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Dida completa 40 anos menos reconhecido do que deveria ser

É difícil se manter em alto nível no futebol por duas décadas. Não precisa nem ser o auge, com títulos e prêmios individuais frequentes. Poucos são os jogadores que conseguem se segurar na elite por tanto tempo. E um nome que pode ser facilmente incluído neste grupo é Dida. O goleiro completa 40 anos nesta segunda-feira e há 20 continua em evidência. É óbvio que sua carreira teve altos e baixos, o que não minimiza sua importância dentro da história do futebol brasileiro – algo que nem sempre é reconhecido.

Dida explodiu na melhor campanha do Vitória no Brasileirão. Foi o herói do bicampeonato do Cruzeiro na Libertadores. Protagonizou a conquista do Corinthians no Mundial de Clubes. Marcou época no Milan ao impulsionar o clube em dois títulos de Liga dos Campeões. Serviu a Seleção por mais de uma década e disputou três Copas. Convenhamos, ele não merece ser lembrado “apenas” como um dos maiores pegadores de pênaltis de todos os tempos.

Pela geração com a qual surgiu, é natural que Dida seja comparado com Marcos e Rogério Ceni – com os quais representou a Seleção na Copa de 2002, naquele que talvez seja o grupo de goleiros mais bem montado pelo Brasil em um Mundial. O baiano é ídolo absoluto de cruzeirenses e corintianos, possivelmente entre os três maiores arqueiros da história de ambos os clubes. Porém, a falta de uma identificação tão forte não o deixa em nível de “sumidade”, como Marcos e Ceni são para palmeirenses e são-paulinos.

As decepções nas Olimpíadas de 1996 e na Copa de 2006, quando finalmente teve sua chance como titular, acabaram sendo decisivas contra o veterano. Pode não parecer, mas Dida é o terceiro goleiro que mais atuou pela seleção brasileira, atrás apenas de Taffarel e Gylmar. A concorrência de Taffarel e de Marcos atrapalhou uma sequência mais marcante, especialmente por causa dos Mundiais.

E, na Europa, por mais que a confusa ida ao Lugano e os problemas com o passaporte possam ser lembrados, Dida se colocou como pioneiro. Foi o primeiro goleiro brasileiro a triunfar em um grande clube do continente. Além de ser um dos pilares na maior equipe rossonera desde o esquadrão de Arrigo Sacchi, o baiano foi reconhecido entre os melhores goleiros do mundo. Em 2005, foi eleito pela FIFPro o melhor de sua posição, além de ficar atrás de Petr Cech na escolha feita pela IFFHS.

Aos 40 anos, Dida não vive seus tempos áureos. Entretanto, continua sendo um goleiro seguro, o suficiente para o Tricolor caminhar em passos firmes rumo à próxima Libertadores. O prolongamento da carreira pode soar como insistência. Serve de lembrança. Não apenas da presença do discreto camisa 1 nos gramados, como também da regularidade que marcou e ainda marca sua história.

Relembre seis momentos memoráveis de Dida no futebol:

 

– Final da Libertadores de 1997, Cruzeiro x Sporting Cristal

– Semifinal do Brasileiro de 1999, Corinthians x São Paulo

– Final da Champions de 2003, Milan x Juventus


– Fase de grupos da Champions 2003/04, Milan x Ajax


– Quartas de final da Copa de 2006, Brasil x Gana


– Oitavas de final da Libertadores de 2013, Grêmio x Independiente Santa Fe

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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