Brasileirão Série A

O já rebaixado Coritiba recorre a Guto Ferreira, mister Série B, para projeto 2024

Com participação em quatro acessos da segunda à primeira divisão, novo técnico do Coritiba inicia trabalhos nesta terça-feira (28) já visando a próxima temporada

Com a derrota para o Fluminense por 2 x 1 no último sábado (25), o Coritiba confirmou aquilo que parecia inevitável no Campeonato Brasileiro: o sétimo rebaixamento para segunda divisão, tornando-se, ao lado do América-MG, o clube com mais quedas à Série B. O técnico Thiago Kosloski foi demitido logo após o revés e nesta segunda-feira (27) o Coxa anunciou que o experiente e rodado Guto Ferreira, ex-treinador do clube, será o comandante do projeto 2024.

O CEO do time paranaense, Carlos Amoedo, explicou a importância de ter um técnico com conhecimento de Série B, como Guto, um especialista na competição, dono de três acessos diretos e um indireto, motivo que o fez escolher o treinador de 58 anos, em vínculo assinado até o fim do próximo ano.

– É importante dizer que a Série B é uma competição muito específica, completamente diferente da Série A. Um comandante que conheça essa competição, que tenha experiência e sucesso nas jornadas que teve, que conheça os atletas talhados para jogar essa competição. Nesse quesito, olhando o mercado como um todo, olhando a experiência que o professor Guto Ferreira já vivenciou dentro do próprio Coritiba, nós entendemos que ele é o nome indicado para esse processo e essa jornada que teremos em 2024, de Série B – detalhou o CEO.

– O processo de escolha e de avaliação passa por esse contexto, pela especificidade do que é a Série B, da necessidade de formação de um elenco alinhado com as necessidades e com as dificuldades que a competição indica, e com o perfil de conhecimento desse ambiente do novo comandante técnico da equipe – concluiu.

Guto treinou o Coxa no ano passado e foi o responsável por manter a equipe na Série A. Porém, ao término do Brasileirão, foi demitido, quando o clube era ainda comandado pelo quadro associativo (agora, é através da SAF).

Com três jogos do brasileirão a disputar, o Coritiba será comandado pelo novo técnico, que inicia o trabalho com o elenco nesta terça-feira (28), já projetando o que será em 2024. Segundo Amoedo, não há espaço para erro e o clube só sairá satisfeito no próximo ano se terminar com o retorno à Série A.

– Nós já, com isso [Guto trabalhar agora], iniciamos esse trabalho e determinamos o início da nova comissão técnica ainda em 2023, faltando três rodadas para o fim da competição, para que já possamos antecipar e concluir avaliação que vínhamos fazendo enquanto dirigentes do clube, para que possamos ter um ano de 2024 que tenha não apenas 12, mas 13 meses, um mês a mais de planejamento e de execução do nosso trabalho. Em 2024 a nossa margem de erro é absolutamente nula. Não temos outro resultado no final de 2024 que não seja o retorno à elite do futebol brasileiro – exigiu Amoedo.

Se não há resultado aceitável para o Coxa além de retornar à Série A, Guto, pelo currículo, é nome certo para isso. Ele esteve à frente de Ponte Preta (2014), Bahia (2016) e Sport (2019) em acessos diretos da segunda à primeira divisão e ainda participou de um indireto, demitido duas rodadas antes de confirmar a subida do Internacional (2017). Em 2011, era o comandante do Mogi Mirim, que saiu da D para C.

Com SAF e investimento, 2023 do Coritiba tinha tudo para dar certo… não deu

Em junho desse ano, a gestora de investimentos Treecorp, conhecida por ter Roberto Justos como sócio minoritário, comprou 90% do clube por R$ 1,1 bilhão, valor que será investido em 10 anos. Os 10% restantes permanecem com o clube associativo. Com isso, além do CEO Amoedo, Artur Moraes tornou-se o executivo de futebol (eles iniciaram o trabalho antes mesmo da confirmação da compra).

Porém, a soma do período da gestão associativa com a SAF, não deu bons frutos ao Coritiba. O clube iniciou o ano com António Oliveira, demitido na primeira rodada do Brasileirão após perder para o Flamengo (antes, tiveram três semanas de hiato, mas mantiveram o português no cargo).

Antônio Carlos Zago assumiu e permaneceu por 11 jogos, respaldado pela SAF, só que o técnico deu uma coletiva desastrosa, criticando o elenco e planejamento – dois dias depois, veio a demissão. Kosloski, então técnico do sub-20, recebeu a missão, conquistou a primeira vitória do Coxa no campeonato na 14ª rodada, mas não conseguiu manter o nível do time, na zona de rebaixamento desde as primeiras rodadas.

No total, 29 jogadores foram contratados pelo Coritiba em 2023, totalizando investimento de R$ 36,9 milhões, o maior na história do clube, segundo o GE. Nomes de peso, como Jesé Rodriguez, Islam Slimani e Andreas Samaris, nem entram nessa conta, porque vieram de graça, mas com alto custo em salários. É difícil imaginar que os jogadores citados permaneçam para 2024, além dos contratados por altas cifras: Benjamín Kusevic (R$ 6,2 milhões), Bruno Viana (R$ 5,5 milhões), Jamerson (R$ 4,5 milhões), Bruno Gomes (R$ 4,5 milhões), Sebatian Gómez (R$ 4,2 milhões), Marcelino Moreno (R$ 7,1 milhões), Robson (R$ 2,2 milhões) e Rodrigo Pinho (R$ 2,7 milhões).

Os três jogos finais do Coxa no Brasileirão 2023

  • vs Botafogo, quarta-feira (29), às 21h30 (horário de Brasília), no Couto Pereira;
  • vs RB Bragantino, domingo (3), às 18h30, no Nabizão;
  • vs Corinthians, quarta (6) 21h30, no Couto Pereira.
Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de esports no The Clutch. Como assessor de imprensa, atuou no setor público e privado.
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