Brasil

É pura sorte

Santos e Paraná Clube, Vila Capanema, último domingo: aos 27 minutos do segundo tempo, 2-0 de vantagem para os anfitriões. Dez minutos depois, virada santista e os paranistas, assim, praticamente na Série B. Os três pontos que o time de Vanderlei Luxemburgo trouxe na bagagem, mediante uma ótima virada, deram mais uma força, também, para a permanência corintiana na primeira divisão.

A vitória que garantiu o Santos na Libertadores-08, de quebra, diminuiu o ímpeto do Grêmio – adversário corintiano na última rodada – na briga por um espaço no G-4. Coube ainda ao Flamengo, com outra vitória no Maracanã, reduzir ainda mais as chances gremistas, apenas ainda não sepultadas graças aos resultados ruins novamente colhidos por Cruzeiro e Palmeiras. Enfrentar os gaúchos desanimados, no próximo domingo, naturalmente é a vontade que paira sobre o Parque São Jorge.

Mesmo com esse espírito forte, o Corinthians precisará somar pontos diante do já desanimado Vasco da Gama. Outro tropeço dentro de seus domínios, caso ocorra, pode decretar o rebaixamento corintiano na última rodada e a nada confortável situação de depender de outras equipes para não cair. Respirando fora da zona da degola, o time de Nelsinho vai ilustrando uma situação enganosa, em que parece estar em ascensão, mas venceu apenas um de seus últimos cinco jogos.

Para o decisivo duelo contra o Vasco, a equipe corintiana precisará mudar de cara mais uma vez. Será outra missão no complicado trabalho de Nelsinho à frente de um clube sem qualquer identidade. Ao longo do ano, 58 jogadores diferentes atuaram com a camisa do Corinthians, com direito a nomes longínquos como Amoroso, Paulo Almeida, Jaílson, Daniel Grando e Fágner. Para se ter uma idéia, o São Paulo, também durante 2007, só teve 37 jogadores oportunizados, mesmo fazendo nove jogos a mais.

A principal dificuldade, porém, será superar a ausência de Finazzi nos dois últimos jogos. Referência ofensiva e liderança moral, o centroavante anotou cinco dos sete gols feito pelo Corinthians nos últimos jogos, mas foi suspenso pelo STJD – o mesmo que abriu os portões do Maracanã, mas fechou os do Machadão e não teve tempo de julgar o efeito suspensivo de Valdívia.

Pênalti defendido próximo do fim, gols nos últimos minutos e resultados improváveis conspirando a favor: tudo parece ajudar o Corinthians, que também precisa se ajudar. Caso contrário, terminará com naturalidade um ano em que teve quatro treinadores, três presidentes, escândalos na Polícia Federal, CPI engavetada, pedofilia na base, desvio de verbas no time B e ainda quase 10 milhões de euros pagos a um jogador que nem estava mais no clube. Ou seja, na segunda divisão. Até aqui, os tais deuses do futebol têm colaborado.

Quem subiu e quem caiu

No último fim de semana, a Série B conheceu seu último rebaixado e, ainda, três de seus novos integrantes. Da primeira divisão, vem o Juventude, apenas ratificando um ano que parecia promissor, mas que acabou com o fim da seqüência de doze temporadas seguidas na elite. Da faraônica parceria com a Red Bull até a demissão de Ivo Wortmann minutos antes da estréia no Campeonato Brasileiro, o Ju nunca mostrou condições ou mesmo méritos para continuar na Série A. Com contratações infelizes de técnicos e jogadores, fez papel bem diferente da receita de estabilidade de anos anteriores.

A Série B recebeu mais um time paulista – serão seis ou sete em 2008 – com a promoção do Bragantino. Com a base que foi à semifinal do último Campeonato Paulista, o Braga foi, ao longo do octogonal final, a equipe mais segura, especialmente com o retorno de Marcelo Veiga. Resta saber se para o ano que vem, como tem sido, o clube venderá aos tubos e apostará na sorte.

O espetáculo da volta do Bahia, porém, foi completamente ofuscado pela tragédia ainda mal explicada na Fonte Nova. Com valores da base pipocando e veteranos como Nonato dando colaboração, os tricolores enfim estão na trilha da Série A. Mas, para isso, precisarão melhorar – e muito – o que foi feito em 2007.

Por fim, a Série C terá a presença do Paulista de Jundiaí. Nos últimos anos, o Galo bateu inúmeras vezes na porta da primeira divisão, de onde está bastante longe por ora. Ainda que possa lamentar a perda de Vágner Mancini, o clube não pode esquecer de que contratou horrivelmente mal e apostou, por exemplo, na ressurreição de Marcel e Rodrigo Fabri. Gilsinho, uma das principais promessas do Campeonato Paulista de 2007, pouco produziu nos últimos meses, enquanto Neto Potiguar, jogador de relevância dentro de campo, foi sinônimo de discórdia fora dele.

Série C

Só mais uma rodada em jogo, mas dois times já garantidos.
1)Bragantino – 26 pontos
2)Bahia – 24
3) Atlético-GO – 21
4)Vila Nova – 20
5)ABC – 20
6)CRAC – 18
7)Barras – 7
8)Nacional de Patos – 5

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