Ao subir o tom contra a arbitragem, Corinthians acredita ter deixado mensagem clara à CBF
Timão entende que declarações de Osmar Stábile, Fabinho Soldado e Dorival Júnior são o suficiente para que o clube marque território após reclamações
O Corinthians entende que a atitude dos seus dirigentes e do técnico Dorival Júnior é um recado claro à CBF de que o clube está insatisfeito com a arbitragem no Campeonato Brasileiro.
Jogadores, comissão técnica e diretoria corintiana ficaram indignadas com a marcação de um pênalti a favor do Internacional, nesta quarta-feira (1º), que tirou a possibilidade do Timão conquistar três pontos fora de casa.
O lance aconteceu quando os cinco minutos acrescidos pelo árbitro Rodrigo Jose Pereira de Lima já haviam estourado em um lance de disputa entre o zagueiro Cacá, do Corinthians, e o volante Bruno Henrique, do Internacional.
O árbitro de vídeo Gilberto Rodrigues Castro Junior recomendou a revisão do lance. E após observar novamente a jogada através do monitor, a penalidade foi marcada.
O técnico corintiano Dorival Júnior foi expulso por reclamação logo após a decisão do árbitro em assinalar o pênalti.
Ele também ficou na entrada do vestiário por alguns minutos, esperando a passagem da equipe de arbitragem, que precisou ser escoltada por policiais até o local.

Na entrevista coletiva após a partida, Dorival não poupou críticas à atuação dos árbitros de campo e vídeo.
– O Rodrigo Pereira está de parabéns pela confusão. Ele deu cinco minutos de acréscimo. O lateral saiu, ele colocou o apito na boca, para encerrar a partida, mas deixou a jogada prosseguir, mesmo já tendo encerrado a partida. E depois, chamado pelo seo Gilberto Rodrigues, do VAR, ele consegue enxergar um pênalti daquela maneira, no último minuto da partida. Aliás, ele tentou dar o gol que foi anulado pelo bandeira de linha. Naquele momento ele nos obrigou a colocar a bola no centro do campo. Ele estava procurando uma maneira e acabou encontrando de provocar aquilo que ele fez. Infelizmente, deixamos de fazer pontos aqui – disse o treinador corintiano.
Dorival também relembrou outros erros em partidas do Campeonato Brasileiro, como na rodada anterior, contra o Flamengo, em que o gol da vitória da equipe carioca foi originado da inversão de um lateral.
– Somos a equipe com 14 decisões desfavoráveis do VAR. Nós tivemos hoje, infelizmente, mais uma situação absurda. Não sou de falar muito de arbitragem, nem gosto de justificar resultados, principalmente de erros. No domingo teve um erro visível, que todos nós acompanhamos, e eu nem abri a boca. O grande problema é que hoje o Corinthians poderia ter, pelo menos, entre 7 e 10 pontos a mais na competição em razão dos muitos erros que vêm acontecendo – desabafou Dorival.
Presidente e executivo de futebol do Corinthians também metem a boca na arbitragem
Logo após o apito final, Fabinho Soldado, executivo de futebol do Corinthians, reclamou à detentora dos direitos de transmissão da partida não somente da atuação da arbitragem no duelo contra o Internacional, mas em outras partidas.
– Falar não só desse jogo, mas de dois jogos. Semana passada, nítido que aconteceu. Todo mundo viu com tranquilidade que o lateral foi do Corinthians. O lance, se revê, ou não, a questão do pênalti. O detalhe é que o segundo jogo que o Corinthians tem feito melhor dentro de campo. E esse tipo de situação complica. Futebol é espetáculo, estamos falando para o torcedor. O Corinthians é muito grande, não vamos aceitar – disse Fabinho.
Porém, a resposta dele foi evasiva quando questionado se o clube entraria com alguma representação na CBF.
– Vamos ver – respondeu.
Antes do início da entrevista coletiva de Dorival Júnior, o presidente corintiano Osmar Stábile usou a sala de coletivas do Beira Rio para desabafar contra a arbitragem.
Ainda que em tom ameno, o dirigente foi claro ao dizer que, na visão dele, “o Corinthians não pode ser prejudicado em todos os jogos”.
