Brasil

Catarinenses estudam seguir Atlético-PR e esvaziar estadual

O calendário do futebol brasileiro para 2014 preocupa. Com uma parada prevista para a Copa do Mundo, entre 1° de junho e 16 de julho no caso da primeira divisão do Campeonato Brasileiro, o início da temporada foi antecipado para 12 de janeiro. Em Santa Catarina, os clubes ainda não têm uma estratégia definida, mas já se movimentam para lidar com o período de apenas 34 dias para férias e pré-temporada.

O Avaí, mesmo antes da divulgação do calendário na última sexta-feira, já planejava usar no Campeonato Catarinense uma equipe que mistura jogadores do sub-20, do sub-23 e profissionais que não estão sendo muito utilizados no time principal, em moldes parecidos à estratégia do Atlético Paranaense nesta temporada. Segundo o diretor de planejamento do clube Enio Gomes, uma decisão final será tomada em reunião dos clubes na Federação Catarinense no começo de outubro.

“Estamos estudando antes de definir os objetivos e as metas, precisamos fazer análises, mas nossa intenção já era essa. Não temos condições de enfrentar uma competição com todos os jogadores. Não tem condições fazer uma pré-temporada de uma semana, dez dias. A ideia era disputar as cinco primeiras rodadas com o grupo de jogadores com idade menor para fazer uma pré-temporada de 20, talvez 30 dias”, explicou.

Segundo a assessoria de imprensa do Figueirense, o clube vai discutir a melhor forma de encarar o Campeonato Catarinense, mas admitiu que há uma possibilidade de esvaziar o estadual. No entanto, como o calendário foi divulgado apenas na última sexta-feira, ainda não tem detalhes do plano de ação. O departamento de futebol do Criciúma já tem ideia do que fazer, mas ainda não apresentou para a presidência. “O Criciúma tem um planejamento desenhado e não tem interesse nenhum em externá-lo”, disse o diretor-executivo Cícero Souza.

Para o Joinville, o problema é um pouco maior, porque o clube, por ter ficado em sexto lugar no último Catarinense, vai disputar a taça Santa Catarina, que começa em 15 de dezembro, valendo vaga na Copa do Brasil. “Não conversamos com o departamento de base, mas isso é algo que temos que levar em consideração”, afirmou o gerente de futebol do Joinville, Leonardo Franco. “Vamos resolver isso o mais rápido possível. É uma situação atípica”.

Falta elenco

“Os clubes que vão jogar Série A e Série B não têm problema, mas os outros têm uma estrutura inferior à nossa e não podem disponibilizar esses jogadores e disputar (o Estadual) só com jovens”, analisou Gomes, diretor do Avaí.

Mesmo a Chapecoense, segunda colocada da Série B e com o acesso para a elite encaminhado, não tem condições de usar um time sub-23, como gostaria o presidente do clube Sandro Luiz Pallaoro. “Nós não temos sub-23. Esse que é o grande problema, para os clubes menores. Vamos analisar o que vai ser feito, mas não posso começar o campeonato com um time inferior, perder vários jogos e brigar para não cair”, disse.

A reunião na Federação Catarinense ganha importância para os clubes encontrarem uma solução que consiga solucionar os problemas dos grandes e dos pequenos. “Isso tem que ser discutido na reunião da Federação”, reforçou Gomes. “Os times de Santa Catarina historicamente sempre têm um grande relacionamento e certamente vamos sentar para tentar melhorar o máximo possível esses defeitos”, acrescentou Leonardo Franco.

Pallaoro também clama pela união e pede que o presidente da CBF, José Maria Marin, ao menos consulte os clubes antes de impor datas. “Algum clube foi ouvido para isso? Não. Eu pelo menos não fui ouvido. Temos que fazer um futebol diferente. Isso é problema de calendário. Não adianta colocar essas datas e dizer que elas têm que ser cumpridas. Os clubes não são ouvidos”, concluiu.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.
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