Brasil

Promessa não cumprida de Pedrinho e Mattos prejudica ataque do Cruzeiro

Time celeste se complicou na busca por objetivos no Campeonato Brasileiro e na Copa Sul-Americana

O Cruzeiro vive momento turbulento na temporada e as críticas ao time cresceram após o empate em 1 a 1 com o Lanús, pelo jogo de ida da semifinal da Copa Sul-Americana, disputado nessa quarta-feira (23), no Mineirão. O desempenho ruim da equipe fez com que vaias ecoassem no estádio ao fim do primeiro tempo e após o apito final.

Mas para além da partida pouco inspirada da equipe de Fernando Diniz, novamente um aspecto que vinha dando o que falar chamou a atenção na partida celeste: as poucas opções ofensivas no banco de reservas.

O Cruzeiro chegou para a partida contra o Lanús com os desfalques de Juan Dinenno, que não joga mais em 2024, e Lautaro Díaz, o que reduziu o já escasso setor ofensivo estrelado.

De boa notícia, o retorno de Rafa Silva, que se recuperou de lesão e foi opção. Além dele, os meias Mateus Vital e Vitinho, que também retornava à equipe, eram as opções de frente no banco.

Os poucos jogadores disponíveis no ataque celeste são um problema antigo. O antigo treinador Fernando Seabra, por exemplo, relacionou somente dois atacantes para a partida contra o Atlético-GO — o jovem Tevis e Kaio Jorge — por falta de outras opções.

Contra o Lanús, além de Rafa Silva, Fernando Diniz teve Gabriel Veron e Kaio Jorge, sendo que somente os dois últimos atuaram. Durante a partida, entraram em campo Vital, o lateral-esquerdo Kaiki, Vitinho e o volante Fabrizio Peralta.

Promessa da diretoria do Cruzeiro era de mais espaço para os jovens

Quando o ponta Arthur Gomes foi vendido ao Dínamo Moscou, da Rússia, por cerca de R$ 36 milhões, já após o fechamento da janela de transferências para times brasileiros, muito se falou na possibilidade de um Cruzeiro buscar um atacante sem clube para reforçar o setor.

Naquele momento o Cruzeiro já contava com poucas peças — Gabriel Veron, Lautaro Díaz, Rafa Silva e Juan Dinenno estavam lesionados — e isso escancarou a fragilidade no elenco estrelado.

Porém, a diretoria do Cruzeiro, encabeçada pelo presidente Pedro Lourenço, o Pedrinho BH, e Alexandre Mattos, CEO de futebol, definiu que nenhum reforço chegaria. A dificuldade de encontrar nomes livres que fossem interessantes e viáveis foi o principal motivo da decisão.

Pedrinho chegou a afirmar, em entrevista ao O Tempo, no dia 30 de agosto, que os jogadores das categorias de base da Raposa ganhariam espaço.

— Estou com o Alexandre (Mattos) e não vamos trazer ninguém, porque os que foram contactados não têm a menor condição. E o prazo é até segunda. Nós vamos com o que temos mesmo, então, nós vamos dar oportunidade para os jogadores da base — declarou o mandatário.

Porém, tais chances para a base não chegaram. Mesmo com a promoção de quatro jogadores, o lateral-direito Dorival, o volante Jhosefer, e os atacantes Tevis e Kaique Kenji, as oportunidades para os Crias da Toca seguiram escassas.

Dos quatro, somente Tevis e Jhosefer foram relacionados, tanto por Fernando Seabra, quanto por Fernando Diniz. A dupla entrou em campo uma vez cada, por alguns minutos, ambas as oportunidades foram dadas pelo atual treinador.

Dorival e Kenji seguiram defendendo a equipe sub-20 quando disponíveis, enquanto Tevis e Jhosefer alternaram entre a base e o profissional.

Tevis estreou pelo Cruzeiro contra o Fluminense, mas jogando por dentro, não conseguiu participar muito do jogo
Tevis estreou pelo Cruzeiro contra o Fluminense, mas jogando por dentro, não conseguiu participar muito do jogo – Foto: Gustavo Aleixo/Cruzeiro

Jovens têm defendido a equipe sub-20

Na partida contra o Lanús, nenhum deles esteve relacionado. O quarteto desceu para disputar a segunda fase da Copa do Brasil sub-20. Na partida de volta do confronto, disputada nessa quarta (23), contra o Cuiabá, fora de casa, deu Cruzeiro, 3 a 2, com gols de Tevis, Kenji e Jhosefer — não podia ser diferente.

Apesar das oportunidades para os jogadores da base não dependerem somente de uma ou outra figura, a promessa feita por Pedrinho não foi cumprida e mais uma vez o torcedor cruzeirense viu seus principais destaques “descendo” para disputar uma competição sub-20 enquanto a equipe profissional sofria com escassez de atletas.

Nem os números impressionantes de Kenji e Tevis pela equipe sub-20 da Raposa — Kenji tem 28 gols e 15 assistências em 36 jogos e Tevis marcou 22 gols e deu 15 assistências em 43 partidas –, somadas às poucas opções de ataque, em especial de homens de velocidade, fizeram com que eles tivessem oportunidades mais constantes na equipe principal.

Em sua chegada ao Cruzeiro, Fernando Diniz afirmou gostar de trabalhar com jovens atletas e é bem verdade que vários garotos têm treinado entre os profissionais nas últimas semanas.

Por isso, ainda há esperança que alguns desses nomes, em especial a promissora dupla de atacantes, possam ganhar mais minutos e suprir, de forma caseira, as carências do ataque cruzeirense.

Foto de Maic Costa

Maic CostaSetorista

Maic Costa é mineiro, formado em Jornalismo na UFOP, em 2019. Passou por Estado de Minas, No Ataque, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas, antes de se tornar setorista do Cruzeiro na Trivela.

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