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Como deveria ser, enfim, Micale treinará a seleção olímpica também nas Olimpíadas

Entre as mudanças anunciadas pela CBF, uma permanência também merece ser muito bem recebida. Rogério Micale foi confirmado como técnico da equipe olímpica para os Jogos do Rio de Janeiro. Nada mais justo. Segundo as informações iniciais, Tite abriu mão da seleção sub-23, a menos de dois meses do início da competição. Micale, como lhe deveria ser de direito, seguirá o seu trabalho na tentativa de conquistar o inédito ouro – e, mais importante do que isso, preparando jovens para servirem a seleção principal.

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A efetivação de Micale até as Olimpíadas acontece com um atraso considerável. Afinal, não importa se o treinador da seleção principal é Dunga, Tite ou Alex Ferguson: a continuidade no time olímpico tinha que ser valorizada. Não fazia sentido nenhum que Micale preparasse o elenco e, justo na hora de comer o filé, abrisse caminho para Dunga assumir o time. Por mais que o técnico da equipe adulta acompanhasse o projeto, ninguém melhor do que Micale para saber como lidar os atletas nos Jogos Olímpicos – tanto pela convivência quanto pela competência, demonstrada na base faz muito tempo.

Micale já segurou uma bucha tremenda na seleção sub-20. Pegou um elenco já convocado às vésperas do Mundial, substituindo Gallo, de passagem questionável pelas equipes de base e acumulando atritos com outros personagens controversos nos bastidores da CBF. Ainda assim, o baiano fez o que parecia impossível na Nova Zelândia: mesmo sem as melhores peças possíveis, moldou o time e evoluiu ao longo da competição. Não ficou com a taça, é verdade, mas deu gosto de ver a Seleção vice-campeã. Deu uma identidade coletiva e fez os garotos jogarem com vontade, justamente o que se cobra da equipe adulta.

Junto com o coordenador da base, Erasmo Damiani, Micale faz um trabalho digno de elogios. Se as equipes menores do Brasil muitas vezes pareciam relegadas às trocas de interesses e à politicagem da CBF, desta vez dá para confiar no currículo de quem as conduz. E o que se espera é que o reflexo venha da melhor forma, nas Olimpíadas. Sobre o jogo, dá para se esperar uma postura ofensiva, com marcação alta e posse de bola, algo característico nas equipes do baiano.

Obviamente, manter Micale não é garantia de medalha de ouro. No papel, Alemanha e Argentina são indiscutivelmente mais fortes, enquanto Portugal também deve contar com um time interessante. Ainda assim, a manutenção do treinador reforça as credenciais do Brasil, ao invés da quebra que haveria com Dunga. Ao menos agora a condução do projeto olímpico está sendo feita da maneira correta, por mais que isso só tenha acontecido por acaso, pelo fracasso do time principal na Copa América.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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