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Corinthians teve a garra para superar erro do árbitro e vencer o clássico

O corintiano tem seu lema: difícil é mais gostoso. Enfrentar o atual campeão brasileiro, com elenco reforçado, em um clássico quente e cheio de rivalidade, com um jogador a menos durante todo o segundo tempo, graças a um erro inaceitável do árbitro, configura uma situação difícil. Logo, a vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras, com gol de Jô, nos minutos finais, arrancada na garra e na vontade, outros dois conceitos bem próximos ao torcedor alvinegro, deve ter sido bastante gostosa.

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O primeiro clássico do centenário do dérbi entre Corinthians e Palmeiras viu muito pouco futebol, mesmo antes da expulsão absurda de Gabriel. O volante, aliás, fez parte disso, com duas faltas passíveis de cartão amarelo em pouco tempo. O árbitro Thiago Duarte Peixoto deixou a primeira passar. Felipe Melo foi advertido, aos 5 minutos, e durante um bom tempo o duelo era mais físico do que técnico, com Dudu segurando muito a bola para buscar a falta e mais cartões amarelos para os adversários.

Chances de gols foram mínimas. O Palmeiras criou uma no primeiro tempo, em uma já tradicional cobrança de lateral longa para dentro da área. Mina desviou, Dudu dividiu, e Keno mandou a sobra no travessão. O Corinthians ameaçou de longe, com um chute de Gabriel, no começo da partida, e um de Léo Jabá. A expectativa era que os ânimos talvez se acalmassem no intervalo para termos mais futebol no segundo tempo. E aí, Thiago Duarte Peixoto apareceu.

Em contra-ataque, Keno avançou em direção à área do Corinthians quando foi derrubado por Maycon. Na frente do árbitro. Em linha reta. Nada obstruía sua visão. Mas Duarte Peixoto deu cartão amarelo para Gabriel. Por quê? Apenas ele, se se prestar a dar entrevista, pode responder. Nem o aviso do quarto árbitro, flagrado pelas câmeras da televisão, e o protesto dos corintianos fizeram com que voltasse atrás. O primeiro tempo acabou pouco depois.

O segundo, inteiro, foi ataque contra defesa, e o Palmeiras, apesar das circunstâncias, não foi capaz de construir uma vitória categórica no campo do maior rival. Não teve o instinto agressivo, no bom sentido, para transformar a posse de bola imensamente superiora em chances de gol. As triangulações que Eduardo Baptista pede não apareceram. Acertou uma bola no travessão com Jean e uma cabeçada, com Keno, bem defendida por Cássio. De resto, tocou a bola de lado, sem pressa, e cruzou demais para a grande área. Parecia mais com medo de levar um contra-ataque do que com vontade de vencer. E adivinha o que aconteceu?

O Corinthians, ao contrário, correu, correu e correu. Em um ano complicado, com expectativas moderadas, vencer o rival com um a menos, ou mesmo segurar o empate, seria uma vitória significativa. Essa raça foi personificada por Maycon que, aos 42 minutos do segundo tempo, gastou todas as suas energias – o esforço ficou visível em seu rosto – para pressionar Guerra, que tentou proteger a bola com o corpo e foi desarmado. O jovem corintiano, prata da casa, tentou achar Jô, outro prata da casa, duas vezes. A primeira tentativa bateu em Zé Roberto. A segunda passou entre as pernas do lateral palmeirense e chegou ao atacante. Jô tocou na saída de Prass e fez o gol da vitória do Corinthians.

A partir da expulsão, diante do erro absurdo do árbitro, seria difícil o Palmeiras sair por cima do clássico, exceto em caso de goleada categórica. Mas, pelo futebol apresentado, ficou muito abaixo das expectativas, no pior jogo do começo de trabalho de Eduardo Baptista. O Corinthians, por sua vez, alcançou uma vitória para consolidar o trabalho de Carille, que já vinha dando bons sinais. Ganhou do rival que montou um elenco estrelado, com um jogador a menos, graças a dois jogadores formados em casa, um jovem e um veterano, na base da raça. Como sua torcida gosta.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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