Brasil

Com direito a bandeirão, Erika desaba em lágrimas ao retornar após dois anos de pausa por lesão

Erika sofreu duas lesões no joelho num espaço de dois anos, e só atuou em dez partidas nesse meio tempo

Desde 2018 no Corinthians, a zagueira Erika acumula mais de 90 partidas pelo clube e levantou 12 títulos. No entanto, nas duas últimas temporadas, a experiente jogadora de 36 anos passou pelo pior momento de sua carreira. Afastada dos gramados por uma sequência de duas graves lesões, ela chegou a pensar em desistir do futebol, mas voltou a atuar na última quinta-feira (21), no segundo tempo da goleada sobre o América-MG, pelo Brasileiro Feminino.

— Para muitos pode ser só uma volta, né? A Erika voltou… Mais uma em campo que se machucou e depois voltou. Mas não, é muito mais difícil que isso. São dois anos e dois meses sem entrar em um campo assim, sem jogar, sem estar com as meninas sempre no vestiário — disse Erika após o jogo no Parque São Jorge.

— Hoje não teve tristeza não, mas tive em muitas vezes. Nesses dois anos aí, foi muita tristeza, muita decepção, tive muita vontade de desistir, muitos momentos em que joguei a chuteira, joguei tudo e falei que não voltava mais. Aí, dava dois minutos, e eu falava: “Eu volto, sim. Calma que você não vai desistir” — desabafou enquanto enxugava as lágrimas.

Bandeirão que a torcida do Corinthians fez para Érika, estendida no Parque São Jorge (Foto: Livia Camillo)

A zagueira rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho pela primeira vez durante a Libertadores Feminina de 2021. Foi um ano de recuperação até o retorno na edição seguinte do torneio continental. No entanto, após dez jogos, ela voltou a sofrer uma nova lesão no joelho que a tirou dos gramados por mais de um ano.

Aos 13 minutos da segunda etapa, Erika foi acionada para entrar no lugar de Vic Albuquerque, quando o placar já estava 3 a 1 para o Timão. O carinho da torcida foi o mais emocionante para ela, que ouviu a torcida gritar seu nome e ganhou até bandeirão com a frase: “1% de chance, 99% de fé. A fênix renasce outra vez”. Na mitologia grega, a fênix é um pássaro que renasce das cinzas.

— Do nada, eu comecei a chorar de novo e vi a bandeira ali, da fênix. É o que postei hoje, estou renascendo de novo, carrego sim uma fênix por conta de tudo que passei, e dessa vez não foi fácil. Nosso corpo não corresponde mais da mesma forma. Obrigado pela oportunidade de falar com vocês e transmitir isso, porque não é fácil.

Depois dos primeiros toque na bola e da recepção calorosa, a defensora já começou a recuperar a confiança perdida ao longo das duas temporadas de pausa.

— Cara, olha aí, eu pensando nisso, antes estava tudo bem. A bola vinha, não importava. Dominava, saía jogando. Primeira bola veio, já dei um bico para frente. Segunda, outro bico para frente. As meninas olharam e eu falei: “Calma, está tudo bem, deixa eu só me acostumar”. Depois, começa de novo, dá um toquinho do lado, pega a confiança, já começa a falar e aí está tudo bem.

Futuro e provável aposentadoria

Antes de se despedir, Erika contou que ficou com o espaço de Grazi, que se aposentou no fim da temporada passada, nos armários do vestiário.

— O Serginho, nosso roupeiro, sempre coloca as nossas roupas em cada lugarzinho. Colocaram as minhas coisas no lugar da Grazi. E as meninas já falaram, quem entra pega o lugar ali, aposenta. Então, vocês já sabem, eu sou a próxima — brincou a jogadora.

Foto de Livia Camillo

Livia Camillo

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário FIAM-FAAM, escreve sobre futebol há cinco anos e também fala sobre games e cultura pop por aí. Antes, passou por Terra, UOL, Riot Games Brasil e por agências de assessoria de imprensa e criação de conteúdo online.
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