Futebol brasileiro

É simbólico que Guerrero tenha decidido o primeiro título do Flamengo em três anos

Eduardo Bandeira de Mello assumiu o Flamengo, em 2013, e deu início a um processo bem sucedido de saneamento das dívidas, uma austeridade consciente que sempre cobramos dos dirigentes brasileiros. As contas foram sendo colocadas em dia, e a equipe, melhorando, mas os troféus não estavam chegando – conquistou a Copa do Brasil e o Campeonato Carioca, no início do seu mandato. A torcida ficou ansiosa pelos resultados concretos da boa administração, que finalmente vieram neste domingo. E é simbólico que o gol decisivo do título carioca, confirmado neste domingo com vitória por 2 a 1 sobre o Fluminense, tenha sido marcado por Guerrero, o primeiro grande investimento desta nova era rubro-negra.

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A contratação do peruano chegou a ser bastante criticada, na época, graças aos valores envolvidos. A avaliação era de salários e luvas altos demais para um clube que havia acabado de sair do vermelho. Mas Guerrero vem cada vez mais justificando a confiança depositada nele. Cresceu de produção, à medida em que o coletivo ficou melhor, e faz uma ótima temporada. Não apenas porque terminou o Carioca como artilheiro, com dez gols, mas também porque tem chamado a responsabilidade em jogos difíceis, finalizando bastante – às vezes, até demais -, colocando a bola na rede ou preparando as jogadas para os companheiros.

Quando a final deste domingo parecia caminhar para a disputa dos pênaltis, a bola sobrou para Guerrero, dentro da área, e o peruano decidiu, como se espera dele. Rodinei, no último lance, fechou o caixão, em um Maracanã com 68 mil pessoas, no segundo jogo esta semana em que marca entrando no decorrer do jogo – foi assim, também, na quarta-feira, contra a Universidad Catolica, pela Libertadores. Mérito de Zé Ricardo, que vem sabendo usar bem as peças à disposição, sem medo de, por exemplo, colocar três ou quatro laterais em campo ao mesmo tempo. Foi o primeiro título da sua curta carreira, dando-lhe tranquilidade para a sequência do importante trabalho que tem pela frente.

O Flamengo venceu o jogo de ida por 1 a 0 e podia empatar, neste domingo, para ser campeão carioca pela 34ª vez. A vantagem foi dizimada no segundo minuto de partida, quando Sornoza forçou o escanteio e cobrou para a primeira trave. Renato Chaves desviou, e Henrique Dourado completou para as redes. De repente, estava tudo igual novamente na decisão do campeonato. Depois do gol do Flu, as melhores chances foram do Flamengo, com um chute de fora da área de Pará e um rápido contra-ataque puxado por Renê, que acabou aos pés Everton, que bateu de primeira. Diego Cavalieri fez uma boa defesa.

O Fluminense voltou melhor do intervalo e foi superior durante boa parte do segundo tempo. Sornoza achou Henrique, dentro da área, e o cruzamento buscava Wellington Silva, que inevitavelmente marcaria o segundo, mas Muralha se jogou para interceptar. Na sequência, o equatoriano exigiu uma bela defesa de Muralha, com um chute de longe que foi espalmado para escanteio. Foi uma partida, no geral, equilibrada, mas com mais chutes bloqueados e cruzamentos errados do que chances claras de gol.

O destino parecia ser a disputa de pênaltis, como na decisão da Taça Guanabara, mas Guerrero tinha outros planos. Em cobrança de escanteio na segunda trave, Réver cabeceou em cima de Cavalieri, que bateu roupa. Guerrero fuzilou no rebote. Márcio Araújo quase ampliou. Em um novo contra-ataque, Rodinei saiu livre e foi derrubado por Cavalieri na intermediária. O goleiro foi expulso, e Orejuela foi para debaixo das traves. O Fluminense foi com tudo para cima e, em mais um contra-golpe, Rodinei saiu cara a cara com Orejuela e bateu cruzado para fazer o terceiro.

O Fluminense também merece os aplausos por um belo Campeonato Carioca. Mostrou um futebol ofensivo e leve, com muitos bons garotos e um excelente Sornoza, dando bons sinais para a disputa do Campeonato Brasileiro. Mas o título ficou com o Flamengo, que estava há três anos sem levantar um troféu. Tempo demais para um clube tão grande.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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