Copa do Nordeste

Numa decisão em alta temperatura, o Bahia bateu o Ceará nos pênaltis e conquistou o Nordestão dentro do Castelão

Apesar da derrota no Pituaçu, o Bahia conseguiu dar o troco contra o Vozão e comemorou o tetra

O Bahia conseguiu uma reviravolta na final da Copa do Nordeste e terminou o sábado como o novo campeão do torneio. O Tricolor conquistou um triunfo imenso, numa partida bastante quente. O time de Dado Cavalcanti, afinal, se via em situação difícil após a derrota por 1 a 0 no Pituaçu contra o Ceará. Dentro do Castelão, os tricolores souberam reagir. Abriram dois gols de vantagem e, apesar de cederem um tento no fim, o triunfo por 2 a 1 serviu para os visitantes forçarem os pênaltis. E, na marca da cal, brilhou o protagonista da semifinal. Matheus Teixeira já tinha desequilibrado contra o Fortaleza e também pegou uma cobrança do Vozão. No fim, o placar de 4 a 3 deu a Lampions League para o Bahia, em seu quarto título no torneio.

Antes mesmo que a bola rolasse, o espetáculo começou nas arquibancadas do Castelão, com um mosaico sensacional montado pelo Ceará. Parecia a confiança de que o título viria. E o Vozão quase marcou aos nove minutos, numa cabeçada de Oliveira que Matheus Teixeira se esticou para salvar. Era a primeira intervenção decisiva do goleiro do Bahia. Com mais iniciativa dos cearenses, a decisão ainda demorou a esquentar no início, mas a tensão entre os jogadores estava clara.

A partir dos 30 minutos, a partida ganhou intensidade. Os dois times passaram a arriscar mais e as boas chances surgiam. O Bahia poderia ter saído em vantagem aos 40, não fosse Richard. O goleiro realizou duas defesas sensacionais, em arremates seguidos de Thaciano. Depois, também parou Rodriguinho. Quando o Ceará tentou, faltou um pouquinho mais de precisão. Mendoza já tinha mandado um chutaço para fora e, num contragolpe, Vina demorou demais para definir contra Matheus Teixeira.

O placar se movimentou apenas no segundo tempo. O Bahia saiu em vantagem aos 16 minutos, com um pênalti marcado após toque de mão de Luiz Otávio. Rodriguinho cobrou e venceu Richard. O Tricolor manteve o gás, até ampliar a diferença aos 26. Num ataque em velocidade, Rodriguinho serviu e Gilberto, depois de cortar a marcação, mandou o chute cruzado. Neste momento, o título ficava com os baianos. O Ceará precisaria de um gol para forçar os pênaltis e conseguiu, depois que Guto Ferreira aumentou as opções de seu ataque. Dois jogadores que saíram do banco resolveram aos 39. Marlon cruzou e Jael definiu de cabeça. A final permaneceu com temperatura alta nos minutos finais, com o Vozão mais disposto ao empate. Nos acréscimos, Cléber ainda mandou uma cabeçada para fora, mas não evitou os penais.

Rodriguinho e Lima começaram convertendo. Matheus Galdezani colocou o Bahia à frente na segunda série, já que Matheus Teixeira pegou a cobrança de Jorginho. Richard apareceu para o Ceará na sequência, ao também espalmar o tiro de Thonny Anderson. O problema foi a terceira batida do Vozão, quando Marlon mandou para fora. Depois disso, Lucas Araújo e Fernando Sobral marcaram. Por fim, coube ao zagueiro Conti determinar o título do Bahia em seu quinto tiro, sem sequer permitir a última cobrança cearense. Festa tricolor, que ainda seria brevemente interrompida por uma confusão, diante da insatisfação alvinegra.

O Bahia andava devendo na Copa do Nordeste. Os tricolores tinham perdido três das quatro finais que disputaram a partir de 2015, duas delas contra o Ceará. Desta vez, aconteceu a revanche contra o Vozão e o primeiro troféu desde 2017. Além do mais, os baianos alcançam o quarto título na competição. Igualam-se ao rival Vitória como maiores vencedores do certame.

Depois de altos e baixos no último ano, o Bahia indica um rumo com Dado Cavalcanti. O investimento no clube é massivo e o próprio elenco, cheio de medalhões, indica tal potencial. Nesta reta final, o Tricolor derrotou as duas forças cearenses e conseguiu superar as adversidades para chegar à taça. Ainda contou com uma figura decisiva em Matheus Teixeira, goleiro jovem que precisou assumir a posição em uma eventualidade, diante do desfalque de Douglas Friedrich, e virou um grande personagem nesta conquista. Rodriguinho, essencial na permanência na Série A, e Gilberto, muito efetivo ao longo da Lampions League, também apareceram no momento certo. O troféu fica em boas mãos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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