Brasileirão Série A

A culpa não é de Leila: por que o Palmeiras não vai deixar Barueri?

Ao contrário do que muitos imaginam, presidente do Palmeiras, concessionária da Arena, não impõe que time atue na Grande São Paulo

Na derrota para o Internacional, na última quarta-feira (17), pouco mais de 13 mil palmeirenses estiveram na Arena Barueri. O público pífio chegou a ser tema na entrevista coletiva do técnico Abel Ferreira após o jogo.

— Precisávamos de mais energia dos nossos torcedores. Não estamos jogando em casa, não é desculpa, mas não é igual quando temos o estádio com 40 mil e quando temos um estádio com 15 mil. Jogar no nosso estádio é diferente, energia diferente, o respeito do adversário é diferente. Sentem o poder e o barulho de um estádio como é o Allianz Parque — disse o português.

— Não foi por acaso que ganhamos o Estadual, mesmo perdendo fora. Jogar no nosso estádio é completamente diferente, a energia é diferente, o respeito do adversário é diferente — completou.

Queixar-se de jogar na Arena Barueri é uma constante para o técnico português. Que, reiteradas vezes, fez apelos para as diretorias de Palmeiras e WTorre entrarem em um acordo a fim de que o time não tenha de sair de seu estádio.

Mas ainda que haja menos necessidade de deslocamento no futuro, o Palmeiras deverá seguir atuando em Barueri sempre que o Allianz estiver indisponível.

Arena Crefisa?

Nas redes sociais, torcedores atribuem as idas a Barueri ao fato de a Crefipar, empresa de Leila Pereira, ser concessionária do estádio. E isso até é uma verdade, mas não exatamente como os palmeirenses imaginam.

Parece um contrassenso, mas a principal razão para o Palmeiras seguir atuando no local é justamente o desejo de Abel Ferreira, da sua comissão técnica e dos jogadores.

A cúpula esportiva do futebol alviverde e os atletas não querem jogar no interior de São Paulo ou em outras localidades nas quais os jogos do time até poderiam ter mais público, mas pagando o preço de deslocamentos maiores de ônibus ou avião. Por pior que seja atuar em Barueri, o tempo de viagem até lá é relativamente curto.

Hoje, Leila Pereira não se beneficia de modo algum quando o Palmeiras tem de jogar no estádio da Grande São Paulo, ao contrário do que muitos imaginam. A dirigente tampouco impõe que isso seja feito. Quem bate o martelo sobre onde o Palmeiras vai jogar, em última instância, é Abel Ferreira.

Pior sem ele

Na zona mista após a derrota para o Internacional, o goleiro Weverton saiu em defesa da segunda casa alviverde:

— A gente sabe o quanto somos fortes no Allianz, na nossa casa. Mas, sendo bem sincero, precisamos agradecer por ter Barueri para jogar. Se falar que isso nos atrapalhou, estarei mentindo — declarou o camisa  21.

Desalojado diante do Inter por conta do show da banda norte-americana Jonas Brothers, o Palmeiras já sabe que vai jogar em Barueri contra Athletico-PR (sexta rodada) e Vasco (oitava rodada) devido a outros dois shows: Louis Tomlinson (11 de maio) e Andrea Bocelli (25 e 26 de maio), respectivamente.

O time deverá voltar a Barueri em outras oportunidades ao longo do ano. A Trivela apurou que a previsão final é de que o Palmeiras saia entre duas e três vezes de sua casa até o fim do ano — além de atuar com o lado norte do estádio impedido para uso, por conta de palco no local, como será contra o Flamengo, no próximo domingo (21).

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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