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Cruzeiro precisa se libertar dos seus próprios erros para sobreviver à reformulação

Ao fim do último Campeonato Brasileiro, a torcida cruzeirense comemorava o bicampeonato brasileiro, e a palmeirense tinha o sentimento de quem havia acabado de desviar de uma bala de canhão. Ninguém imaginaria que menos de nove meses depois, tempo insuficiente para gestar um bebê, o Palmeiras estaria vencendo o Cruzeiro por 3 a 0, no Mineirão, em meia hora de partida. Tudo muda muito rápido no futebol. O jogo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil terminou 3 a 2 para o time paulista, que se classificou à próxima fase. Comemorou a vaga, a excelente partida do jovem Gabriel Jesus, e deixou o colega Palestra lambendo suas feridas. E são muitas. A eliminação significa que o Cruzeiro, após duas temporadas de sucesso, não conquistará nenhum título.

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Pode ser pior porque a zona de rebaixamento dista apenas um ponto. Ainda temos 18 rodadas pela frente, quase o segundo turno inteiro, e equipes muito piores do que as do Cruzeiro. Uma queda à segunda divisão seria castigo demais para a torcida, embora a diretoria liderada por Gilvan de Pinho Tavares tenha errado o bastante para facilitá-la, principalmente ao dissolver o time bicampeão brasileiro sem reposições à altura e ao trocar Marcelo Oliveira por Luxemburgo.

A derrota para o Palmeiras foi simbólica nesse sentido. Os dois treinadores fizeram modificações na equipe. Marcelo Oliveira fez o meio-campo jogar mais próximo, com Amaral, Zé Roberto e Robinho, e aproveitou as partidas ruins de Henrique e Charles para dominar o setor. Na frente, trocou o lento Rafael Marques pela velocidade e a juventude de Gabriel Jesus.

A atuação de melhor em campo do menino do Palmeiras foi facilitada pelas mudanças de Luxemburgo. Bruno Rodrigo estava há 50 dias sem jogar e foi colocado em campo no lugar de Manoel, que havia falhado contra o Corinthians no último domingo. O retorno do zagueiro durou 24 minutos, até Gabriel Jesus passar voando por ele, que cometeu falta em situação clara de gol e foi expulso. O Cruzeiro já perdia por 1 a 0 e, com um homem a menos, qualquer possibilidade de reação virou devaneio.

O Cruzeiro que era veloz, intenso, forte no meio-campo e letal pelos flancos não existe mais. O time de Luxemburgo não tem identidade ou sequer um time titular bem definido. A estratégia de jogo parece se resumir a alguns chutões e muita reza para não sofrer gols. Nada que surpreenda quem acompanha o trabalho do professor nos últimos anos.

Com o técnico, o bicampeão brasileiro venceu as três primeiras partidas, contra Flamengo, Atlético Mineiro e Vasco, e nas 15 seguintes, também ganhou apenas três. Nos últimos nove jogos, conseguiu três pontos apenas contra o Palmeiras, no Campeonato Brasileiro. Luxemburgo tem um retrospecto de seis vitórias, três empates e nove derrotas nessa sua nova passagem pelo Cruzeiro. Por isso, as arquibancadas do Mineirão entoaram sem muita dó:

Apesar da troca de treinadores ter sido inexplicável, não é justo colocar todos os problemas nas costas da diretoria ou de Luxemburgo. Os jogadores, individualmente, também caíram muito de produção. Mayke, Fábio e Manoel falharam contra o Corinthians, Bruno Rodrigo contra o Palmeiras, e Paulo André está constantemente causando arrepios à torcida, sempre lento e facilmente batido. O jovem De Arrascaeta parece ter minguado diante da pressão, a imprensa pede a saída de Charles do time titular e Leandro Damião faz o que pode no setor ofensivo. Uma das poucas boas notícias é Alisson, que coleciona boas apresentações.

A reformulação necessária, mas talvez exagerada, do elenco significaria certamente que o Cruzeiro teria um ano mais difícil pela frente. Um campeonato de transição, como o de 2012, que separou o quase rebaixamento dos dois títulos brasileiros. Mas, com a torcida insatisfeita, jogadores em má fase, treinador em fase ainda pior e uma diretoria, o cenário parece mais periclitante. Não precisava ser um ano tão difícil assim.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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