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Conheça o time que tirou o Vitória do Baianão e derrubou até o seu presidente

Carlos Falcão ainda tinha quase dois anos de mandato pela frente, mas decidiu ceder à pressão do conselho do Vitória e renunciar à presidência. Os resultados não estavam sendo bons. Perdeu o título estadual para o rival Bahia e terminou o ano passado rebaixado no Brasileirão. A má fase continuou em 2015, com a segunda colocação do seu grupo na primeira fase do Campeonato Baiano e principalmente a queda precoce nas quartas de final. A gota d’água. Tragédia para o gigante da região, glória para o pequeno Colo-Colo.

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A derrota no último domingo, em pleno Barradão, por 2 a 0, teve um sentimento de déjà vu para os torcedores rubro-negros que choraram pela final de 2006, quando o time de Ilhéus também surpreendeu o Vitória. Foi o primeiro título que a dupla baiana não conquistou desde 1969 e continua sendo a principal glória do Colo-Colo, ainda um time modesto e com pretensões correspondentes ao seu tamanho.

Nenhum jogador do elenco ganha mais de R$ 8 mil por mês, teto salarial imposto pela diretoria. A folha salarial não passa de R$ 70 mil. O orçamento total do clube, com despesas cotidianas, viagens e outras contas, gira entre R$ 120 mil e R$ 130 mil. Vitória e Bahia gastam, em média, R$ 1,5 milhão mensalmente cada um com atletas e comissão técnica.

Com esse orçamento reduzido, uma das dificuldades do Colo-Colo foi adequar o pequeno estádio Mário Pessoa, com capacidade para sete mil pessoas, para a primeira divisão. Precisou da ajuda da prefeitura de Ilhéus, que instalou 64 refletores e fez outras reformas, como no gramado, banheiros e vestiários. Foi a única contribuição do município, segundo o clube, mas o bastante para o diretor de Esportes da Prefeitura de Ilhéus, Roberto Andrade, ser convidado para ser chefe da delegação na viagem a Vitória da Conquista para o primeiro jogo das semifinais, em 5 de abril.

Valeu a pena o investimento porque o público não decepciona. O Colo-Colo recebeu, em média, 3.156 pagantes por partida neste Campeonato Baiano, uma taxa de ocupação próxima a 50% da capacidade do estádio. Bastante para uma cidade com população de aproximadamente 200 mil pessoas. O maior público, curiosamente, não foi contra o Vitória nas quartas de final, mas contra o Vitória da Conquista, quando o time já estava classificado.

Montar o time para o técnico Duzinho fazer suas escolhas foi um quebra-cabeça e um desafio de imaginação porque jogadores de primeira divisão de campeonatos estaduais do nível do Baiano costumam exigir mais. A diretoria manteve a base do time campeão da Segundona, subiu jogadores das categorias de base e ficou de olho no Campeonato Intermunicipal para cooptar revelações. De fora, trouxe poucos reforços, como Marconi, ex-Bahia, e Michel, ex-Serrano.

Mesmo esses tinham ambições salariais maiores que a capacidade do Colo-Colo, mas foram convencidos a se adequar ao projeto. O trunfo do clube de Ilhéus foi o gerente de futebol Ítalo Bittencourt, conhecido no futebol baiano pelos bons trabalhos no Feirense e no Serrano. Ajudou a levar ambos para a semifinal do estadual e para a Copa do Nordeste. “Eles confiaram no nosso trabalho e sabem que é bem feito, com pagamento em dia”, afirma à Trivela.

Agora, no mínimo, ele já alcançou o mesmo resultado dos seus outros dois trabalhos e quer mais. Quer a Série D. Para isso, precisa no mínimo vencer o Vitória da Conquista nas semifinais do Baiano. Se o adversário da decisão for o Bahia, o Colo-Colo já estaria garantido na quarta divisão. Se for o Juazeirense, precisaria conquistar o título, que seria apenas o segundo do clube em 67 anos de história. “Nosso destaque é o conjunto”, afirma Ítalo à Trivela. “Temos um goleiro muito qualificado e uma linha de defesa que teve atuações brilhantes”.

Impossível discordar. O time sofreu apenas dois gols nos seis jogos da primeira fase e mais dois do Vitória no jogo de ida das quartas de final O goleiro Waldson é o principal destaque da equipe, e a defesa, a menos vazada do torneio ao lado dos ferrolhos de Bahia de Feira e do Leão da Barra. O problema está no ataque, que marcou apenas duas vezes na primeira fase. O Colo-Colo classificou-se com oito pontos e uma campanha na média, com duas vitórias, dois empates e duas derrotas. Catuense e Serrano, relegados à disputa contra o rebaixamento, somaram sete pontos, apenas um a menos. “O volume de jogo foi muito grande, mas não convertemos em gol”, analisa Ítalo. “Fizemos as seis partidas iguais à que fizemos contra o Vitória. Poderíamos ter vencido todos esses jogos”.

O zagueiro Michel chama a atenção dos mais ricos e deve deixar a equipe ao final do campeonato. Outros podem seguir o mesmo caminho. “Questão de mercado. Não tem como segurar um atleta que se destaca dessa forma. Até por uma questão de sobrevivência temos que fazer negócio”, conforma-se Ítalo. Até porque, mesmo sem as vagas para outras competições, a campanha já está muito boa para o clube rebaixado em 2011. Passou três temporadas no limbo até voltar à elite do estado com o título da segunda divisão do ano passado. Agora, nem pensa em abandoná-la e pretende continuar a incomodar os grandes. O Bahia, possível adversário de uma possível final, que se cuide.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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