Quando Palmeiras e Corinthians se uniram para enfrentar o poderoso Paulistano
Palmeiras e Corinthians darão início, na noite desta quarta-feira, a um ano especial para a rivalidade. Um século atrás, em maio de 1917, a dupla de gigantes disputou o primeiro dérbi paulista entre eles. Uma história, de 361 capítulos, que já teve de tudo: goleadas surpreendentes, reviravoltas inesperadas, provocações e violência, xingamentos que viraram mascote, títulos e frustrações e até mesmo união.
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Porque houve momentos em que os dois clubes deixaram a rivalidade de lado e se uniram para atuar lado a lado. Aconteceu quatro vezes, na realidade. Contra o Sírio, em 1929, o Tucumán, da Argentina, um ano depois, e contra um combinado Flamengo-Vasco, em 1992. E contra o Paulistano, justamente em 1917, ano em que a rivalidade começou.
O Paulistano foi o principal clube das primeiras décadas do futebol paulista. Chegaria aos anos 30 com 11 títulos estaduais na bagagem. Em 1917, quando encarou a união de Palmeiras e Corinthians, estava prestes a conquistar o segundo Paulistão consecutivo de uma sequência que chegaria a quatro, entre 1916 e 1919. Seus quadros contavam com o lendário Arthur Friedenreich, o maior craque da época.
O Palestra Itália foi o segundo colocado daquele Campeonato Paulista e não perdeu nenhum dos dois jogos para o Paulistano. Venceu por 1 a 0 e empatou por 2 a 2. No começo do ano, ganhou um amistoso, por 3 a 2, e os resultados indicam que tinha uma equipe de nível semelhante ao do adversário. O Corinthians ficaria em terceiro lugar, a oito pontos do campeão, exatamente a distância construída pelas duas derrotas no confronto direto com o Paulistano (1 a 0 e 2 a 1).
A equipe para a partida com caráter beneficente, realizada em 12 de outubro, foi montada com sete jogadores do Palmeiras – Fiosi, Grimaldi, Bianco, Luiz Fabbi, Ministro, 12º maior artilheiro da história do Palmeiras, Heitor, o líder da lista, e Severino – e quatro do Corinthians: Casemiro González, Ciasca, Américo e Apparício. O Paulistano alinhou com Cunha Bueno; Carlito e Orlando; Sérgio, Gullo e Madureira; Agnello, Mário Seixas, Friedenreich, Mariano e Ulbrich. A partida foi realizada no Campo da Floresta, na região central de São Paulo.
O livro Corinthians x Palmeiras: uma história de rivalidade traz um breve relato da partida. Segundo a publicação, o Paulistano encarou o amistoso com uma leveza que não se viu no outro lado. Palmeiras e Corinthians estavam decididos a vencer o adversário que dominaria a década no futebol local. Atuaram com seriedade e “espírito de luta”. Ao longo da partida, o Paulistano criou várias chances e também perdeu muitos gols. Enquanto isso, o combinado construiu o placar: aos 20 minutos, o corintiano Américo recebeu a bola depois de uma boa trama pelo lado direito e tocou na saída de Cunha Bueno; aos 35, outra jogada pela direita terminou no segundo gol, marcado pelo também corintiano Apparício.
O combinado Corinthians-Palmeiras venceu o poderoso Paulistano por 2 a 0 naquela tarde de outubro. Aliás, Corinthians e Palmeiras ganharam todos os quatro jogos em que atuaram juntos: 5 a 0 no Sírio, 5 x 2 no Tucumán e 2 a 1 no Flamengo-Vasco. A união faz a força.



