Brasileirão Série A

1982 ou 1994? De amarelo, Palmeiras precisa decidir qual seleção quer ser

Palmeiras atropellou o Sport em noite inspirada de Vitopr Roque e Flaco López

Jogando com o uniforme da seleção brasileira — seu novo terceiro kit –, o Palmeiras honrou os melhores momentos da equipe que homenageou neste segunda-feira (25). Com um futebol elaborado, o Verdão bateu o Sport por 3 a 0.

Em noites muito inspiradas de Vitor Roque e Flaco — autores dos dois primeiros gols e assistências do time — a equipe de Abel Ferreira mostrou repertório e uma notória evolução no que diz respeito ao encaixe da nova proposta de jogo.

De cabeça, após jogada ensaiada de escanteio que gerou assistência de Maurício, Gustavo Gómez fez o terceiro de um time que poderia ter saído com uma goleada. O Sport, entregue, não oferecia resistência.

Palmeiras joga bonito

Em que pese a pouca qualidade do adversário, lanterna disparado do Campeonato Brasileiro, o Palmeiras jogou bonito. Os três gols, embora dois tenham surgido em cabeçadas, saíram de jogadas trabalhadas, de troca de passes e aproximação.

O primeiro, com uma assistência de costas e de primeira, para Flaco finalizar sem deixar a bola cair, facilmente poderia ser assinada por Bebeto e Romário, a quem a dupla palmeirense, muito na base da galhofa, é comparada pela torcida.

A evocação do time do tetracampeonato de 1994, somada ao uniforme canarinho, torna quase irresistível não fazer a comparação.

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Palmeiras precisa aprender a decidir

Porque o Palmeiras evolui a cada rodada, inclusive no que diz respeito à plasticidade do seu futebol. Um movimento sem dúvida necessário para um time que havia empacado numa maneira burocrática e sem imaginação de atuar, à base de bolas longas e cruzadas.

Mas nada dessa evolução vai valer — inclusive no que diz respeito à paz para trabalhar –, se o Palmeiras não conseguir fazer dela a base das suas vitórias, em especial nos jogos grandes. E, talvez, nem fosse a hora ainda de um teste desse tamanho. Mas o Palmeiras já tem um jogo do tipo no domingo (31), contra o Corinthians, na Neo Química Arena.

É sempre bom lembrar que a seleção que encantou o planeta foi a de 1982. Mas as que levantaram os troféus, foram as bem menos vistosas de 1994 e 2002. É muito importante jogar bem, mas vencer é mais — melhor ainda se como consequência.

É a hora de o Palmeiras mostrar que, além de saber jogar, esse time também sabe decidir. No fim do jogo, parte da arquibancada, com mais de 36 mil torcedores, deixou o recado, de modo bem claro:

— Não é mole não, ganhar domingo não é mais que obrigação.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.

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