Brasil

E aí, Luxa?

Vanderlei Luxemburgo, onde chega, carrega consigo muitas expectativas. Tantas vezes campeão paulista e brasileiro, o treinador era o que o Palmeiras precisava para deixar seus traumas para trás e levantar um título. De fato, Luxa teve sucesso inicial nessa missão, conquistando outro Campeonato Paulista para sua galeria. O salto mais importante, porém, vem se mostrando bastante problemático. 

Não só pelo fato de que, em 13 rodadas, o Palmeiras só esteve entre os quatro primeiros em duas. Tudo bem, pois sempre esteve ali por perto. O preocupante é ver tantos problemas pipocarem e, na maior parte das vezes, o badalado Vanderlei Luxemburgo ser o responsável por suas difíceis soluções. 

Taticamente, o Palmeiras tem poucas variantes. Atua quase sempre no já batido 4-2-2-2, tem meias muito centralizados, grande dificuldade para furar defesas bem postadas e uma marcação à frente da defesa que, em vários jogos – como a estréia contra o Coritiba, por exemplo, trouxe problemas para o sistema defensivo. 

Luxemburgo diz que na Europa são os volantes técnicos que ditam o jogo e, por isso, chega a jogar com Léo Lima e Martinez à frente da defesa. Meia verdade. No mesmo sistema, os meias ficam abertos, formando uma linha no meio-campo e fazendo com o que a forma de jogar fique totalmente diferente. Hoje, quando atua sem Pierre ou Sandro Silva na cabeça da área, é sempre fácil de ser batido.

Um fator agravante para isso é a fraquíssima defesa atual. Nos últimos cinco jogos, foram oito gols sofridos, e a ausência de Henrique é sentida no Parque Antártica. Além disso, Gustavo e David, possíveis titulares, estão lesionados. Com Jéci e Gladstone, contratações respaldadas por Luxemburgo, os problemas ficaram quase que incontornáveis nos últimos dias.

A dificuldade de tirar o melhor de alguns jogadores é outra resposta que Luxemburgo precisa dar. Contratado para ser o astro do time, Diego Souza não rendeu em sete meses de Parque Antártica. Sempre atuando longe do gol, não pode impor sua força física e facilidade de sobrepor a marcação dos zagueiros adversários. Jogando quase sempre como um terceiro volante, Diego some. E tem feito pouco, é verdade, para aparecer.

Nas últimas semanas, Valdívia é outro problema. Não tem atuado bem desde o fim da primeira fase do Paulista. Não se sabe se o Mago está ou não com a cabeça na Europa, mas ele vem sucumbindo cada dia mais às marcações acirradas que recebe. Luxemburgo já dedicou algumas conversas particulares com o atleta, mas os resultados delas, como se vê, têm sido nulos. 

A habilidade do treinador também pode ser questionada com relação à indisciplina de Kléber. Ainda que tendo bons momentos e fazendo jogos importantes, o atacante não se livra do rótulo de desleal e, mais uma vez, foi expulso. Foi preciso um terceiro vermelho em razão de agressões a adversários para que Luxa fosse criticá-lo publicamente. 

Famoso por fazer grandes indicações de reforços, Luxemburgo também não tem acertado a mão no Palmeiras. Além de ser incapaz de puxar bons valores das categorias de base, indicou nomes que, até aqui, pouco renderam: além da atual dupla titular de zagueiros, Lenny, Fabinho Capixaba, Jefferson, Jumar, Evandro e Sandro Silva tiveram raros bons momentos no clube.

Luxemburgo sabe que sua equipe está aquém do que pode e do que deve. Não à toa, o treinador ficou indócil com o resultado no Serra Dourada, neste domingo. Na indicação de reforços, na arrumação da equipe, nas alterações, e em extrair o melhor do seus jogadores, Luxa tem falhado. Até onde vai seu Palmeiras, Luxa?

Ainda há tempo para o Flu

O Fluminense ainda reside na zona de rebaixamento, mas cinco jogos após a derrota na final da Libertadores, é indiscutível notar uma retomada no time que venceu três jogos no período, sendo duas dessas vitórias conquistadas próximas ao final das partidas. Logo, mostra que o Flu e Renato Gaúcho recuperaram a confiança e a determinação que lhe caracterizaram nos momentos mais duros contra São Paulo, Boca Juniors e até mesmo a LDU. 

O suposto desmanche, até aqui, vem sendo bem absorvido pelo grupo. Gabriel não era uma parte lá muito importante da equipe e Cícero, faz falta, mas era um coadjuvante e abriu espaço para o retorno de Dodô aos titulares. Os problemas se agravarão agora, já que Thiago Silva e Thiago Neves embarcam para os Jogos Olímpicos e serão desfalque justamente na fase mais dura do Campeonato Brasileiro. 

