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Diniz erra, Fluminense joga mal e perde de pouco do Flamengo no Carioca

Nem sombra do time que conquistou a Libertadores em 2023, o Fluminense jogou muito mal e perdeu para o Flamengo por 2 a 0, gols de Cebolinha e Pedro. Embora com um a menos em grande parte do segundo tempo, o Tricolor teve péssima atuação condicionada por um erro de Fernando Diniz, que escalou o time com Renato Augusto na vaga de André.

Depois de um primeiro tempo ruim, o Tricolor dava sinais de ao menos competir quando Thiago Santos foi justamente expulso após decisão do VAR. O Fluminense chegou a 12 jogos sem vencer seus rivais, segunda pior marca de sua história, e precisará de uma diferença de três gols sobre o Flamengo, no próximo sábado (16), se quiser eliminar o rival e manter vivo o sonho do tricampeonato estadual.

O Fluminense terá que reverter um placar significativo se quiser manter vivo o sonho do tri (Foto: Divulgação/Twitter)

Diniz escala time ofensivo, e Fluminense começa mal o jogo

Sem André, suspenso por expulsão contra o Botafogo, Fernando Diniz apostou em um Fluminense mais ofensivo para começar o jogo. Mas não deu certo. Com Renato Augusto na vaga de seu camisa 7, o Tricolor foi mal com bola e pior ainda sem ela. Os primeiros 10 minutos foram de um Flu que não conseguia passar do meio de campo com a posse da bola, e o Fla chegando por todos os lados. Praticamente um ataque contra defesa, e o time de Diniz, com mais jogadores de frente, sofria para se defender.

O técnico não estava feliz com seu time. Fernando gritava com todos os jogadores que caíam pelo lado esquerdo, sem exceção. Felipe Melo, Diogo Barbosa, Keno, Renato Augusto e até Ganso sofreram com a ira do treinador por ali. Algo que foi treinado, aparentemente, não foi posto em prática.

Tanto que a primeira chegada do Fluminense veio em uma reclamação de Diniz, aos 20. O técnico deu um esporro em Keno, preso na ponta esquerda, e o jogador correu para procurar um espaço vazio. Ele recebeu no meio, combinou com Arias e Guga e colocou na área duas vezes. Na segunda, Diogo Barbosa pegou de primeira, de direita, e mandou por cima.

Fluminense conta aposta mais na sorte que no juízo e Flamengo sai na frente

O primeiro tempo do Fluminense, num todo, foi ruim. Com bola, o time não fez o que o treinador pediu. Sem ela, estava bagunçado. Martinelli cumpriu bem a função de André. Só que ninguém fez o papel que o camisa 8 tem no time. O resultado foi um Tricolor como passageiro da agonia na primeira etapa. Renato Augusto precisou de muitos esporros de Diniz para ao menos recuar pelo lado esquerdo na saída de bola. Ganso, avançado, ficava perdido entre marcar os zagueiros por dentro, como costuma, ou cair pela ponta, onde Keno fazia uma de suas piores atuações com a camisa tricolor.

Culpa de Fenrnado Diniz ou não, o Fluminense não funcionou no primeiro tempo. Pedro quase fez um golaço de meia-bicicleta aos 27, mas teve duas chances de cabeça e falhou nelas aos 30, ao cabecear fraco, e 35, quando não chegou na bola. A melhor chance seria com Ayrton Lucas, aos 38, em bola que Fábio pegou no susto. A atuação ruim seria justamente castigada aos 47. O Flamengo circulou pela área e Felipe Melo cortou na primeira, mas com todos os homens na área e nenhuma pressão na bola, Pulgar cruzou no segundo pau e ninguém acompanhou Cebolinha, que cabeceou para abrir o placar no Maracanã.

O Fluminense não conseguiu imprimir seu melhor ritmo contra o Flamengo (Foto: Thiago Ribeiro/AGIF/Sipa USA)

Diniz troca laterais no intervalo, mas não corrige problemas do Fluminense

O Fluminense jogou mal no primeiro tempo também pelos problemas táticos que apresentou. Não só com a bola, quesito em que não viveu boa noite, o Tricolor era pior que o seu arquirrival. Sem ela, o Flu de Diniz era uma bagunça. Mesmo assim, no intervalo, a única mexida foi uma troca de laterais-esquerdos. Saiu Diogo Barbosa e entrou Marcelo. Por circunstância do jogo, o meio acabou mais equilibrado. Ganso sentiu e Lima entrou no jogo.

Thiago Santos é expulso, e Fluminense passa a só se defender

O Fluminense melhorou e até ameaçou o Fla em chances de Keno e Arias após as mudanças. Mas quando parecia melhorar, Thiago Santos foi expulso. O zagueiro tentou corrigir um erro de passe — em uma tentativa já desnecessária — e deu um carrinho forte em Cebolinha.

O árbitro Yuri Elino da Cruz deu amarelo no campo, mas rapidamente o VAR chamou. Poucos segundos depois, sob muito protesto de Diniz, o juiz corrigiu seu erro e deu um vermelho justíssimo para o zagueiro do Flu. A partir dali, com Manoel na vaga de Renato Augusto, o jogo ficou condicionado: o Tricolor só se defendia. A torcida do Fluminense perdeu a paciência, pediu a entrada de John Kennedy e chiava com Cano, Keno e Diniz.

Enquanto isso, em campo, De La Cruz perdeu chance inacreditável aos 22 minutos. Era o retrato do jogo: o Flu contou muito mais com a sorte que com o juízo.

Diniz coloca Lelê e Antônio Carlos e é vaiado

O Fluminense jogava mal, estava completamente acuado e Fernando Diniz decidiu mexer. Mas contrariou a arquibancada. O técnico chamou Antônio Carlos e Lelê e foi muito vaiado. Os torcedores pareciam ter razão, porque o que já era ruim, piorou. Bagunçado e com um a menos, o Flu passou a jogar muito mal e ficar sem opção do meio para a frente. Na defesa, uma zaga que nunca jogou junto estava desprotegida e cedia chances.

Flamengo amplia e Diniz é chamado de ‘burro' pela torcida do Fluminense

Fazendo justiça a um dos piores jogos que o Fluminense fez nos últimos meses, o placar ficou ainda pior. Aos 45, com Cano marcando na lateral-direita, Arrascaeta colocou na cabeça de Pedro e o Flamengo ampliou. Assim que a bola saiu, a torcida do Fluminense fez algo que ainda não acontecera nesta passagem de Fernando Diniz. O técnico foi chamado de burro e vaiado. Ao fim do jogo, com o time nas cordas e só se defendendo, o ato ainda foi repetido pelos tricolores.

Foto de Caio Blois

Caio Blois

Caio Blois nasceu no Rio de Janeiro (RJ) e se formou em Jornalismo na UFRJ em 2017. É pós-graduado em Comunicação e cursa mestrado em Gestão do Desporto na Universidade de Lisboa. Antes de escrever para Trivela, passou por O Globo, UOL, O Estado de S. Paulo, GE, ESPN Brasil e TNT Sports.
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