Campeonato Brasileiro

O São Paulo teve a postura que se pedia, em empate bem mais tragável ao Corinthians

O Morumbi, repleto por mais de 61 mil torcedores, recebia um jogo de peso pelo Brasileirão. A grandeza do clássico entre São Paulo e Corinthians possuía novas cores, olhando para a tabela do campeonato. Os tricolores buscavam uma vitória afirmativa, que impulsionasse o time em sua luta contra o rebaixamento. Os alvinegros pensavam em minimizar a má fase recente, sem dar brechas à aproximação dos times que o perseguem na tabela. Ao final, o empate acabou mais amargo aos são-paulinos do que os corintianos. Em uma partida na qual o time de Dorival Júnior foi melhor durante a maior parte do tempo, o empate por 1 a 1 acaba sendo favorável aos líderes, por tudo aquilo que aconteceu ao longo dos 90 minutos.

Com uma escalação ofensiva, o São Paulo teve uma postura exemplar durante o primeiro tempo. Não criou tantas chances de gol, mas acuou o Corinthians e jogou com muita intensidade. É o que se espera de um time que precisa se recuperar na tabela. O primeiro lance de perigo aconteceu logo nos primeiros segundos, em bola de Pratto para Hernanes, que acabou isolando na hora de finalizar. Os tricolores se impunham no campo de ataque tentavam encontrar uma brecha na defesa adversária, como sempre bem postada. A torcida criava um ambiente impactante e os jogadores correspondiam. O trabalho dos pontas invertidos, sobretudo, era importante tanto para abrir as opções quanto para apertar a saída de bola corintiana. Além disso, Petros se destacava pela maneira como dava consistência ao meio-campo e oferecia combate.

Coube justamente a Petros abrir o placar, aos 27, em uma de suas subidas ao ataque. Mesmo com a área repleta de jogadores corintianos, a defesa afrouxou e o volante teve espaço para acertar um chute de extrema felicidade, no canto de Cássio. Era uma vantagem conquistada por méritos. O Corinthians tentava sair um pouco mais. No entanto, tinha muitas dificuldades para jogar com a bola, diante do esforço são-paulino para bloquear sua saída e se recompor rapidamente. O meio-campo era nulo, especialmente por Rodriguinho e Jadson.

Uma rara alternativa aos corintianos vinha com as bolas longas para Jô, trabalhando o pivô. Todavia, o São Paulo também se defendia bem, com Arboleda perfeito no tempo de bola. Em uma das raras chegadas alvinegras, em contra-ataque, o zagueiro apareceu na hora exata para travar. Já do outro lado, os tricolores só voltariam a criar uma oportunidade real nos acréscimos, em jogadaça de Hernanes. O meio-campista fez fila e bateu da entrada da área, em bola que tirou tinta da trave de Cássio. A qualidade técnica do Profeta, quando aparecia, fazia a diferença.

Na volta para o segundo tempo, Fábio Carille trocou Jadson por Marquinhos Gabriel e o Corinthians finalmente conseguia se soltar um pouco mais. Ainda assim, o São Paulo criava mais lances no ataque. Aos 12 minutos, Hernanes forçou boa defesa de Cássio, em chute no canto. Logo na sequência, Militão anotou um gol de cabeça, anulado pelo árbitro. Foi marcada uma falta bastante discutível de Pratto em Cássio, durante o deslocamento do goleiro para tentar interceptar a bola. Os tricolores, aliás, ficaram na bronca com algumas marcações da arbitragem.

A manhã intensa dos são-paulinos, de qualquer forma, perdia força à medida que os minutos passavam. A equipe ia recuando, o que fazia os corintianos crescerem. Além disso, as substituições foram cruciais. Carille botou Clayson no lugar de Gabriel, centralizando Romero no ataque. Já Dorival primeiro tirou Lucas Fernandes, colocando Denílson. Depois, mudou as características no meio com Jucilei, quando Cueva sentiu o cansaço. O peruano, aliás, era fundamental para a organização de sua equipe e fazia o jogo ligado que muitos torcedores cobravam.

Conseguindo finalizar mais e penetrar mais a área adversária, o Corinthians arrancou o empate aos 33. Prêmio à persistência de Rodriguinho, que melhorou na etapa complementar. O meio-campista ganhou a bola na linha de fundo, em disputa com Júnior Tavares. Na sequência, Romero finalizou para grande defesa de Sidão. Já na sobra, Clayson encheu o pé para estufar as redes. Com o empate, os alvinegros desaceleraram o jogo. Poderiam ter marcado o segundo, em lance de bola parada, com Sidão fazendo boa defesa. De qualquer forma, buscando o último suspiro, o São Paulo ficou a um triz da vitória aos 45. Cássio operou um milagre. Jucilei cabeceou com firmeza e, com a ponta dos dedos, o goleiro conseguiu desviar o tento que parecia certo.

O ponto conquistado não ajuda muito o São Paulo na tabela. A equipe segue em uma situação delicada, a um ponto da zona de rebaixamento, correndo o risco de retornar ao Z-4 ao fim do dia. O Corinthians, por sua vez, pode ver o Grêmio diminuindo a diferença para oito pontos, mas ganha um respiro, especialmente diante do que aconteceu no clássico. Aos são-paulinos, resta o alento que a postura se repita na sequência do campeonato. Sem mais a força do Morumbi nos próximos cinco jogos como mandante, a intensidade será necessária para os são-paulinos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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