Brasileirão Série A

Vasco: o que dizem os termos assinados para a liberação do público em São Januário

TAC assinado pelo Vasco e pelo MPRJ tem sete cláusulas e algumas medidas já estão sendo tomadas pelo clube

Depois de 83 dias de interdição, o Vasco conseguiu, na última quarta-feira, um passo muito importante para a volta do público a São Januário. Com a assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), junto ao Ministério Público, o clube agora só depende da homologação do Tribunal de Justiça para poder voltar a receber seus torcedores na Colina.

Para isso, o Vasco se comprometeu a tomar medidas que melhorem a segurança e a logística de São Januário, além de colaborar com outras ações nos arredores do estádio. Nesse sentido, o prefeito Eduardo Paes e representantes do governo do Estado também assinaram o TAC como “intervenientes”.

Mas o que diz o TAC e quais as compromissos que o Vasco assumiu com o procurador-geral de Justiça, Luciano Mattos, e o Ministério Público? A Trivela mostra as sete cláusulas do acordo e destrincha o que será feito.

Confira um resumo das cláusulas do TAC assinado pelo Vasco

  •  Em até 15 dias, o Vasco precisa apresentar um projeto à Prefeitura do Rio de Janeiro e, 30 dias depois de obter as licenças necessárias, realizar a reforma de ampliação do portão 9 de São Januário. O clube vai precisar acabar com as separações das entradas individuais, tornando o espaço mais amplo, e aumentar o número de catracas neste local.

O portão 9 é um dos principais acessos e saídas para os torcedores que vão na arquibancada de São Januário. No entanto, as entradas individuais costumam gerar filas e aglomeração de pessoas antes dos jogos.

  •  Em até 45 dias, o Vasco vai precisar substituir as câmeras instaladas dentro de São Januário por equipamentos mais modernos, “com maior resolução e capacidade de captação de imagens com nitidez, inclusive em ambientes com baixa luminosidade. Além disso, num prazo de 90 dias, o clube também vai precisar instalar esses equipamentos voltadas para o lado externo do estádio.

Com isso, a ideia é facilitar a identificação de todos os presentes em São Januário e, assim, inibir ou poder responsabilizar os torcedores individualmente em caso de ocorrências dentro do estádio.

  •  Implementação, de forma gradual, de biometria facial nas catracas de acesso de São Januário, seguindo um cronograma que inicia neste mês de setembro e será finalizado até junho de 2024.

As catracas com biometria facial já começaram a ser instaladas em São Januário e serão utilizadas, inicialmente, com os torcedores utilizam os ingressos de gratuidade. Até junho de 2024, o clube ter ter o reconhecimento facial, que permite identificar os torcedores e coibir o cambismo, em todo o estádio.

Confira o cronograma de implementação da biometria facial em São Januário (Foto: Reprodução)

Depois da assinatura do TAC, o CEO da SAF do Vasco, Lúcio Barbosa, falou sobre a implementação da biometria facial em São Januário.

– Vamos começar em fases, não é simples, demanda tecnologia, testes de conectividade entre os sistemas. Não é só tirar uma foto da pessoa. Tem que conectar em um banco de dados para reconhecer se aquela pessoa é aquela mesmo, aquele CPF, se tem algum problema com a Justiça. E vamos começar pelo portão de gratuidade, o projeto piloto. E vamos em fases até completar todos os portões – disse o CEO do Vasco.

  •  Garantir, já no primeiro jogo com público em São Januário, que o MPR e demais órgãos públicos fiscalizadores e de segurança tenham acesso ao Centro de Monitoramento e Segurança de São Januário, com acesso ao campo e as imagens das câmeras do circuito interno e externo do estádio.

Dessa forma, o órgãos de segurança terão amplo acesso as imagens das câmeras de São Januário e também poderão as utilizar para identificar os torcedores.

  •  Em até 45 dias, o Vasco precisa criar um espaço para o Batalhão Especial de Policiamento em Estádios (BEPE) ter um “Posto Avançado de Controle”. No primeiro jogo com público na Colina, o clube já vai precisar ter, ao menos, uma instalação provisória para o BEPE.

A Polícia Militar terá visão ampla para a arquibancada e, de acordo com o TAC, poderá tomar medidas mais “rápidas e eficazes na prevenção e repressão de incidentes” dentro de São Januário.

  • O Vasco deve realizar ações educativas com as torcidas organizadas do clube. Durante os próximos dois anos, a cada dois meses, a diretoria do Vasco vai precisar informar ao Ministério Público quais ações foram tomadas com as organizadas, seus objetivos e a relação dos participantes das reuniões. Além disso, o clube vai precisar desembolsar no mínimo R$ 100 mil nestas ações. De acordo com o TAC, este valor será considerado como uma “compensação por eventual dano moral coletivo”.

Nos últimos, de forma esporádica, o Vasco já vem realizando encontros com as torcidas organizadas do clube. O último foi feito na segunda-feira, quando os torcedores assinaram um documento se comprometendo a tomar uma série de ações para evitar novos atos de violência e vandalismo em São Januário. O documento foi enviado ao MP.

  •  O Vasco deverá apoiar a criação de um “Grupo de Trabalho – São Januário”, com cooperação entre órgão público e a FERJ.

Com este GT, as partes envolvidas poderão analisar os riscos envolvidos em cada evento esportivo em São Januário, desenvolvendo uma “atuação estratégica” em conjunto.

Lúcio Barbosa (centro), CEO da SAF, foi um dos representantes do Vasco a assinar o TAC (Foto: Gabriel Rodrigues/Trivela)

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Vasco não quer parar as ações apenas no TAC

Nestes 82 dias sem jogos com público em São Januário, o Vasco já começou a tomar as medidas que estão no TAC. As catracas com biometria facial, por exemplo, já começaram a serem instaladas. Não à toa, foi o clube quem apresentou a proposta do TAC, na última semana, com algumas das medidas que foram aprovadas pelo Ministério Público. assim, o clube prometeu continuar as melhorias em São Januário para além do compromisso com o MP.

– A gente tem uma série de feitos de obras e implementações tecnológicas nesse cronograma. Vários deles foram propostas pelo Vasco. E isso é benéfico para o Vasco, para o futebol carioca. Vai beneficiar quem for jogar em São Januário. Entre essas medidas, vamos implementar câmeras de reconhecimento facial, melhores câmeras internas para identificar possíveis infratores. Vamos alagar portões e não vamos parar só no TAC. Vamos fazer mais do que o TAC, que já estava no nosso plano. Temos mais de 70 projetos de melhorias para o recebimento e escoamento de público em São Januário e para melhoria da qualidade para o atendimento ao usuário – afirmou Lúcio Barbosa, CEO da SAF.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel RodriguesSetorista

Jornalista formado pela UFF e com passagens, como repórter e editor, pelo LANCE!, Esporte News Mundo e Jogada10. Já trabalhou na cobertura de duas finais de Libertadores in loco. Na Trivela, é setorista do Vasco e do Botafogo.

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