Brasil

Depressão pós-trauma da Libertadores

É normal, faz parte da bola. Embora todos sejam profissionais e ganhem bem por isso, não são prestadores de serviços como qualquer outro. Até a torcida sente e geralmente não comparece para prestigiar. As eliminações na Libertadores, sempre, geram uma depressão imediata.

São Paulo e Santos, neste domingo, sofreram isso na pele e colheram resultados ruins. Não é exatamente novidade. Em 2007, o Internacional, além da dupla San-São, já havia passado por situação semelhante. Quando o Colorado despertou, porém, já era tarde.

No Mineirão, o Santos até conseguiu equilibrar alguma coisa no primeiro tempo contra o Cruzeiro. Teve duas boas chances, mas perdeu pela lentidão de sua zaga. A Raposa foi mais esperta e com muitas infiltrações e contra-ataques, poderia até ter vencido por um placar mais dilatado. O segundo tempo santista foi horroroso e a desmotivação apareceu a partir dali.

Em casa, o São Paulo foi a mesma equipe gelada, tal qual havia sido após cair diante do Grêmio nas oitavas da Libertadores passada. Pouco público, pouca inspiração, e apenas um empate contra o Coritiba, que ainda teve um pênalti não marcado a seu favor. 

O primeiro efeito das eliminações foi colocar pressão sobre seus treinadores. Muricy Ramalho, que já não é unanimidade no Morumbi até quando vence, recebeu surpreendente apoio de quem não costuma lhe elogiar publicamente. Emerson Leão, principalmente após perder para o Cruzeiro, começa a ouvir críticas. Estas, para ambos, porém, são injustas, de modo geral.

Muricy Ramalho até pode ser criticado por algumas coisas. O São Paulo cria pouco, não prende a bola na frente, não tem um meia que pense o jogo. O treinador tem culpa por isso quando escala jogadores como Leandro, Éder Luís e Hugo na função. O tricolor, há tempos, é uma equipe com enfoque físico, muita marcação e bola aérea. E só. 

Emerson Leão vai bem na Vila Belmiro, como em suas passagens anteriores. Faz o que pode com um elenco fraco em relação ao que teve o Peixe nos últimos anos. As críticas, então, devem se voltar para a direção, que pouco se mexe para dar mais material ao treinador. Se ele trabalha bem, logo, merece mais recursos.

No próximo domingo, Santos e São Paulo fazem clássico na Vila Belmiro. Eis, então, a chance de uma das equipes vencer um jogo importante e reencontrar o foco para uma Série A muito longa, mas que não perdoa irregularidade. Da forma que vem se mostrando equilibrado, o campeonato deve punir, ao final, quem perdeu pontos tolos. 

Assim, então, melhor para Cruzeiro e Flamengo. Mesmo caindo na Libertadores de forma decepcionante, ambos não hesitaram e já despontam na liderança do Brasileiro. Equipes fortes, com bons elencos e treinadores competentes. Se São Paulo e Santos dormirem muito no ponto, chorando as mágoas pela eliminação continental, quando acordarem pode ser tarde. 

Corinthians: acima da média

Por mais que diga que a Série B é a prioridade, o foco corintiano, desde a eliminação sobre o Goiás, está na Copa do Brasil. E mesmo poupando titulares, o Corinthians lidera a Série B com três vitórias em três jogos.

É verdade que ainda há muito o que acontecer e que, inclusive, o Timão pode ter adversários mais duros nos próximos jogos – como Fortaleza, Juventude e Ponte Preta, por exemplo. Ainda assim, a equipe de Mano Menezes dá toda a pinta que subirá sem sustos de volta à primeira divisão.

Elenco por elenco, o atual corintiano é melhor que o de pelo menos metade das equipes da Série A. Não bastasse a qualidade, muita gente possui experiência e rodagem na própria Série B, a ponto de não deixar a euforia tomar conta antes da hora. Uma comissão técnica segura e inteligente, nessas horas, é mais que providencial. E Mano tem se saído bem na manutenção do foco, ao mesmo tempo em que não esquece a Copa do Brasil. 

Hoje, sob uma perspectiva realista, o Corinthians parece capaz de atingir a confirmação do acesso com grande antecedência, sobretudo por serem quatro vagas em jogo. Méritos, aqui, do planejamento para a temporada, que se não foi capaz de colocar o clube nas semifinais do Paulista, o fez na Copa do Brasil, dando o salto de qualidade no momento certo e ignorando críticas pouco sensatas. 

Situação inversa

Entre os treinadores de futebol, é consenso de que falta, aos clubes brasileiros, oferecer maior continuidade para o trabalho deles. E o que acontece, quando, são os próprios treinadores que interrompem um longo período à frente de uma equipe por receberem uma proposta melhor? Náutico e Figueirense, aparentemente suficientes para permanecer na Série A por mais uma temporada, podem sofrer as saídas de Roberto Fernandes e Gallo, respectivamente.

Beto Fernandes fazia um ótimo trabalho nos Aflitos. Após um grande segundo turno e a realização do milagre da permanência em 2007, conseguia remontar o elenco para fazer outro bom papel na Série A em 2008, onde liderava após duas rodadas. Nem mesmo a irregular campanha no Pernambucano pôs grande pressão sobre os ombros do treinador, bastante identificado no alvirrubro.

Após a saída de Ney Franco, o Atlético Paranaense foi atrás de Roberto Fernandes. E o acerto não demorou muito. Agora, o Náutico precisa rapidamente encontrar um técnico que respire o clube com a intensidade que fazia Beto. Não será nada fácil. Leandro Machado até tem bons trabalhos no Sul do país, mas é indiscutivelmente uma aposta.

Já Alexandre Gallo, oficialmente, deixou o cargo no Figueirense em acordo comum com a direção. Porém, é impossível não ligar isso à proposta do Atlético Mineiro, com quem fechou dois dias depois. Em sua carreira, Gallo já foi duramente criticado por duas atitudes semelhantes. Em 2005, deixou a Portuguesa para treinar o Santos, logo após o Paulista. Em 2007, por sua vez, havia ganho com sobras o Campeonato Pernambucano, mas abandonou o Sport para dirigir o Internacional, onde não durou muito tempo.

Gallo vinha muito bem no Orlando Scarpelli. Embora tenha ido à final da Copa do Brasil, seu antecessor, Mário Sérgio, não apresentava outros resultados. Gallo sim, o fez. Perdeu a vaga na Sul-Americana na última rodada, mas afastou o rebaixamento de Santa Catarina. Seu sucessor, Guilherme Macuglia, estreou sofrendo goleada, e deve ter dificuldades para assumir esse projeto no meio da temporada.

Quem, agora, pagará os prejuízos de Náutico e Figueirense?

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Equipe Trivela

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