Brasil

Assim como em setembro, Cruzeiro se complica na busca por novo técnico

Após focar em Fernando Gago e Gabriel Milito, Cruzeiro tem em Thiago Carpini terceira opção, mas Juventude confia em permanência e treinador nega proposta

Uma semana se passou desde o fim do Campeonato Brasileiro de 2023, no qual o Cruzeiro se garantiu na Série A de 2024, após 37 rodadas, e, de quebra, abocanhou uma vaga na Copa Sul-Americana, garantindo seu retorno a uma competição internacional após quatro temporadas. Mas, se o final da difícil temporada foi positivo e animador, principalmente após a otimista carta de Ronaldo Nazário destinada à torcida celeste, o início do planejamento para o ano que se aproxima já tira o sono do cruzeirense.

Isso acontece porque o Cruzeiro encontra problemas na busca por um treinador para comandar o clube na próxima temporada. Claro, apenas sete dias após o fim do Brasileirão, pode se dizer que o tempo, apesar de precioso, ainda é curto, mas para além da temporalidade, outra coisa preocupa. Explico.

A busca do Cruzeiro por um novo treinador

Demorar uma semana para fechar com um treinador pode ser considerado natural, principalmente se esse vier de fora, afinal, o clube celeste se utiliza de uma espécie de processo seletivo, com reuniões, para definir quem receberá a proposta. Além disso e das consultas, comuns no período de busca, há a apresentação da proposta oficial, a negociação em caso de uma contraproposta, o aceite, a documentação, a viagem. Nem tudo se resolve do dia para a noite.

Mas no caso do clube celeste, o buraco é mais fundo. O clube havia definido dois alvos para o cargo de treinador: os ex-jogadores argentinos Fernando Gago e Gabriel Milito. Apesar das naturais diferenças, a dupla possui perfil parecido, e o primeiro citado foi aquele que recebeu proposta oficial. Feita a investida, a negociação corria como esperado, até que nessa quarta-feira (13), tudo mudou.

Gago sai da pauta e Carpini aparece

O ge.globo apontou que Paulo André, homem de confiança de Ronaldo havia feito contato com Thiago Carpini, treinador que subiu com o Juventude da Série B para a Série A na temporada que se encerrou, e que era dado como certo no comando do Santos, rebaixado no Brasileirão 2023. Teria a negociação com Gago dado errado? A resposta, adiantada no Canal Samuel Venâncio, foi: sim.

Sem Fernando Gago e com Gabriel Milito próximo do Vélez Sarsfield, da Argentina, o clube celeste consultou as condições de Carpini que, após desajustes com a diretoria do Santos, relacionadas a chegada do treinador Elano — ídolo do Peixe —, como diretor técnico do clube paulista, encerrou as negociações com o alvinegro praiano.

Em entrevista à Itatiaia, Thiago Carpini confirmou a consulta do Cruzeiro, mas negou que uma proposta oficial tenha sido apresentada. Ainda assim, o técnico se mostrou bastante interessado em comandar a Raposa, externando o desejo pública e enfaticamente, o que pegou mal com diretoria e torcedores do seu clube, o Juventude, que por meio de seu presidente, Fábio Pizzamiglio, afirmou confiar na permanência do jovem treinador de 39 anos.

Cruzeiro se complica, mais uma vez

O anúncio do novo comandante, que parecia questão de tempo, tomou ares de tensão. Primeiro e mais óbvio, pelo fato do clube provavelmente ter que reiniciar o processo que já havia andado com Fernando Gago. Ainda que haja resolução rápida e que o contratado seja Thiago Carpini, já sondado e com o desejo de assumir o Cruzeiro, dias preciosos irão nesse pacote, o que atrasa o planejamento de uma equipe que só perdeu jogadores até então e precisa contratar. Espera-se que o treinador escolhido participe do processo de montagem do elenco.

Em segundo plano está uma mudança significativa do perfil buscado. Enquanto Gago e Milito seguiam a mesma linha, Carpini anda por outros caminhos. Trata-se de um treinador brasileiro, sem experiência de primeira divisão e com um estilo de jogo diferente dos dois primeiros. Isso não quer dizer, necessariamente, que ele seja uma opção melhor ou pior que os dois argentinos, mas a mudança brusca no perfil, causado por mais um não — que tem sido resposta comum ao departamento de futebol do Cruzeiro —, passa uma imagem de falta de planejamento e convicção.

Filme repetido

Toda essa situação remete pouco mais de cem dias atrás, quando a diretoria celeste demitiu Pepa, que vinha acumulando resultados ruins no Brasileirão e, após uma série de “nãos”, de nomes como Paulo Autuori, Gabriel Milito e Odair Hellmann, o Cruzeiro acabou anunciando Zé Ricardo, mais de uma semana depois, em meio a disputa do campeonato nacional.

O treinador, escolhido às pressas, e estando bem abaixo na lista de opções da Raposa, já chegou ao clube pressionado pela torcida que não gostou da contratação, pelo histórico ruim do profissional, e, como esperado por muitos, não conseguiu ir bem, sendo demitido dois meses depois.

Após se encher de esperança para um ano de planejamento mais ousado — como disse o próprio Ronaldo —, e esperar um treinador cobiçado no mercado, o cruzeirense já passa a temer que seu departamento de futebol novamente fique a ver navios e que, assim como foi em 2023, quando decidiram manter um Paulo Pezzolano com a cabeça noutro continente no comando do clube, o Cruzeiro já inicie o ano de 2024 com uma série de remendos apelidada de planejamento.

Foto de Maic Costa

Maic Costa

Maic Costa é mineiro, formado em Jornalismo na UFOP, em 2019. Passou por Estado de Minas, Superesportes, Esporte News Mundo, Food Service News e Mais Minas, antes de se tornar setorista do Cruzeiro na Trivela.
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