Brasil

Com Maracanã lotado e em festa, Fred teve a despedida que um ídolo do seu tamanho merece

O maior artilheiro do Campeonato Brasileiro por pontos corridos fez seu último jogo profissional na vitória contra o Ceará

Fred disse que não “esperava tudo isso”. Mas deveria. Um jogador histórico, maior artilheiro do Campeonato Brasileiro na era dos pontos corridos, duas Copas do Mundo no currículo, merece uma despedida à altura, e o Fluminense lhe deu, com Maracanã lotado, clima de festa, muitas homenagens e uma vitória por 2 a 1 sobre o Ceará que o deixa em segundo lugar na tabela da liga brasileira.

A ótima sequência de resultados do time de Fernando Diniz, que ganhou as últimas quatro rodadas do Brasileirão, gerou o clima perfeito para festejar um dos seus principais ídolos. Um cara que chegou na época da bonança e retornou (de bicicleta) na austeridade. Fez 199 gols pelo Fluminense, conquistou dois Campeonatos Brasileiros e marcou um gol de voleio contra o Flamengo que foi eternizado em 3D pelas arquibancadas do Maracanã.

Entre os dois capítulos tricolores, passou por Minas Gerais, onde tudo começou, e conseguiu ser campeão por Atlético Mineiro e Cruzeiro. Levou uma Copa do Brasil pela Raposa, apropriado para quem é também o maior artilheiro da competição. Uma carreira quase irretocável por clubes, mesmo que a experiência na Europa não tenha sido a melhor. Tinha nível para retornar. Não parece que era seu interesse.

Na seleção brasileira, teve um trampo difícil. Quando chegou a sua vez de liderar o ataque, não deixou de fazer seus gols, mas precisava suceder uma sequência de artilheiros históricos, de Romário a Ronaldo e mesmo Adriano, um monstro em seus melhores momentos. Não ter conseguido não é um demérito tão grande porque poucos conseguiriam. Deixou má impressão como titular em 2014, mas o geral da campanha brasileira escancarou que os problemas eram muito mais profundos.

Acima de tudo, Fred foi um jogador divertido, que deu vários elementos para a torcida do Fluminense curtir sua despedida do futebol profissional. Um lindo mosaico com “Fred vai te pegar” embelezou o Maracanã antes de a bola rolar. Outro exibia “Eterno”, além da reprodução daquele golaço contra o Flamengo. O ídolo foi recebido com festa e assistiu à maior parte do jogo do banco de reservas.

Entrou aos 33 minutos do segundo tempo no lugar de Germán Cano, com quem havia trocado comemorações no primeiro gol – o argentino fez o coraçãozinho de Fred, que retribuiu com o L de Cano. As cenas mais bonitas vieram após o apito final, começando pelo discurso. “Tenho certeza que esse time vai bater campeão este ano. Eu não falo só pelo que a gente está jogando, eu falo pelo tanto que vocês trabalham, guerreiros. Fernando, obrigado por tudo que você está fazendo por nós”, disse.

Fred deu uma volta olímpica de bicicleta enquanto a torcida cantava “Fred vai te pegar” e, ao seu estilo bem-humorado, entrou com a bicicleta em uma das traves do estádio. Pois é. Ele fez um gol. De bicicleta. Depois, colocou os pés na Calçada da Fama do Maracanã e foi para a galera. Afinal, agora é mais um deles.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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