Corinthians tem aceno positivo para fim do transfer ban, mas precisa atender à condição
Santos Laguna, do México, cobra mais de R$ 30 milhões por inadimplência do Timão em parcelas da contratação do zagueiro Félix Torrres
O Corinthians recebeu sinais animadores do Santos Laguna, do México, nos últimos dois dias. Os clubes negociam um acordo em que o intuito corintiano é derrubar o transfer ban no qual foi sancionado no início da semana pelo não pagamento de duas parcelas referentes a contratação do zagueiro Félix Torres.
A equipe mexicana, que inicialmente se mostrou avessa ao parcelamento da dívida de 6,145 milhões de dólares (R$ 33,17 milhões, na cotação atual), agora sinaliza a possibilidade de negociar a pendência.
A informação foi publicada inicialmente pelo jornalista Samir Carvalho e confirmada pela Trivela. A reportagem, inclusive, avançou com detalhes sobre a nova postura do Santos Laguna na negociação com o Timão.
Oficialmente, o clube mexicano ainda mostra resistência quanto ao parcelamento. Porém, nos bastidores, eles toparam escutar as possibilidades de acordo com o Corinthians “desde que seja sério”, afirmou uma fonte ligada aos Verdiblancos à Trivela sobre a condição para que o negócio caminhe positivamente.
Neste sentido, a reportagem apurou que uma das possibilidades consideradas pelo Santos Laguna é receber o pagamento de um valor significativo na entrada e parcelar o restante.
Com algumas dívidas fiscais, o time do México não abre mão de embolsar uma parcela inicial significativa para minimizar os seus problemas.
Por sua vez, a diretoria corintiana deixou claro que não possui a quantia integral neste momento e embasa os argumentos através da boa fé e valores que tem a receber.
A ideia do Timão é que pouco mais de R$ 100 milhões sejam depositados até o fim do mês. Cinquenta milhões de reais são referentes ao novo acordo com a Nike, oficializado nesta sexta-feira (15), e o restante o clube busca junto à Liga Forte União.
O Corinthians visa adiantar receitas que na ordem de R$ 27 milhões e pegar um empréstimo de R$ 30 milhões com a LFU para aliviar o fluxo de caixa.
Corinthians quer tirar pendência da frente por receio de sanções esportivas
A punição recebida pela dívida com o Santos Laguna foi a primeira de uma série que pode ser executada nos próximos dias.
Além dela, o Timão também possui processos em aberto com o Talleres, Shakhtar Donetsk e com o jogador Matías Rojas.
Em todos os casos, o clube alvinegro foi derrotado na Fifa e agora aguarda a posição da Corte Arbitral do Esporte (CAS). A entidade, que é a instância máxima nesses tipos de resoluções, já realizou as audiências dos três processos.
No Corinthians, existe o receio de que possíveis novas punições superem a suspensão do clube de registrar novos jogadores e tenham impacto esportivo.

De acordo com o Código Disciplinar da Fifa, no artigo 21, item d, “uma dedução de pontos ou rebaixamento para uma divisão inferior também pode ser ordenada” nos casos de “infrações repetidas”.
Em 2020, o Cruzeiro foi punido neste sentido após acumular algumas punições por inadimplência e iniciou a Série B do Campeonato Brasileiro com seis pontos a menos.
Segundo fontes jurídicas ouvidas pela reportagem, a possibilidade de o Corinthians sofrer sanções esportivas não é iminente, mas pode ocorrer conforme o acúmulo das penalidades.
Não existe uma ordem estabelecida pela Fifa sobre como as punições são aplicadas. Elas são avaliadas de forma específica pela entidade máxima do futebol.
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Entenda as situações que podem levar o Corinthians a novas punições por inadimplência
Em fevereiro, o Corinthians foi condenado pela Fifa a pagar 3,6 milhões de dólares (R$ 19,43 milhões) ao Talleres mais uma indenização de 722,4 mil dólares (R$ 3,9 milhões) ao clube argentino por conta da ausência do pagamento de despesas operacionais e impostos na contratação do meia Rodrigo Garro, no início do ano passado.
O clube argentino também usou a cláusula contratual que prevê o pagamento das prestações em aberto em caso de inadimplência. Somados, os valores chegam a 3 milhões de dólares (R$ 16,9 milhões).
Este caso é o que a diretoria corintiana está mais otimista em conseguir reverter no CAS.
Já as condenações para pagar o meia Matías Rojas e o Shakhtar Donetsk ocorreram em junho.
Em relação ao jogador que defendeu o Timão entre o segundo semestre de 2023 e o começo de 2024, houve rescisão unilateral por conta da ausência de pagamentos de direitos de imagem – que são incorporados aos salários dos atletas, mas através da Pessoa Jurídica.
A Fifa condenou o Corinthians a pagar R$ 40,3 milhões ao paraguaio, que atualmente defende o River Plate. Além de um acréscimo de 5% ao ano de acordo com o período da dívida.
Quanto a sensação no caso referente ao Shakhtar diz a respeito do não pagamento dos valores acordados pelo Timão em dois empréstimos referentes ao volante Maycon.
No total, a Fifa condenou o Timão a pagar 1,075 milhão de euros (R$ 6,8 milhões) ao clube ucraniano – sendo 1 milhão de euros (R$ 6,3 milhões) referente a sanção (mais 10% de juros ao ano) e 75 mil euros (R$ 474 mil) de multa, além de 45 mil euros (R$ 284,45 mil) a serem pagos à Fifa.



