Corinthians: Relatório aponta estouro de cota de materiais da Nike; veja os valores
Apuração tem mexido com o bastidor político do clube e colocado o vice-presidente Armando Mendonça na mira de opositores
A diretoria do Corinthians está próxima de encerrar um relatório que apura a utilização superior a R$ 10 milhões em materiais disponibilizados pela Nike, fornecedora de materiais esportivos do clube.
A informação foi publicada inicialmente pelo “UOL”. A Trivela, por sua vez, avançou e soube que a cota de R$ 4 milhões prevista ao Timão foi superada em mais que o dobro.
O teto permitido para retirada de produtos, inclusive, foi batido ainda no primeiro semestre. Somente em janeiro, 17 mil peças foram requisitadas.
Em contato com a reportagem, o ex-presidente Augusto Melo, que dirigia o Corinthians à época, afirmou que “tudo que era pego, era registrado no nome da pessoa”.
– E se a cota de retirada de produtos da Nike foi estourada, já não é problema meu. Na nossa gestão, está tudo documentado. É só mandarem mostrar alguma coisa que não esteja documentado – concluiu o dirigente, que foi destituído da presidência corintiana no dia 9 de agosto.
A Trivela também apurou que, mesmo as quantias referentes a retiradas de materiais da Nike sendo inferiores ao mesmo período no ano passado, a quantidade de materiais obtidos é maior.
A diferença entre os números se dá justamente por conta de uma redução no valor de faturamento da fornecedora em relação a 2024.
A reportagem ainda soube que a cota de produtos destinada pela Nike ao Corinthians também foi destinada em temporadas anteriores. No entanto, a empresa americana abdicou de receber esses valores durante a negociação para a renovação do contrato firmada em agosto.
Apuração interna sobre estouro da cota da Nike tem gerado clima tenso na diretoria do Corinthians
Em meio a uma série de disputas políticas nos bastidores do Parque São Jorge, a investigação em relação à utilização superior a R$ 10 milhões em produtos da Nike tem gerado alguns incômodos internamente.
A apuração foi um pedido do presidente Osmar Stábile ao diretor de tecnologia Marcelo Munhoes.
A Trivela, porém, apurou que algumas pressões políticas sobre o tema já deixaram até mesmo o mandatário corintiano incomodado com a situação.
No entanto, o principal alvo em relação ao assunto é o vice-presidente Armando Mendonça.

Desde o período em que Osmar Stábile assumiu a presidência corintiana de forma interina, Armando se colocou como um dos responsáveis pelo estoque da Nike, tanto no CT Joaquim Grava, quanto no Parque São Jorge.
Em relação ao Centro de Treinamentos, o vice-presidente divide a responsabilidade com o executivo de futebol Fabinho Soldado e o gerente de futebol José Carlos Freitas Júnior, conhecido como Zeca.
A Trivela apurou que Armando Mendonça disse a apoiadores que desde que assumiu o controle do estoque da Nike, implementou, junto às equipes responsáveis, a obrigatoriedade de lançar todas as notas fiscais recebidas no CT ao sistema do Corinthians.
Augusto Melo, porém, contesta dizendo que esses registros existiam desde a época em que presidia o clube.
– Nunca existiu ausência de lançamentos das notas fiscais. Não tem como entrar uma nota fiscal da Nike e não ser lançado. Havia todo o controle com o Zeca, do CT, que cuidava disso, com o (Leandro) Gordela (ex-chefe do almoxarifado do CT Joaquim Grava) e o Chiquinho. A nota fiscal foi lançada. E o que era retirado de material, por isso foi transferido metade do CT do profissional, para que lá fosse usado sempre com registro das pessoas. Está tudo documentado – disse o ex-presidente corintiano.
O relatório que apura o estouro da cota da Nike no Timão deve ser enviado ao presidente Osmar Stábile na próxima semana.
A expectativa era que ele tivesse sido concluído nos últimos dias, mas ainda restam alguns detalhes a serem ajustados.



