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Corinthians: A nota fiscal de R$ 5 mil que levou à denúncia de lavagem de dinheiro contra Andrés

Ausência de nota em serviço hospitalar e compra em loja de roupas também fomentaram acusação do Ministério Público contra o ex-presidente corintiano

O crime de lavagem de dinheiro é um dos quais Andrés Sánchez foi denunciado pelo Ministério Público do Estado de São Paulo nesta terça-feira (14). O ex-presidente do Corinthians é acusado de gastos irregulares no cartão corporativo do clube entre agosto de 2018 e fevereiro de 2021. 

Entre essas compras estão dois relógios comprados na joalheria “H-Stern”, no dia 30 de novembro de 2019. 

Embora a compra tenha sido registrada em um cartão cuja a titularidade é do Corinthians, a nota fiscal saiu no nome da pessoa física de Andrés, conforme mostra a imagem abaixo. 

Nota fiscal relógio Andrés Corinthians
Nota fiscal registra que dois relógios foram comprados em nome de Andrés Sánchez (Foto: Reprodução)

De acordo com o promotor Cássio Roberto Conserino, a mecânica da lavagem de dinheiro está diretamente atrelada à apropriação indébita, outro crime que é atribuído ao ex-presidente corintiano. 

Segundo a denúncia, ao utilizar o cartão corporativo do Corinthians para fins supostamente pessoais, Andrés Sánchez se apropriou indevidamente de um recurso do clube. 

Denúncia aponta nota em nome de Andrés como elemento que configura lavagem de dinheiro

Para o MP/SP, ao emitir as notas fiscais da compra dos relógios em seu nome, Andrés Sánchez mascarou que obteve o bem para fim pessoal, ainda que ele fosse pago com recursos do Corinthians. Assim como também ocultou a origem do pagamento. 

A denúncia ainda alega que os relógios tornaram-se patrimônio do ex-presidente do corintiano. 

Por sua vez, Andrés afirmou, em depoimento dado no dia 3 de outubro, e trazido em primeira mão pela Trivela, que comprou um relógio, diferentemente dos dois itens que são registrados na nota, e que o pagamento foi feito com o cartão corporativo do Timão por se tratar de uma questão de relacionamento. 

A reportagem apurou que tal relógio foi usado pelo ex-presidente do Corinthians para presentear um dirigente da CBF em nome do clube durante um encontro. 

Além do pagamento parcelado em três vezes através do cartão corporativo do Timão, que totaliza a quantia de R$ 5.022,00, também foi desembolsado a quantia de R$ 260,00 em dinheiro no ato da compra. 

Para o Ministério Público, essa operação também teve o objetivo de dificultar o rastreio da origem dos recursos empregados na aquisição do bem. 

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Denúncia de lavagem de dinheiro também se escora em compras de roupas e atendimento em hospital

Outros dois gastos registrados nas faturas do cartão corporativo do Corinthians no nome de Andrés Sánchez corroboram a denúncia de lavagem de dinheiro movida pelo MP/SP contra o ex-presidente corintiano. 

Uma delas é o pagamento de R$ 5.311,64 no Hospital Israelita Albert Einstein, no dia 9 de agosto de 2018. 

A instituição de saúde afirmou, em resposta ao Ministério, que não há registros que indicam atendimento médico a Andrés Sánchez e nem emissão de notas fiscais em nome do Corinthians na data registrada na fatura. 

Nota Einstein Andrés cartão corporativo Corinthians
Nota do Albert Einstein em resposta ao Ministério Público de São Paulo após solicitação de nota fiscal (Foto: Reprodução)

Desta forma, a denúncia concluiu que o atendimento médico em questão foi pago para um terceiro, não identificado, ainda que pago com recursos do Timão. E a ausência da nota fiscal dificulta o rastreio da origem do recurso utilizado na operação. 

Outra compra registrada nas faturas dos cartões corporativos do Corinthians em nome de Andrés Sánchez que também configuram lavagem de dinheiro, segundo a denúncia do Ministério Público, foram realizadas na loja de roupas “Brooksfield”, do shopping Anália Franco, no bairro do Tatuapé, zona leste de São Paulo, no dia 13 de agosto de 2019. 

Na data, foram comprados três itens: uma camisa esporte, uma camisa de linho e uma calça de sarja. Somados, os artigos custaram R$ 1.399,70. 

No entanto, a nota fiscal não consta o nome do Corinthians nem do próprio Andrés, o que, para o MP/SP, configura ocultação da verdadeira propriedade dos bens e a natureza dos valores empregados para adquiri-los. 

Nota Andrés Cartão Corporativo Brooksfield
Nota fiscal de compra de roupas não tem nome do Corinthians ou de Andrés (Foto: Reprodução)

O Código Penal prevê que a pena para crimes de lavagem de dinheiro é de 3 a 10 anos de prisão e multa. 

Uma vez denunciado, Andrés será submetido ao Poder Judiciário, através da 2ª Vara de Crime Organizado, Lavagem de Dinheiro e Crimes Tributários da Comarca de São Paulo. 

O ex-presidente corintiano também responde por apropriação indébita e crime contra ordem tributária, justamente por não fornecer ou mascarar nota fiscal ou documento equivalente referente à aquisição de algum produto ou serviço.

Foto de Fábio Lázaro

Fábio LázaroSetorista

Nascido em Santos, criado em São Vicente e entregue a São Paulo. Na Trivela desde junho de 2024, como setorista do Corinthians. Passagem pelo Lance! entre fevereiro de 2020 e maio de 2024, onde cobriu Santos e Corinthians. Por lá, também coordenou pautas e estratégias digitais. Atualmente, também é comentarista no programa Esporte por Esporte, da TV Santa Cecília.

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