Manter Cacá era tragédia anunciada para o Corinthians, só Dorival não quis ver
Mesmo com marcação questionável da arbitragem, imprudência do zagueiro levou a pênalti crucial para tirar os três pontos do Timão sobre o Inter
O técnico Dorival Júnior tem muita responsabilidade pela grande partida que o Corinthians fez contra o Internacional, nesta quarta-feira (1º), pelo Campeonato Brasileiro, mas também pelo empate sofrido pelo Timão no último minuto.
O zagueiro Cacá dava mostras de que deveria ser substituído desde o primeiro tempo. E foi justamente ele quem causou a penalidade convertida pelo Colorado no fim da partida, em Porto Alegre.
Ainda que a marcação do árbitro Rodrigo José Pereira de Lima seja questionável, o que é inquestionável foi a imprudência do defensor corintiano em puxar o volante Bruno Henrique, do Inter, dentro da área.
Cacá foi o ponto fora da curva em um primeiro tempo muito bom do Corinthians. E se manteve assim na etapa inicial.
O zagueiro do Timão perdeu quase todos os duelos com os atacantes do Internacional, em especial Carbonero.
O atacante colombiano, inclusive, sofreu uma falta dura do defensor corintiano ainda nos primeiros 45 minutos. Cacá recebeu cartão amarelo no lance, o que contribuiu ainda mais para o jogador ser derrotado em quase todas as disputas na etapa final.
João Pedro Tchoca, que fez boas atuações recentes pelo lado direito da zaga, estava entre os reservas. E como ele não vem de uma sequência seguida de jogos, também não estava com a parte física comprometida.
De todo modo, Cacá, que deveria ser substituído ainda no intervalo, sobreviveu a todas as alterações do Corinthians e ficou até o último minuto em campo e fez com a vitória escapar pelos dedos do Timão.
Ainda assim, a atuação do Corinthians mostra que é de Dorival que o Corinthians precisa
Ainda que o aproveitamento do Corinthians na temporada seja melhor enquanto era comandado por Ramón Díaz, a atuação corintiana contra o Internacional mostrou que o Timão precisa mesmo é de Dorival Júnior.
O duelo contra o Colorado foi o primeiro encontro do Timão com o seu ex-técnico. E ficou nítido que o comandante atual tem muito mais a extrair do elenco do que o antigo.
O Internacional iniciou a partida no 4-3-1-2, com o meio-campo organizado no losango que o corintiano cansou de ver enquanto o clube era dirigido por Ramón Díaz.
Coube a Dorival Júnior, desde que chegou, tornar o Corinthians menos refém desse sistema. E ele conseguiu.
Contra o Colorado, mais uma vez a equipe alvinegra foi escalada com três zagueiros, mas dando a saída para o Fabrizio Angileri do lado esquerdo defensivo e amplitude aos laterais atuarem como alas e aparecerem com liberdade pelos lados do campo.
E foi assim que o Timão construiu a vitória, com Matheuzinho, recebendo uma inversão de jogo, pegando a lateral do Inter livre e cruzando na cabeça de Gui Negão.
Foi a sétima participação em gol do atacante, sendo a quinta bola na rede, nos oito jogos em que disputou desde que assumiu a titularidade.

E o Corinthians chegou ao segundo ainda no primeiro tempo, novamente explorando a saída de Angileri e o jogo lateral. Breno Bidon deixou o lateral-esquerdo Hugo para marcar aquele que seria o primeiro gol dele com a camisa corintiana.
No entanto, o lance foi anulado por um impedimento milimétrico captado pela arbitragem de vídeo.
O Internacional cresceu no fim do primeiro tempo. Assim como havia sido melhor nos primeiros 10 minutos da partida. A equipe gaúcha ainda chegou a um gol, mas, assim como aconteceu com o Timão, foi registrada uma irregularidade.
Após uma cobrança de falta ensaiada, onde 10 atletas do Timão estavam na área defensiva, Oscar Romero apareceu livre para bater no canto esquerdo de Hugo Souza.
O gol, porém, foi anulado por posição de impedimento do volante Luiz Otávio, que estava na frente de Hugo Souza e atrapalhou a visão do goleiro corintiano.
No segundo tempo, Ramón Díaz inseriu um terceiro zagueiro na tentativa de espelhar o sistema defensivo do Corinthians.
O Colorado até chegou a crescer no jogo por alguns minutos, mas com pouca efetividade. Os atletas do Inter pareceram perdidos e com a parte física bastante comprometida.
O Corinthians também caiu na segunda etapa, mas controlava o jogo para voltar a vencer após duas partidas. Até o pênalti contestável, mas cometido por Cacá.
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Precisamos falar sobre Gui Negão
Muito mais do que o gol marcado, o centroavante corintiano mostra a cada dia o tanto de recurso que tem.
Novamente, o jogo tático de Gui Negão foi impecável.
O atacante atacou os espaços deixados pelo sistema defensivo do Internacional, caía pelo lado direito e fechava o centro quando o jogo se oferecia por ali.

Em tempo, o posicionamento da promessa corintiana proporcionou as movimentações do seu companheiro de ataque, Vitinho, que auxiliava as ações do meio-campo e até mesmo acompanhava as saídas do Internacional pelo lado direito.
Com a bola nos pés, Gui Negão mais de uma vez sustentou as jogadas e partiu para cima da marcação colorada, até mesmo com situações de drible.
Matheuzinho e Breno Bidon também são boas notícias
Também ficam as menções positivas para as atuações de Matheuzinho e Breno Bidon, que possivelmente foram os dois melhores atletas em campo contra o Internacional.
O lateral-direito teve atuação mais consistente, com importante participação ofensiva, mas compondo os espaços defensivos quando o Corinthians não tinha a bola.
Breno Bidon também teve atuação muito importante.
Novamente jogando como meia, à frente da dupla de volantes, ele se movimentou entre o meio e o lado direito do campo, explorando os espaços deixados pelo Internacional.
Além disso, o meia encontrou saídas ofensivas com passes que quebraram as linhas do Colorado. Em um deles, deixou Hugo na cara do gol para marcar um gol que foi anulado por impedimento milimétrico.



