Campeonato Brasileiro

Palmeiras se mexe rápido para substituir Viña e mantém a qualidade com contratação de Jorge

Há pontos de interrogação sobre suas condições físicas e pela passagem fraca pela Europa, mas Jorge tem potencial para substituir Viña à altura

Antes da oficialização da transferência de Matías Viña para a Roma, o Palmeiras trouxe o seu substituto e mantém a qualidade do elenco ao anunciar a contratação de Jorge, ex-Flamengo e Santos que estava no Monaco, por condições muito favoráveis. Sem pagar nada pela transferência, o campeão sul-americano agora detém 50% dos direitos federativos do jogador de 25 anos que assinou contrato até 2025.

Há dúvidas sobre as condições físicas de Jorge, que não atua desde dezembro do ano passado quando sofreu uma ruptura de ligamento do joelho emprestado pelo Monaco ao Basel, mas pelo lucro que será gerado por essa troca – cerca de R$ 40 milhões da iminente venda de Viña à Roma serão do Palmeiras -, e pela qualidade que o lateral esquerdo já demonstrou na sua carreira, é uma aposta que vale a pena.

Jorge tem características um pouco diferentes. Se Viña era um lateral que soltava seus cruzamentos mais próximo à linha lateral, o ex-jogador do Flamengo entra mais pelo meio para ajudar na construção, o que implica que outro companheiro, provavelmente um atacante, abra pelo lado para criar espaço à sua infiltração. De qualquer maneira, em qualidade em si, é uma reposição potencialmente à altura. Abel Ferreira usou Renan na posição no jogo de volta das oitavas de final da Libertadores contra a Universidad Católica e também conta com as opções de Victor Luís e Lucas Esteves.

Revelado pelo Flamengo, Jorge tem mais potencial que todos eles. Estreou em 2014 no time principal dos cariocas, mas foi promovido de verdade por Vanderlei Luxemburgo no ano seguinte. Foi eleito o melhor lateral esquerdo do Campeonato Brasileiro de 2016 no prêmio da CBF. Estava com a seleção brasileira para enfrentar a Colômbia no Jogo da Amizade, amistoso organizado em benefício das famílias das vítimas do acidente aéreo da Chapecoense, quando a sua venda ao Monaco foi anunciada em janeiro de 2017.

Custou € 8,5 milhões, gerou um grande lucro ao Flamengo, e parecia que tudo caminhava bem em sua carreira, mas nunca conseguiu se firmar na Europa. Atuou muito pouco no complemento daquela temporada e foi reserva em 2017/18. Saiu emprestado ao Porto, outro clube europeu famoso por desenvolver jovens, como o Monaco, para ganhar experiência. Parecia uma boa ideia, mas também não deu certo. Fez apenas três jogos pelos Dragões e nem chegou ao fim da campanha. Em março, foi anunciado pelo Santos.

Apresentou um ótimo futebol sob o comando de Jorge Sampaoli. Jogou em 29 rodadas do Campeonato Brasileiro de 2019 e levou a Bola de Prata concedida pela ESPN. Foi novamente convocado à seleção brasileira, para amistosos contra Colômbia e Peru, embora não tenha entrado em campo. Parecia que havia dado de vez a volta por cima, mas o retorno ao Monaco não foi frutífero. Atuou apenas duas vezes pela Copa da França, sob o comando de Roberto Moreno, e não entrou em campo na Ligue 1 antes da temporada do futebol francês ser interrompida pela pandemia.

Niko Kovac assumiu a equipe do Principado para a temporada seguinte, e Jorge foi novamente emprestado, ao Basel, da Suíça. Havia sido titular em cinco de dez jogos possíveis antes de sofrer a séria lesão que o tirou de ação por sete meses. Já voltou a treinar com bola e não deve demorar para ficar disponível, embora naturalmente precise de certo tempo para recuperar o ritmo de jogo. Se o fizer, e conseguir retomar também o desempenho que teve na última passagem pelo Brasil, será uma ótima contratação do Palmeiras, apesar das naturais dúvidas que surgem do seu fracasso no futebol europeu.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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