Brasileirão Série A

Tite faz apelo contra vaias da torcida do Flamengo e reclama da arbitragem

Treinador foi um dos mais criticados pelos rubro-negros após a derrota para o Fortaleza, nesta quinta-feira (11)

Tite foi bem durante a Copa América, mas recebeu inúmeras críticas após a derrota para o Fortaleza. O resultado negativo acabou caindo na conta do treinador, especialmente por conta da demora para mexer no time.

Na coletiva, Adenor preferiu desviar o foco da parte tática para falar mal da arbitragem e criticar as vaias por parte da torcida rubro-negra. A coletiva até durou mais do que o habitual.

O que Tite disse durante a coletiva?

  • Criticou as vaias da torcida do Flamengo a alguns atletas, especialmente Allan, Luiz Araújo e Ayrton Lucas, principais alvos dos rubro-negros;
  • Reclamou de falta no primeiro gol do Fortaleza, embora tenha omitido observações sobre o pênalti duvidoso marcado em cima de Pedro;
  • Elogiou a atuação de Matheus Gonçalves;
  • Fez um balanço do Flamengo na Copa América.

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‘Vovô’ Tite pede que a torcida não vaie os atletas

— O torcedor não vaia o atleta, ele não vai melhorar com vaia. Vou ficar um tempo aqui, não sei quanto vou ficar, estou técnico do Flamengo. Daqui a pouco vão trocar. Então não vaiem. Se mostrarem um atleta que respondeu melhor a uma vaia… Não vaiem. Eles não estão negligenciando o trabalho. É o mesmo que faz jogos decisivos (Luiz Araújo), como no jogo do São Paulo. Vou fazer um pedido como vovô: não façam. O Flamengo não merece, os atletas não merecem. Se tivesse algum que ficassem… Não vaiem. O atleta vai sentir em campo e não vai melhorar. Estou sentido, eles também. É uma escolha. Se vaiar, vai piorar. Se acolher, ele vai ter mais força, como em uma série de jogos. No jogo contra o Cuiabá, os atletas desabaram em campo e a torcida apoiou. Não é a torcida, são alguns.

O comandante ainda teve tempo de (novamente) reclamar da arbitragem. O lance em questão foi o primeiro gol do Fortaleza, que, segundo Tite, teve falta de Lucero em Wesley.

— Quando a gente está no ar, o que acontece quando há um toque? O lance foi falta, categoricamente foi falta. Estou falando como, tenho experiência como professor e jogador, foi falta. Há desequilíbrio do atleta. É notório. Foi falta. Não é problema da Edina, ela precisa ser ajudada. Caio Marques, interpretação, foi falta — explicou.

Tite, técnico do Flamengo
Tite foi um dos mais criticados na derrota do Flamengo para o Fortaleza (Foto: Icon Sport

Gerson vê jogo diferente

Embora Tite tenha sido mais coeso na análise, Gerson, capitão do Flamengo, observou a partida de maneira diferente que os outros. Na visão do volante, o Rubro-Negro teve boa atuação, e as cobranças da arbitragem acompanharam o argumento de Tite. Líder dentro e fora de campo, o Coringa ainda exaltou a força do grupo durante esse período de Copa América.

— No meu modo de ver, fizemos um bom jogo. Sofremos o gol no começo, o que dá uma complicada. Conseguimos controlar e tivemos chance de fazer o 2 a 1. No segundo tempo, estávamos bem, mas sofremos um gol no contra-ataque. Empatamos o jogo, no meu modo de ver, mas assinalaram o impedimento no momento errado. Mas não é desculpa — analisou, antes de concluir:

— Jogadores importantes, de seleção, mas nosso grupo é forte. Fomos bem, enaltecer a força do grupo. Será importante a volta deles. Teremos tempo para treinar até o próximo jogo — finalizou.

O próximo desafio do Flamengo será pelo Campeonato Brasileiro, no sábado (20), quando Tite e companhia enfrentarão o Criciúma, pela 16ª rodada. A bola rola a partir das 16h (de Brasília), no Estádio Mané Garrincha.

Veja outros pontos abordados na coletiva

Tristeza pela derrota

— Estou muito triste, chateado. O sentimento do torcedor, eu estou sentindo. Como responsável, tenho que analisar o contexto todo. Se estivéssemos no início e ficássemos: “Vamos fazer nove jogos sem o potencial técnico total, vamos vencer cinco, empatar duas e perder duas, com essa pontuação…”. Hoje continuo triste. Sentir a derrota faz parte de uma equipe vencedora, ela reverte no dia a dia. Derrota doída. Porém, o contexto todo deve ser avaliado.

Peso do desgaste da equipe

— Eu não tenho opinião formada a não ser sobre o acúmulo. No jogo teve um número grande de oportunidades criadas e não teve efetividade. Na equipe que joga de forma vertical, nas poucas oportunidades que teve, teve possibilidade de vencer o jogo. Saber jogar no contra-ataque é mérito também.

Gerson em múltiplas funções

— A gente tem que cuidar quando fala em cima do momento. Estou falando isso porque lembro de ter reconhecido o Gerson pela necessidade de jogar em várias posições, coringa. Enalteci ele por isso. Onde mais produz é do lado direito, sim. Mas a necessidade da equipe faz você executar em outras funções. Como meia, segundo meio-campista, também já jogou. Conversei com ele. Ele disse: “Professor, sei como você está sem dormir”. Porque um machuca, tem gente fora. Não estou colocando para dramatizar. Estou passando para o torcedor porque ele merece a informação de quanto nós nos propomos, mesmo numa posição que não é o melhor, [o jogador] vai lá e faz.

Substituições erradas

— Temos quatro grandes zagueiros, fora os demais. O Léo Pereira e o Ortiz são construtores e ficavam com liberdade para construir. Quantas vezes entraram no campo do adversário, principalmente o Ortiz que vira um jogador a mais de construção. Tu tens jogadores que possam fazer essa iniciação para empurrar os adversários. O Gabriel, como penúltimo atacante, tem possibilidade de movimentação e presença de área. Então tem que usar as armas que tínhamos no jogo.

Perdendo pontos no Maracanã

— As etapas que vamos construindo, o aproveitamento, é significativo. Em alguns momentos, a gente vence fora. É um campeonato muito difícil. Oscilações vão acontecer, importante que não durem muito tempo, para manter performance de G-4 e G-5. Nas últimas 10 rodadas vai se definir o campeão. Claro que a gente queria estar em primeiro, estamos tristes, mas tem que olhar o quadro.

Matheus Gonçalves aproveitou a oportunidade?

— Matheus vai criando a oportunidade. Ele criou pelo trabalho sério que vem desenvolvendo ao longo dos treinamentos. Ele é jovem, criou a oportunidade e foi bem pelo seu trabalho. Ele começou pela esquerda e Luiz pela direita. As jogadas não vinham evoluindo, quando eles trocaram, o Matheus fez uma grande jogada pela direita e eu falei: “Fica”. O desempenho dele determinou. Não tínhamos muitas outras opções de externos. Tentamos tirar proveito, deixei ali porque o Matheus estava bem nas combinações. Começou no lado esquerdo e depois foi para o direito.

Foto de Guilherme Xavier

Guilherme XavierSetorista

Jornalista formado pela PUC-Rio. Da final da Libertadores a Série A2 do Carioca. Copa do Mundo e Olimpíada na bagagem. Passou por Coluna do Fla e Lance antes de chegar à Trivela, onde apura e escreve sobre o Flamengo desde 2023.

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