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A Copinha mostrou que a base pode oferecer muito para os clubes paulistas

O Corinthians foi campeão da Copa São Paulo de Juniors pela nona vez. Na tela da TV, apareceu eneacampeão. É o clube mais vencedor da história da Copinha. O Corinthians decidiu o título com o Botafogo, que eliminou o Palmeiras. O Corinthians chegou à decisão depois de bater o São Paulo na semifinal. Os três grandes da capital chegaram longe na Copinha e os times mostraram que não é preciso ter medo de montar elenco com a base. Há bons jogadores para completar as posições carentes com os jogadores das categorias de baixo, ao invés de contratar alguns jogadores de nível médio que só irão compor elenco, custarão caro, pedirão salários altos e serão dispensados daqui um ano ou dois.

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O Corinthians precisa de atacantes, por exemplo. Gustavo Tocantins, que esteve entre os profissionais em 2014, não foi tão bem na Copinha, mas ainda pode ser testado. Outro também merecem chances, como Gabriel Vasconcelos, o centroavante do time; Léo Príncipe, lateral direito que foi muito bem; Matheus Vargas, camisa 10 que mostrou qualidade no torneio; Maycon, autor do gol na final, volante de boa qualidade; e especialmente o outro volante, Marciel, camisa 8 de ótimo passe, técnica e habilidade, e o lateral esquerdo Guilherme Arana, ainda muito jovem, mas que pode ser muito útil. A lateral esquerda é uma posição complicada e o Corinthians tem Fábio Santos, sempre muito criticado, embora seja um líder do time, e Uendel, que nunca se firmou desde que chegou da Ponte Preta.

Há nomes a serem aproveitados. Na zaga, Pedro Enrique subiu para atuar pelo time principal e também estava na Copinha. Pode ser usado como um reserva do time que deve ter Edu Dracena e Gil como titulares e Yago e Felipe como reservas. Os volantes Marciel e Maycon terão mais dificuldades porque é uma posição que o time já tem muitos bons jogadores no time principal. Além de Ralf e Elias, os titulares, ainda há Bruno Henrique, Petros e ainda chegou Cristian. É mesmo no ataque que o time mais precisou de garotos – tanto que subiu Malcom em 2014 e possivelmente subirá mais jogadores – ou, ao menos, deveria.

Nos semifinalistas também há quem possa ser aproveitado

O Palmeiras chegou à semifinal com um time que também tem nomes a serem aproveitados. O lateral esquerdo Guilherme Pereira é bom jogador, precisa ser observado com calma e pode ser aproveitado no time de cima. O grande destaque, Gabriel Jesus, é um garoto muito novo, tem só 17 anos, mas pode ser integrado ao profissional. Ele claramente é um talento que pode e deve ser aproveitado.

O São Paulo teve como destaque o seu centroavante, João Paulo. Rápido, o atacante canhoto cobra faltas e escanteios muito bem – marcou um golaço olímpico nas quartas de final – e, ainda que o time principal não tenha muito espaço no momento, é um jogador que pode ser observado. No lado direito, o lateral Foguete fez boa Copinha e deve ser uma opção observada para o time principal. Auro, que já está no time de cima, também deve ganhar mais chances. Há ainda Gustavo Hebling, bom volante, que pode compor o elenco. Entre os atacantes, Luiz Araújo é o atacante rápido pelos lados que Muricy Ramalho gostaria. Claro que está verde, é franzino, mas é um jogador que pode ser aproveitado quando o time precisar de mais elenco. E precisará, ao longo da temporada. Além deles, Matheus Reis, lateral esquerdo, que ainda precisa corrigir defeitos de marcação, mas pode compor a reserva do time principal.

Em vez de contratar diversos jogadores que irão só compor elenco, como Uendel, no Corinthians, ou Reinaldo, no São Paulo, os times podem começar a olhar com mais carinho para a base. Muitos times mostraram ter bons jogadores, não só os que chegaram longe. O próprio Botafogo de Ribeirão Preto, o Atlético Paranaense, o Internacional, mesmo eliminado na primeira fase. Ao invés de pagar salários altos para reservas, talvez valha a pena aproveitar mais quem o time formou. Além de mais barato, faz mais sentido com quem gasta tanto dinheiro para manter a estrutura de base. A Copinha mostrou que não é preciso ter medo.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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