Campeonato Brasileiro

Rodriguinho jogou de smoking, com três gols e muito mais, numa goleada que afasta o Bahia do Z-4

Rodriguinho chegou ao Bahia no início de 2020, como um dos rostos principais do investimento realizado pelo clube. O meio-campista não rendeu conforme o esperado e precisou lidar com as lesões. Neste sábado, no entanto, o veterano valeu a aposta com uma atuação enorme no Castelão. No confronto direto com o Fortaleza, o camisa 10 teve uma exibição magistral e anotou três gols numa inesperada goleada do tricolor baiano: 4 a 0 no placar, com três pontos que podem ser cabais à manutenção do clube na Série A. Apesar do fraco desempenho durante parte do segundo turno, o Bahia passou a conquistar resultados melhores nesta reta final e sai com um triunfo de imenso valor.

O Bahia abre esta penúltima rodada chegando aos 41 pontos, igualado ao Fortaleza, que fica abaixo por ter uma vitória a menos. O resultado também gera um impacto direto sobre Vasco (37 pontos) e Goiás (36 pontos), que ficam à beira do abismo e precisarão de uma grande reviravolta para escapar do Z-4 nestes dois últimos compromissos. Ambos podem cair já neste domingo, caso os vascaínos percam para o Corinthians em São Paulo e os esmeraldinos não vençam o Red Bull Bragantino em Goiânia.

Abaixo, a tabela e um resumão do sábado no Brasileiro:

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

Fortaleza 0x4 Bahia

O Castelão recebeu o famoso “jogo de seis pontos”, mas com o Bahia bem mais interessado no resultado. O Fortaleza vinha de vitórias essenciais contra Vasco e Coritiba, que afastaram o Leão do Pici da zona do rebaixamento. Já o Bahia estava com a corda no pescoço, apenas um ponto acima do Z-4, e um tropeço poderia fazer os baianos não dependerem apenas de si na última rodada. A goleada por 4 a 0, mais do que afastar os tricolores da zona vermelha, aumenta a pressão sobre os concorrentes que permanecem abaixo.

O início da partida seria fundamental à maneira como o duelo se desenvolveu. Aos seis minutos, Rodriguinho começou a aparecer. Nino Paraíba cruzou e o camisa 10 se colocou na área para definir de cabeça, abrindo o placar. A partir de então, o Fortaleza precisaria sair mais ao ataque e o Bahia poderia administrar a vantagem na defesa. Paulão até acertou a trave para os anfitriões, num lance na pequena área, mas o Leão do Pici tinha dificuldades e acabava limitado às bolas paradas. Já os baianos ameaçavam nos contra-ataques definidos por Gilberto. Além do gol, Rodriguinho desempenhava um papel fundamental ao coordenar as transições rápidas e se apresentar bastante na armação de sua equipe.

O segundo tempo começou com boa intensidade. Rodriguinho preparou o lance em que Ronaldo carimbou a trave, enquanto o goleiro Douglas também seria exigido, com duas boas defesas diante de Felipe e Juninho. Todavia, Rodriguinho exalava confiança e acabaria desequilibrando de vez em pouco tempo. Depois de um chute perigoso após jogadaça individual, o meia anotou o segundo aos 16. A combinação se repetiu, com o cruzamento de Nino Paraíba e a cabeçada certeira do camisa 10. A partir de então, os baianos iniciariam o vareio.

Com o Fortaleza atordoado, o Bahia ampliou dois minutos depois. Acionado por Nino Paraíba, Rossi sofreu um leve puxão na área e o árbitro Luiz Flávio de Oliveira achou que era suficiente ao pênalti, ainda mostrando o segundo amarelo ao volante Felipe. Rodriguinho assumiu a cobrança e Felipe Alves até defendeu, mas o camisa 10 completou sua tripleta no rebote. Diante da vantagem numérica, a situação do Bahia ficou tranquila. Aos 33, Rodriguinho ainda sofreu outro pênalti e deu a bola para Rossi, que anotou o quarto na marca da cal. O Leão do Pici estava entregue e o quinto só não veio porque Thiago Andrade perdeu nos acréscimos. Na saída aos vestiários, ainda houve confusão entre os dois times.

Ao Premiere, Rodriguinho comentou sua atuação excepcional: “Primeira vez na carreira que fiz três gols em uma partida. Muito feliz por ter contribuído com esse triunfo. Passamos o Fortaleza para escapar da zona de rebaixamento. No segundo pênalti, pensei até em bater, os companheiros falaram. Mas dei a bola para o Rossi marcar o dele também”. Foi uma das melhores atuações individuais desta Série A, com o merecido destaque também às partidaças de Nino Paraíba e do volante Patrick de Lucca, em sua segunda aparição como profissional.

Coritiba 0x2 Ceará

Mais cedo, Coritiba e Ceará fizeram um embate com pouca coisa em jogo no Couto Pereira. Os paranaenses estão rebaixados, enquanto os cearenses se viam com a situação encaminhada na busca por uma vaga na Copa Sul-Americana. A vitória do Vozão por 2 a 0 confirmou a presença do clube no torneio da Conmebol, retornando ao cenário continental após dez anos. O time de Guto Ferreira não tinha mais chances de alcançar o oitavo lugar e, consequentemente, a vaga na Libertadores.

Cumprindo tabela, o Coritiba já tinha vencido o Palmeiras e abriu o placar logo no primeiro minuto, mas o gol de Mattheus Oliveira acabou anulado por impedimento. O Coxa era melhor e seguia criando as principais chances, mas também dependeria de uma boa defesa do goleiro Arthur, jovem que ganha chances nesta reta final. Já aos 34, Neílton anotaria um belo gol ao bater no ângulo de Richard, mas de novo o lance foi anulado, porque a bola tinha saído pela linha de fundo instantes antes.

No segundo tempo, o jogo mudaria e o Ceará garantiria o triunfo. A vitória se abriu aos cinco minutos, numa boa jogada de Léo Chu que Felipe Vizeu emendou às redes. O Vozão seguiu martelando e confirmou o triunfo aos 28. Foi uma ótima trama dos alvinegros, com um lindo passe de Pedro Naressi com o calcanhar, antes que Saulo Mineiro mandasse uma pancada no barbante. Resultado definido e festa cearense, com a Sul-Americana servindo de prêmio à ótima temporada realizada pelo clube, especialmente depois da chegada de Guto Ferreira.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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