Campeonato Brasileiro

Todo poder aos jogadores, e o Santos segue à deriva

Um dos grandes mistérios do mundo contemporâneo é a ascensão do Santos ao segundo lugar do Campeonato Brasileiro. Atualmente é quarto, uma posição que ainda não condiz com o que o time apresenta em campo. Os milagres de Vanderlei e os golaços de Bruno Henrique são insuficientes para explicá-lo. A resposta mais ampla envolve o baixíssimo nível técnico e tático do Brasileirão que permite que pouca coisa se transforme em uma campanha com boa aparência. Um observador menos atento, portanto, ficaria surpreso com a notícia de que Levir Culpi, técnico do Santos, foi demitido nesta sexta-feira.

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Esse mesmo observador ficaria estarrecido ao descobrir o que aconteceu no percurso entre as cidades de São Paulo e Santos, aproximadamente 60 quilômetros: a delegação desembarcou em Congonhas e retornava para o CT Rei Pelé quando surgiu a notícia, de múltiplas fontes, confirmada pelo assessor do treinador, de que Levir havia sido demitido; ao chegar à Baixada Santista, porém, o presidente Modesto Roma anunciou que, a pedido dos jogadores, o técnico foi mantido no cargo.

Nenhuma das duas situações surpreendem o torcedor santista com senso crítico ou qualquer um que acompanha o clube mais ou menos de perto. Nem a demissão, porque o Santos tem conseguido resultados bastante aceitáveis sem jogar um futebol próximo de bom ou de organizado. O exemplo mais claro foi o jogo de volta das oitavas de final da Libertadores contra o Atlético Paranaense, na Vila Belmiro. O placar final mostra 1 a 0 para os donos da casa, que foram totalmente dominados pelo adversário e não perderam unicamente por uma mistura de muita sorte e defesas de Vanderlei.

Nem a bagunça generalizada que permeia esta administração do Santos, a ponto de submeter uma decisão crucial como essa às exigências dos jogadores e explicar com citações a Dom Pedro II e uma história meio confusa envolvendo omeletes, bacons, galinhas e porcos – com o perdão do spoiler, uma má notícia para o elenco: no fim do omelete de bacon, os porcos morrem.

Tem sido difícil para qualquer um bater de frente os principais jogadores do time, alguns deles em mau momento técnico, como Lucas Lima, Ricardo Oliveira, Renato e Zeca, o homem do dedo do meio. Não apenas pelo tamanho que conseguiram, com méritos, nas campanhas anteriores, mas também pela falta de opção. O elenco do Santos não tem muita qualidade para que seja possível abrir mão das peças mais talentosas.

Não é, também, pior que o do Botafogo. Ou do Vasco, que tem crescido de produção sob o comando de Zé Ricardo. A diferença é que esses dois times demonstram ser bem treinados e são organizados, ao mesmo tempo em que o Santos aposta no cada um por si e Deus por todos, em espasmos individuais e nas piadinhas de Levir Culpi nas entrevistas coletivas. Uma fórmula com prazo de validade curto e que está prestes a se esgotar. E, com o pulso pouco firme que a diretoria tem demonstrado, o Santos continuará à deriva por mais algum tempo.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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