Como deixaram o São Paulo chegar

Foram 28 rodadas para o São Paulo entrar, de vez, entre os quatro primeiros colocados do Campeonato Brasileiro. Até então, só no fim do primeiro turno, o bicampeão ameaçara mostrar as credenciais ao título, mas rapidamente foi abatido por uma seqüência improvável de empates. Por isso, é pertinente Muricy Ramalho dizer que “deixaram o São Paulo chegar”.
A trajetória fulminante do São Paulo, de 16 partidas invictas, sendo incríveis nove vitórias nos últimos dez jogos, é que ficará na história da edição 2008 do Campeonato Brasileiro, mas três dos quatro clubes que residiram no G-4 em boa parte da competição –Flamengo, Palmeiras e Cruzeiro – se mataram nos confrontos diretos. E pior: foram todos superados pelo tricolor do Morumbi na hora dos enfrentamentos.
Quando ainda flertava entre a disputa da Libertadores e do Brasileiro, o São Paulo foi ao Maracanã pegar o Flamengo sabendo que tirar três pontos e a invencibilidade do então líder do certame era um golpe a ser aplicado. E, de fato, apresentou as credenciais de bicampeão, atuando nos contragolpes e calando os mais de 50 mil flamenguistas presentes em dia de Borges. No returno, venceu ao natural dentro do Morumbi, por 2 a 0, e fez os seis pontos devidos.
Nos duelos diante do Cruzeiro, novamente a equipe de Muricy Ramalho mostrou poder de decisão. Mesmo não vivendo grande momento na competição, foi ao Mineirão, e atuou no primeiro terço do campo em quase todo o tempo e pôs um ponto na bagagem graças, também, a um gol de Borges. No returno, situação idêntica dos duelos diante do Flamengo: vitória por 2 a 0, sem maiores contratempos.
O Palmeiras foi outro dos co-líderes que tentou, mas não conseguiu superar o São Paulo no Campeonato Brasileiro. Após eliminar o rival na semifinal do Campeonato Paulista, o Verdão foi vencido com sobras, no primeiro turno, dentro do Morumbi. Muricy surpreendeu Luxemburgo, atuando pela primeira vez, no Brasileiro, com uma linha defensiva de quatro jogadores e outra idêntica mais à frente. E foi justamente travando os lados e forçando o jogo em cima de Leandro e Elder Granja que o São Paulo, por 2 a 1, levou três pontos do clássico.
Para o returno, novamente o São Paulo preparou o assalto e iniciou a seqüência que, de fato, lhe levou para a liderança, voltando ao Parque Antarctica após a conturbada eliminação no Paulistão, e tendo uma grande atuação no melhor jogo do campeonato. Ainda que cedendo o empate após vencer por 2 a 0, o tricolor não deu brechas para lamentações. O resultado foi satisfatório, brecou o rival e, principalmente, a proposta de um jogo defensivo e físico foi executada de maneira praticamente irretocável.
Para completar a combinação que leva o São Paulo até a ponta, todos os três se mataram nos duelos diretos do returno. O Cruzeiro venceu o Flamengo em sua casa, mas recebeu o Palmeiras e foi batido. Ainda assim, a equipe de Luxemburgo não conseguiu somar seis pontos nesse roteiro, sofrendo uma impiedosa goleada há duas semanas contra o Fla.
Sem um único rival realmente destacado além do Grêmio, as coisas ficaram mais fáceis para que o São Paulo disparasse. Não por sorte, claro, mas pela pontuação diluída entre o trio que, tecnicamente, poderia igualar forças. É, deixaram o São Paulo chegar mesmo.
Mas e o Grêmio?
Se há exceção, e até por isso devem ser lamentados os tropeços em jogos teoricamente fáceis, é o caso do Grêmio. O tricolor gaúcho venceu o São Paulo nos dois confrontos, e também se sobressaiu contra o Palmeiras, com uma vitória e um empate, e igualou com o Cruzeiro, trocando vitórias. Só foi mesmo superado pelo Flamengo, empatando sem gols em casa e perdendo no Maracanã.
O problema na campanha gremista é a queda no returno, oferecendo a distância de seis pontos para os concorrentes graças a tropeços. É o caso dos reveses em casa – derrota para Goiás e empate com o Figueirense -, ou mesmo como visitante – 2 a 4 diante do Vitória e 0 a 2 diante da Portuguesa. As goleadas sofridas contra Cruzeiro e Internacional podem ser encaradas como acidentes de percurso, mas tamanhos tropeços em reta final custam caro.
Enquanto há vida, há esperança, e a tabela gremista que resta é bastante acessível. Ainda assim, torcer contra quem não perde há 16 jogos é uma tarefa inglória. Sobretudo quando não se tem mais certeza de suas próprias forças.
Acessos definidos
Ainda há uma jornada a ser jogada na Série B, mas os clubes que irão compor o grupo definitivo de promoção à elite já estão definidos. Após Corinthians, Avaí e Santo André, o Grêmio Barueri fez a formalidade contra o América de Natal e chegará à primeira divisão nacional na mesma década de sua estréia profissional.
Dentro da zona de rebaixamento, porém, a sorte será lançada no próximo sábado. São cinco clubes tentando fugir da degola, situação já consolidada para CRB e Gama. A vantagem está nas mãos de ABC, América-RN e Fortaleza, e todos têm condições de fazer o dever de casa. O ABC viaja, mas pega o CRB, lanterna, enquanto o América e o Fortaleza recebem, respectivamente, Corinthians e Brasiliense, já “de férias”.
Por isso, os gramados paulistas podem presenciar o rebaixamento de dois clubes que, atualmente, estão na zona de degola. O Marília recebe, desesperado, o Ceará, enquanto que o Criciúma viaja até Campinas para enfrentar a Ponte Preta – e precisará de vitória.
Se ainda falta saber quem deixa a Série B, os clubes que virão de baixo já são conhecidos. Além do campeão Atlético Goianiense, subiram o Guarani, o Campinense e o Duque de Caxias. Seguem longe da segundona, então, Brasil de Pelotas, Águia de Marabá, Confiança e Rio Branco-AC.
Na rodada final, no último domingo, só o Guarani venceu sua partida, entre os que subiram. O Campinense foi até Goiânia e trouxe um empate sem gols, enquanto que o Duque de Caxias acabou sendo batido pelo Confiança. Ainda assim, subiu, graças ao revés sofrido pelo Brasil de Pelotas, goleado pelo lanterna Rio Branco, no Acre.