Na zaga, Renato Gaúcho consegue amenizar os problemas, pois tem no experiente Roger sempre uma reposição de qualidade, embora haja, sim, uma diferença brutal entre ele e Thiago Silva – hoje o melhor do país. No meio-campo, a tendência é que o jovem e talentoso Tartá seja efetivado. Aí, um problema. O meia é inexperiente, tem 19 anos, e ainda não foi testado como titular. Além disso, Renato perde sua melhor opção de banco no momento, em parte responsável pelas vitórias sobre Figueirense e principalmente Vitória. 

O que há de alento para o Fluminense, além da já estabelecida recuperação, é a favorável seqüência de jogos. Nas próximas sete rodadas, o Flu tem dois adversários acessíveis fora de casa: Ipatinga e Portuguesa. Além disso, faz cinco jogos no Maracanã – um clássico com o Vasco, o Cruzeiro, o São Paulo, o Internacional e o Atlético Mineiro. Alguns oponentes duros, mas foi coincidentemente dessa forma que o Flamengo escalou a classificação da tabela para a Libertadores no ano passado.

Hoje, com 13 rodadas transcorridas, o Fluminense é o 18º colocado, com 12 pontos. Curiosamente, exatamente a mesma pontuação do Flamengo, em 2007, após 13 jogos – e o Fla ainda era 19º. Potencial, ninguém pode discutir, o Flu tem. Se Renato Gaúcho falar em Libertadores até outro dia parecia ser clamar por um milagre, basta ir no passado para ver que é possível. Uma seqüência interessante na tabela pode dar mais um empurrãozinho a quem já subiu duas posições da incômoda lanterna. 

Bahia em um momento de grandeza

Mais de 30 mil corintianos foram ao Pacaembu no sábado para ver o maior clássico da edição de 2008 da Série B. Duas das mais vibrantes torcidas do país, prestigiando o momento de suas equipes – ainda que um momento de baixa. O valente Bahia jogou com o coração na ponta da chuteira, se defendeu muito bem e ainda contou com a pontaria ruim dos donos da casa. Uma vitória que, se não tira o Tricolor de Aço das posições intermediárias da classificação, ao menos traz grande moral para tentar um improvável acesso.

Sim, improvável. A despeito de sua grandeza, o Bahia não se livrou dos problemas que em poucos anos lhe levaram para a Série C. Segundo se comenta, os salários do clube, vez ou outra, atrasam. Além disso, não ter uma residência fixa para atuar, em razão do que houve com a Fonte Nova, é outro obstáculo, já que não pode atuar em Salvador. Seja pela falta de um acordo pelo Barradão, seja pelos recorrentes atrasos das obras no Pituaçu, a outra possibilidade.

No campo, o elenco que Arturzinho tem à disposição também é limitado. Foi reclamando da qualidade de seus atletas que Paulo Comelli, o outro técnico do clube na temporada, deixou o trabalho nas mãos do velho conhecido atual treinador. Como de costume, ele aposta em jogadores improváveis e monta uma equipe determinada – como se viu no Pacaembu.

O Bahia tem uma solidez defensiva impressionante, especialmente pela liderança e qualidade do xerife Alison e do goleirão Darci – além da retranca de Arturzinho. O time tem problemas para montar o setor ofensivo e já testou, lá na frente, mais de dez jogadores na atual temporada. A próxima aposta é no veterano Marcelo Ramos, velho conhecido da torcida tricolor e que terá a missão de fazer os gols dos quais o time precisa. 

Se tem problemas, o Bahia também tem virtudes. Nos jogos mais duros da temporada, como contra o Corinthians e os clássicos contra o Vitória, mostrou fibra, determinação e conseguiu resultados bons. Sinal de que deixar as posições intermediárias e brigar mais acima é possível. Ainda que não seja o mais provável para 2008. 

O terror da janela

A lista, atualizada após mais uma semana, é ainda maior, mas os estragos foram só razoáveis. As novidades foram as saídas dos bons Danilinho, para o Jaguares, e Marcinho, para o Al Jazira.

Atlético-MG: Coelho (Bologna) e Danilinho (Jaguares)
Cruzeiro: Marcelo Moreno (Shakhtar) e Marcinho (Kashima Antlers)
Figueirense: Felipe Santana (Borussia Dortmund)
Flamengo: Renato Augusto (Bayer Leverkusen) e Marcinho (Al Jazira)
Fluminense: Gabriel (Panathinaikos)
Grêmio: Roger (FC Catar)
Internacional: Fernandão (Al Gharaffa)
Palmeiras: Henrique (Barcelona) e Diego Cavalieri (Liverpool)

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Equipe Trivela

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