Campeonato Brasileiro

Um dos méritos de Felipão em sua primeira passagem pelo Cruzeiro foi a valorização dos jovens talentos

Um dos muitos desafios de Felipão no Cruzeiro será o de trabalhar com um elenco jovem, permeado por alguns veteranos do clube. E, neste sentido, a primeira passagem do técnico pela Toca da Raposa deixa uma boa lembrança. Scolari começou à frente dos celestes com um time recheado de medalhões, que alcançou as semifinais da Copa João Havelange. Ainda assim, iniciou um processo de renovação e deu espaço a alguns prodígios que ganhariam moral depois. Nomes como Luisão, Maicon, Wendel e Jefferson não estouraram necessariamente sob as ordens do “paizão”, mas teriam espaço muito graças a ele.

O Cruzeiro da Copa João Havelange tinha alguns jogadores mais jovens, com destaque a Geovanni, embora vários veteranos. Nomes como Müller, Oséas, Marcelo Dijan, Donizete Oliveira, Clébão e Sérgio Manoel eram figuras na Raposa, com uma média de idade elevada. Os resultados vieram durante o Brasileirão, com a primeira colocação na fase de classificação e a passagem até as semifinais, quando o Vasco prevaleceu. Entretanto, alguns desses medalhões perderiam espaço e a renovação se tornou crescente.

Alguns desses garotos já tinham estreado na Copa dos Campeões de 2000, em campanha dirigida por Alexandre Barroso, técnico dos juniores. O lateral Maicon, o volante Mancuso e o zagueiro Luisão (trazido pouco antes do Juventus da Mooca) fizeram sua primeira partida justamente no embate contra o Palmeiras. Também apareciam na equipe outros que estrearam na primeira metade de 2000, como o volante Wendel e o atacante Zé Roberto – grande promessa cruzeirense da época, mas que sofria com problemas de indisciplina.

Felipão aproveitaria essa juventude. Durante o início do Campeonato Brasileiro, o treinador ainda promoveu a estreia do goleiro Jefferson. O garoto era bem cotado nas categorias de base, mas precisou entrar na fogueira, diante das lesões de André e Rodrigo Posso. Foi bancado pelo treinador, mesmo com a contratação de Fabiano. Seria titular ao longo da Copa Havelange, embora a Raposa tenha buscado Bosco para o ano seguinte.

Em outubro de 2000, a revista da Placar destacava “os meninos de Felipão”. Uma nota da publicação comentava como a garotada se tornava relevante ao Cruzeiro ainda na Copa João Havelange, numa marca do treinador de lançar talentos que tinha ficado expressa principalmente no Grêmio. Jefferson, Luisão, Wendel, Mancuso, Alê, Zé Roberto e Cléber Monteiro eram os jovens mencionados naquela edição da revista.

“O Cruzeiro reumático está remoçando. Na Copa JH, veteranos consagrados que brilharam nas últimas temporadas, como Müller, Marcelo Dijan e Donizete Oliveira, perderam espaço para pratas da casa como o volante Cléber Monteiro e o goleiro Jefferson, que assumiu o posto de titular com a contusão de André. Quem comanda a transformação é o técnico Luiz Felipe Scolari. ‘Quando mais jovens os jogadores, melhor, porque sabem captar o sentimento de quem comanda’, explica Felipão, um especialista em ‘processos de rejuvenescimento'”, escrevia Placar.

O ápice de Felipão no Cruzeiro aconteceu com a conquista da Copa Sul-Minas no primeiro semestre de 2001, com uma campanha invicta. Luisão seria titular na zaga ao lado de Cris e Clébão. O time ainda contava com nomes históricos como Sorín, Ricardinho, Oséas e Geovanni. Outro jovem frequente como substituto era o atacante Adriano Chuva, trazido do Juventude pouco antes. Maicon e Cléber Monteiro ainda deram suas contribuições na classificação sobre o Atlético Mineiro nas semifinais.

Felipão deixou o Cruzeiro para assumir a seleção brasileira em maio de 2001, após a eliminação diante do Palmeiras nas quartas de final da Libertadores. O clube, entretanto, faria investimentos em medalhões para o Campeonato Brasileiro – com as apostas frustradas em Rincón e Edmundo, além da curtíssima passagem de Paulo César Carpegiani pelo banco de reservas. A Raposa demoraria a se acertar e alguns desses jovens sairiam pouco tempo depois do clube, como Jefferson. Ainda assim, a geração daria frutos. Dois anos depois, o trio Luisão, Maicon e Wendel contribuiria à conquista do Brasileirão de 2003.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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