Os 3 erros do Sport que causaram a pior largada da história dos pontos corridos no Brasileirão
Rubro-negro vive crise na primeira divisão e busca primeira vitória na competição
A campanha desastrosa do Sport na Série A do Brasileirão acumula uma sequência de recordes negativos, que aumentam a cada rodada. Com a derrota para o Mirassol por 1 a 0 no último domingo, o Leão da Ilha sacramentou o pior início na competição desde a era dos pontos corridos.
O momento conturbado da equipe pernambucana, que permanece na lanterna com apenas três pontos, resultou na demissão do técnico António Oliveira após quatro jogos. Sob o comando do português, foram três derrotas — incluindo a goleada em casa para o Cruzeiro, por 4 a 0 — e um empate, além de um trabalho que retrocedeu a formação deixada pelo técnico Pepa e que já era considerada abaixo do esperado.
Com tantos problemas nesta temporada, listamos os erros que fizeram com que o Sport chegasse aos resultados negativos.
1. Investimento milionário sem retorno
O Sport iniciou a temporada com um investimento recorde de cerca de R$ 57 milhões em 15 atletas — que não conseguiram se firmar em campo. Entre as contratações mais caras estavam o atacante Carlos Alberto, que pertencia ao Botafogo e custou R$ 15 milhões; outros R$ 12 milhões foram direcionados para a contratação do meia argentino Rodrigo Atencio, do Independiente da Argentina.
Já no lateral-direito Matheus Alexandre, anteriormente no Cuiabá, o investimento foi de R$ 9 milhões. Outro reforço trazido pelo Sport foi o volante Christian Rivera que, de acordo com a imprensa colombiana, foi negociado pelo valor de R$ 3 milhões de dólares (à época, aproximadamente R$ 17 milhões).
Isso sem contar os atacantes Arthur Sousa, que fez base no Corinthians e estava no Bragantino, e Gustavo Maia, que passou pelas badaladas formações de São Paulo e Barcelona.
Prova das contratações equivocadas foi que, entre os 15 reforços, o clube pernambucano anunciou a saída de, ao menos, cinco deles. Sousa, Maia e Alexandre foram afastados. O Leão ainda não renovou o contrato com o lateral-direito Di Plácido e do atacante Lenny Lobato, que estavam desde 2024.

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2. A escolha dos técnicos do Sport
Apesar do acesso à Série A, o Sport acumulou resultados negativos no início da temporada sob o comando de Pepa. Com o maior orçamento do estado e os reforços trazidos (alguns deles compatriotas do técnico Pepa), o Rubro-Negro oscilou no Campeonato Pernambucano — apesar de conquistar o título estadual, e chegou a perder para o Santa Cruz e o Náutico; além da derrota para o Retrô na Ilha, que levou a decisão do Estadual para a disputa de pênaltis.
Mas a sequência negativa (e alarmante) viria em seguida. Apresentando um futebol sem criatividade (especialmente na parte ofensiva) e que distribuiu falhas, o Sport foi eliminado nos pênaltis para o Operário-MT ainda na primeira fase da Copa do Brasil. A partir daí, Pepa acumulou outras sete partidas no Campeonato Brasileiro sem vitórias, sendo cinco derrotas e dois empates até deixar o clube.
A passagem relâmpago de António Oliveira agravou ainda mais a crise. Foram outras quatro partidas longe da vitória, contando, inclusive, com a maior goleada sofrida na temporada: a derrota por 4 a 0 para o Cruzeiro, na Ilha do Retiro, em sua estreia.
A contratação de Oliveira — que tinha o perfil de trabalho diferente do seu antecessor — chamou atenção para a mudança no estilo de jogo rubro-negro e com escalações contestadas pela torcida. O saldo do trabalho dos treinadores portugueses na Série A é de oito derrotas, três empates e zero vitórias.

3. Crise no departamento de futebol
Uma das críticas por parte dos torcedores rubro-negros foi como a diretoria e o departamento de futebol demoraram a reconhecer a necessidade de mudança no elenco (e em seu comando) diante dos resultados apresentados pelo time em campo e, claro, pelas contratações.
Alvo da torcida pela condução do departamento — desaprovada pelos rubro-negros –, Guilherme Falcão, vice-presidente de futebol do Sport, deixou a função ao fim de maio, quando o Leão já estava na lanterna do Brasileiro, com apenas dois pontos em nove rodadas.

Em contrapartida, a diretoria anunciou Thiago Gasparino como seu novo executivo de futebol, responsável pela condução do futebol rubro-negro. Em seguida, o Sport também anunciou a contratação de Enrico Ambrogini como novo diretor-geral de futebol do clube.
Apesar dos anúncios de restruturação do departamento, a demissão de António Oliveira nesta quarta-feira (4) surpreendeu torcedores e imprensa. Isso porque a saída do português acontece um dia após Gasparino garantir a permanência do treinador durante o intervalo para o Mundial de Clubes, trazendo um tom de incoerência nas declarações e, consequentemente, nas ações.
Outras saídas na comissão técnica foram anunciadas pelo Sport nas últimas semanas: o coordenador de performance Luiz Fernando e o preparador de goleiros William Castro, além de Odair Dal Molin, “head scout”, decisivo na contratação de jogadores.
Pausa para Mundial e reestruturação
Em uma crise instaurada, o Sport agora aproveitará a pausa de 40 dias para buscar a reestruturação da equipe no Campeonato Brasileiro. O primeiro passo será a procura por um novo treinador. Nomes como Daniel Paulista e Jair Ventura foram ventilados.
Para além do treinador, o Leão aproveitará a janela de transferências e vai ao mercado em busca de reforços. De acordo com o “ge”, a equipe pernambucana busca um goleiro, um zagueiro, um centroavante e um lateral-direito.
O próximo compromisso do Sport pela Série A será contra o Juventude, no dia 11 de julho, na Ilha do Retiro.



