Pouco cotado, Atlético-GO volta à Série A na base do ótimo trabalho de um treinador ‘novato’

Silencioso. O Atlético Goianiense não precisou causar alarde nenhum para se afirmar na Série B. Aliás, poucos eram aqueles que confiavam no acesso do Dragão. A equipe não se destacou no estadual e apresentava um orçamento bem menor que os principais concorrentes. Pior, trocou de técnico uma semana antes de sua estreia na competição. Pois justamente o novo comandante conduziu os rubro-negros de volta à primeira divisão. Com três rodadas de antecedência, o Atlético assegurou o retorno à elite após quatro anos, escapando da briga de foice desta reta final. Méritos de Marcelo Cabo, o treinador pouco conhecido fora do Rio de Janeiro que pavimentou o caminho vitorioso – e que, ao que tudo indica, deve se encerrar também com a taça da competição.
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Olhando para o papel, o Atlético Goianiense conta com um elenco homogêneo. Mesmo com o segundo melhor ataque da competição, nenhum jogador passou dos 10 gols. E aí que está o grande mérito de Cabo. Ele conseguiu dar consistência a um time que saiu do Campeonato Goiano sem muitos créditos e quase não ganhou reforços durante a disputa. Valeu a manutenção da base, com jogadores que cresceram bastante de produção. Desde o início, o Dragão já apareceu disputando a liderança com o Vasco. Sofreu uma queda ao final do primeiro turno, o que não lhe tirou da zona de acesso. Já nas últimas rodadas, com a queda dos cruz-maltinos, os goianos aproveitaram para disparar: são seis vitórias em sete jogos, abrindo 10 pontos no topo da tabela.
Marcelo Cabo possui uma trajetória interessante no futebol, mas que passou longe dos holofotes. O garoto do subúrbio carioca jogou nas categorias de base do Vasco e do Fluminense, enquanto gostava de percorrer as arquibancadas de diferentes estádios. Entretanto, fez carreira mesmo no futsal. Depois, virou técnico nas quadras e nas categorias de base, levantando as suas primeiras taças. Passou por clubes do Oriente Médio, atuou como auxiliar (inclusive de Jorginho, no Figueirense), foi observador da Seleção na primeira passagem de Dunga. Até finalmente encaixar uma sequência de clubes no Brasil a partir de 2013. Do interior de Minas e do interior do Rio, ganhou sua primeira grande chance no Ceará, mas não durou mais do que 15 jogos. Voltou ao Tigres do Brasil e ao Resende, onde trabalhou durante os primeiros meses deste ano. Até receber o convite do Atlético. Não era a primeira opção, mas aceitou. E agradou.

Apesar de seu ataque estar entre os melhores, a base do Atlético Goianiense está mesmo na defesa. É um time que manteve a segurança, especialmente no primeiro turno, sem sofrer mais de dois gols em nenhum partida. Além disso, também tem qualidade de sair para o jogo e repertório, tanto nas jogadas quanto nas variações. E um trunfo especial veio do lado de fora do campo durante as últimas semanas, quando o Dragão deixou de jogar no Serra Dourada para utilizar as dependências do Estádio Olímpico de Goiânia. Em quatro jogos no local, os rubro-negros mantiveram as arquibancadas cheias, com 9 mil presentes – o triplo do que viam colocando na antiga casa.
O jogo do acesso, porém, aconteceu como visitante. O Atlético fez um confronto cardíaco com o Londrina, no Estádio do Café. Júnior Viçosa deixou os rubro-negros por duas vezes em vantagem, mas o Tubarão conseguiu empatar em ambas. Já o gol decisivo aconteceu aos 40 do segundo tempo, graças a Luiz Fernando, que havia saído do banco de reservas. Restando mais três partidas, o Dragão precisa de apenas dois pontos para confirmar também o título.
O momento, agora, é de festejar. Mas o Atlético sabe que possui um longo trabalho pela frente. Até por contar com uma capacidade financeira menor em comparação a outros times da Série B, seu objetivo no retorno à elite é evitar a queda. Santa Cruz e América Mineiro, virtuais rebaixados nesta temporada, deixam uma grande mostra das dificuldades. Em sua última volta, todavia, o Dragão viveu uma experiência positiva. Conseguiu se segurar por três anos e até mesmo se classificou à Copa Sul-Americana. Agora, precisa manter a base e pensar no estadual como parte de um planejamento mais amplo. Marcelo Cabo, se continuar, poderá provar que o sucesso inesperado de 2016 não aconteceu por acaso.



