A convocação reforça que a renovação passa mais pela mentalidade do que pelo elenco
Quem esperava a primeira convocação de Dunga para soar as cornetas, vai ter que esperar mais um pouco. De uma maneira geral, a lista do técnico no retorno à Seleção pode ser avaliada positivamente. Trouxe a maioria dos nomes pedidos pelos torcedores – como Rafael Cabral, Miranda, Éverton Ribeiro e Philippe Coutinho. Além disso, serviu para passar uma mensagem importante, que talvez não estivesse clara para todos: a seleção brasileira precisa, sim, de uma renovação geral depois do vexame no Mundial. No entanto, ela deve acontecer mais na forma de pensar o futebol e de jogar do que propriamente na renovação o elenco.
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São dez os remanescentes da Copa de 2014 no elenco que enfrentará Colômbia e Equador em setembro – e poderiam ser 11, não fosse a lesão de Thiago Silva. A manutenção de jogadores é bem maior do que a ocorrida na primeira convocação de Dunga de 2006 ou de Mano Menezes em 2010, depois das duas eliminações anteriores do Brasil em Mundiais. Na lista após a decepção na Alemanha, oito foram mantidos por Dunga, enquanto Mano chamou apenas quatro que estiveram na África do Sul.
O momento, no entanto, era diferente nas duas ocasiões. Dunga chegava justamente para deixar no passado os problemas ocorridos em Weggis e renovar um grupo envelhecido, com muitos remanescentes do título de 2002. Já Mano Menezes tentava um rompimento com o que Dunga tinha feito no trabalho anterior, fiel a muitos jogadores questionados. As portas foram abertas para uma nova geração, que se manteve também com Felipão. E não são exatamente eles que devem ser queimados por causa da goleada sofrida para a Alemanha no Mineirão.
Inegavelmente, Neymar continua sendo a estrela da companhia, acompanhado por outros jogadores que podem ter mais uma Copa do Mundo pela frente, como Oscar, Willian, Luiz Gustavo e David Luiz. Da mesma forma como outros que estiveram na Copa poderiam até ser barrados pelo treinador, mas resolveram receber outra chance e atenuar o rompimento – caso de Hulk, Fernandinho ou Ramires. Dentre os que não foram mantidos, as ausências mais sentidas talvez sejam as de Marcelo, Hernanes e Victor, ainda com espaço.
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Por outro lado, Dunga não inventou nem um pouco em suas novidades, seguindo muitos dos pedidos da opinião pública. Miranda e Filipe Luís finalmente foram premiados pelo momento no Atlético de Madrid, enquanto Danilo, Alex Sandro e Philippe Coutinho dão ainda mais volume à geração campeã do Sul-Americano e do Mundial Sub-20 em 2011. Os clubes brasileiros também acabaram observados, com os destaques de Corinthians, Cruzeiro e Atlético Mineiro presentes – embora tenha gente que torça o nariz para Elias e Diego Tardelli. Pode até ter faltado um Roberto Firmino aqui, um Diego Alves acolá, mas não é nada que salte tanto aos olhos.
As questões principais sobre Dunga só começarão a ser respondidas com o tempo e com as primeiras partidas do treinador. Será o momento de ver como o time se portará em campo, se haverá uma forma de se jogar em que o apego ao resultado não importe tanto. E também como continuará o discurso sobre a Seleção, vendo um inimigo maior do que realmente existe. Pelo menos na lista de convocados, sem apegos e com boas novidades, Dunga merece os devidos elogios.
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