embalo do início do trabalho de Oswaldo de Oliveira e entrou em espiral. Diante da gangorra em volta do G-4, até dá para seguir acreditando na Libertadores. Mas o campeonato se afunila, e cada partida se torna ainda mais decisiva. Ganha-se nos detalhes e na eficiência. O que sobrou aos colorados e faltou aos rubro-negros no Maracanã.



