Brasil

Como as chuvas afetaram os clubes da segunda divisão do Rio Grande do Sul?

Estádios ficaram alagados, e presidentes dos clubes solicitaram ajuda financeira à Federação Gaúcha de Futebol (FGF)

As chuvas que assolaram o Rio Grande do Sul não trouxeram prejuízos somente para a dupla Gre-Nal. Diversos clubes do estado, e seus funcionários, foram afetados pelas enchentes. Diante disso, a Trivela conversou com personagens de equipes da segunda divisão gaúcha para entender o tamanho do prejuízo da tragédia climática para essas agremiações.

Na quarta-feira (8), a Federação Gaúcha de Futebol (FGF) realizou videoconferência com os presidentes dos clubes do Campeonato Gaúcho Série A-2, a popular Divisão de Acesso. Na ocasião, ficou definida a suspensão do certame pelo menos até o dia 26 de maio, quando nova reunião avaliará a possibilidade de retomada da competição.

O presidente Luciano Hocsman aproveitou o encontro virtual para ouvir dos representantes dos clubes como estão suas instalações, e o cenário em suas respectivas cidades. O Internacional, de Santa Maria, e o Lajeadense, de Lajeado, foram os mais afetados.

Alagado, estádio do Inter-SM ficou sem luz e água por uma semana

— A gente teve problemas das mais diversas ordens desde quando começaram as chuvas. Primeiro, o alagamento do clube, não só do campo, mas também da secretaria, do refeitório, da cozinha, dos vestiários. Fizemos uma força-tarefa envolvendo atletas, comissão técnica, dirigentes, torcedores, e conseguimos dar um jeito naquele caos que estava instaurado — conta Pedro Della Pasqua, presidente do Inter-SM.

Além do alagamento, o Estádio Presidente Vargas ficou quase uma semana sem luz e água. Os 12 jogadores alojados no clube foram realocados para um hotel parceiro do Inter-SM, até que a energia elétrica do estádio fosse reestabelecida, no sábado (4).

— A gente teve que fazer praticamente uma obra elétrica no estádio, porque a nossa parte elétrica aqui foi consumida, e saiu bem caro. Perdemos utensílios, móveis, algumas coisas na secretaria, no refeitório e no vestiário — lamenta o presidente colorado.

Por conta dessas perdas, Della Pasqua frisa que o Inter-SM, assim como outros times do interior gaúcho, precisará de ajuda financeira para a continuidade dos trabalhos. Uma carta, solicitando esse apoio, foi redigida e assinada pelos mandatários dos 16 clubes do Gauchão Série A-2 e entregue ao presidente da FGF, Luciano Hocsman.

Lajeadense deve ceder parte do seu estádio para o exército

Uma das assinaturas é de Marcos Mallmann, presidente do Lajeadense. Assim como em setembro de 2023, Lajeado, no Vale do Taquari, foi uma das cidades mais afetadas pelas chuvas, e proporcionou algumas das imagens mais impressionantes da atual tragédia climática que assola o Rio Grande do Sul, com a enchente tomando conta da ponte na BR-386.

Ponte na BR-386, entre Lajeado e Estrela. Foto: Divulgação/Prefeitura de Lajeado

A estrutura da Arena Alvi-Azul, em si, não foi danificada. Tanto é que o Lajeadense, da mesma forma que aconteceu no ano passado, deve ceder parte do seu estádio para que soldados do exército brasileiro se hospedem enquanto socorrem as pessoas necessitadas na região.

— Estamos fazendo a nossa parte, tentando amenizar os problemas e as dores da sociedade do Vale do Taquari. Infelizmente isso fugiu daqui, agora o problema está em todo estado, principalmente na grande Porto Alegre. Mas estamos rezando e pedindo a Deus para que possa diminuir o sofrimento do povo gaúcho — clama Mallmann.

Alguns jogadores e funcionários do Lajeadense perderam tudo nas enchentes. Outros estão ilhados. Como se não bastasse, sete casos de dengue afligiram o elenco, incluindo uma hospitalização. Devido a tudo isso, apenas 14 atletas treinam sob o comando de Serginho Almeida.

Goleiro do Aimoré perdeu tudo nas enchentes

Mas há times que sequer estão realizando treinamentos. É o caso do Aimoré, de São Leopoldo, outra cidade muito afetada pelas chuvas. Na última quinta-feira (2), o Monumental do Cristo Rei ficou completamente alagado, inclusive na parte interna. Depois que o local ficou seco, jogadores que precisaram evacuar de suas casas, no centro do município, se alojaram no estádio.

O goleiro Léo, de 19 anos, perdeu tudo nas enchentes. Ele e sua família residiam na Ilha da Pintada, no Bairro Arquipélago, em frente ao centro de Porto Alegre. Por ora, eles estão alojados na tia do jogador, na zona sul da capital gaúcha.

— A minha casa está praticamente embaixo d’água. Para falar a verdade, eu acho que nem casa eu vou ter mais para voltar. Conseguimos sair quando a água recém estava subindo, pegamos algumas coisas e saímos. Eu estou em choque. É desesperadora uma situação dessas, saber que perdeu tudo. Sinceramente, eu não desejo isso para ninguém.

Tragédia climática no Rio Grande do Sul já deixou 100 mortos

Os temporais que iniciaram segunda-feira (29/04) no Rio Grande do Sul já deixaram 100 mortos, 128 desaparecidos e 372 feridos, conforme o levantamento da Defesa Civil, divulgado na manhã de quarta-feira (8). Há 203,4 mil pessoas fora de casa. Desse total, são 66,7 mil em abrigos e 163,7 mil desalojados (pessoas que estão nas casas de familiares ou amigos). 417 dos 497 municípios do estado registram algum tipo de transtorno.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas Wagner

Gaúcho e formado em Jornalismo pela PUC-RS, já passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. É, também, coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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