– O que queremos é seriedade para apitar os jogos do Corinthians. Todos os jogos têm uma polêmica e sempre contra o Corinthians. Queria desabafar dizendo que não dá para continuar assim. Todo trabalho vai por água abaixo. Então, não adianta cobrar o técnico, os jogadores, se quando chega na hora as coisas mudam. Esse pênalti de última hora não existiu. E eu quero deixar aqui que o árbitro foi pressionado no intervalo e quero ver se isso vai ser colocado na súmula. Estou muito chateado. E nós precisamos mudar isso. O Corinthians não pode ser prejudicado em todos os jogos. Treinam árbitros, preparam árbitros e quando chega na hora é isso aí. Queria que a CBF prestasse atenção e evitasse que isso acontecesse. É difícil que o trabalho seja realizado desta forma – disse Stábile.
O presidente corintiano, inclusive, também reclamou da anulação do que seria o segundo gol do Corinthians, marcado ainda no primeiro tempo pelo lateral Hugo.
Após a confirmação pela arbitragem no campo, a equipe do VAR traçou as linhas do impedimento e concluiu que o jogador corintiano estava um pouco à frente e anulou o gol.
– Na minha opinião, o segundo gol era na mesma linha. Deram contra nós. Agora, tem esse pênalti de última hora, que ninguém empurrou ninguém. Dá para ver o que foi colocado pela imprensa. Tá todo mundo vendo que não existiu nada – declarou Osmar.
O Timão volta a campo já neste sábado (4), às 21h (horário de Brasília). A equipe alvinegra encara o Mirassol, na Neo Química Arena, pelo Brasileirão, para interromper uma sequência de três jogos sem vitórias.
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Na súmula, árbitro registra ofensas de representantes de Internacional e Corinthians
Na súmula da partida entre Inter e Corinthians, o árbitro Rodrigo José Pereira de Lima fez os seguintes relatos em relação às reclamações do presidente corintiano Osmar Stábile, do executivo de futebol Fabinho Soldado e do técnico Dorival Júnior.
- Invasão ao campo do executivo de futebol corintiano Fabinho Soldado após o fim da partida acompanhado de um indivíduo não identificado que foi contido pelo policiamento e retirado do campo. Essa pessoa teria proferido a seguinte frase em direção à equipe de arbitragem: ““vergonhoso, você é um safado”;
- Durante a zona mista, Osmar Stábile, presidente do Corinthians, e novamente Fabinho Soldado se aproximaram da equipe de arbitragem “de forma exaltada e desrespeitosa” e disseram repetidamente a seguinte frase “isso é uma vergonha o que vocês fizeram aqui”. O árbitro citou que foi necessária a intervenção policial para conter os dirigentes;
- Dorival Júnior também se dirigiu a equipe de arbitragem de forma “exaltada e ofensiva” e disse a seguinte frase: “vocês deveriam sair daqui presos”. Ele também foi contido por intervenção policial.
A expulsão de Dorival, inclusive, foi justificado da seguinte forma:
– Aos 55 minutos do segundo tempo, expulsei, com cartão vermelho direto, o técnico do S.C. Corinthians, senhor Dorival Silvestre Júnior, após o mesmo sair de sua área técnica realizando gestos ostensivos e proferindo as seguintes palavras: “isso é uma vergonha, olha o que você está fazendo, isso é uma palhaçada”. Após a expulsão, o referido técnico recusou-se a deixar o campo, sendo necessário ser contido por seus auxiliares e retirado do campo de jogo – escreveu Rodrigo José Pereira de Lima.
No entanto, antes de todas as reclemações por parte do Corinthians, dirigentes do Internacional já haviam pressionado Rodrigo José Pereira de Lima no intervalo da partida. E ele registrou em súmula.
Segundo o árbitro, ao fim do primeiro tempo o presidente colorado Alessandro Barcelos, o diretor de futebol D’Alessandro e o vice-presidente jurídico Jorge Oliveira Filho foi em direção da equipe de arbitragem “de forma exaltada e desrespeitosa” e proferiram a seguinte frase: “você de novo nos prejudicando, seu safado”.
Na volta do intervalo, um dos analistas de desempenho do Internaciona, Juan Nicolas Romanazzi, ofendeu o árbitro assistente Francisco Chaves Bezerra Júnior o xingando de “filho da p…”.



