Brasileirão Série A

Tabata sairá tendo sido decisivo para vindas de Felipe, Maurício e Giay ao Palmeiras

Jogador emprestado ao Qatar SC fez a diretoria mudar o pensamento na hora de montar o elenco

O Colorado Rapids já até oficializou a contratação definitiva de Rafael Navarro. E o Qatar SC tenta pechinchar, mas a contratação de Bruno Tabata, atualmente no clube árabe por empréstimo, tem enormes chance de acontecer.

Com essas duas negociações, o Palmeiras encerra praticamente o ciclo dos reforços chegados ao clube em 2022. Da baciada de oito atletas, cinco partiram do clube sem deixar qualquer saudade: Merentiel (Boca Juniors), Jailson (Celta de Vigo), Atuesta (Los Angeles FC), além de Navarro e Tabata.

Dos remanescentes, Marcelo Lomba, goleiro reserva, vive seu último ano de contrato e cumpriu o esperado para o cargo. Flaco López finalmente tornou-se um jogador de muita utilidade para Abel Ferreira. E Murilo talvez seja o maior acerto da gestão Anderson Barros em termos de contratações.

Mas quem, de fato, mudou o pensamento da diretoria e foi decisivo para a formação do atual elenco foi Bruno Tabata.

Melhor decisão

Em outubro de 2023, em entrevista ao Record, de Portugal, Tabata reconheceu que a saída do Sporting para o Palmeiras foi um passo precipitado em sua carreira.

– Talvez, ficar no Sporting teria sido uma opção melhor – disse Tabata.

– (No Brasil) tem 15 clubes que começam almejando ser campeão, os torcedores têm muita influência sobre o clube. Então acho que esse passo no momento eu achava que talvez fosse melhor, mas acabei enxergando que talvez tenha sido um pouco precipitado essa volta ao Brasil – completou.

O que Tabata diz nas entrelinhas é que a pressão da torcida foi o principal problema. Ainda em 2023, a Trivela apurou que, juntamente a Navarro, Tabata foi um dos que pediu para ser negociado por não querer conviver com algumas ameaças e cobranças.

Mesmo tendo sido um pedido expresso de Abel Ferreira, o jogador não se encaixou no clube. O que mudou o perfil dos jogadores que o Palmeiras buscaria futuramente.

Pontuais mas certeiras

A partir de 2023, o Palmeiras diminuiu o funil em termos de perfis de jogadores buscados. Ou seriam jogadores mais crus, mas com potencial claro e visível, ou já chegariam prontos.

Foi assim que Richard Ríos e Arthur chegaram ao Palmeiras. O colombiano inaugurou a filosofia alviverde de trazer para o grupo um destaque do Campeonato Paulista. Já Arthur, repatriado do Red Bull Bragantino, era o jogador que vinha para resolver.

Se é para investir alto, como foram os 5 milhões de euros pagos por Tabata, o jogador tinha de chegar pronto para jogar. Se fosse para desenvolver o jogador, ou viria alguém como Ríos — e Rômulo, em 2024 — ou o clube apostaria mais em jovens da base.

Foi assim que Endrick, Estêvão, Jhon Jhon — de saída para o Bragantino –, Luis Guilherme, Kevin, Fabinho, Vanderlan, Garcia, Vitor Reis e Naves, com mais ou menos prestígio, rapidamente se tornaram primeiras opções de substituição em seus setores.

Segue o pensamento, de olho no Mundial

Para 2024, o Palmeiras manteve o mesmo pensamento. Aníbal Moreno veio do Racing, pegou a camisa 5, virou titular e não saiu mais do time.

Bruno Rodrigues e Rômulo vieram na cota “destaques de ligas menores” — Série B e Paulistão. Lázaro, embora tenha vindo da Europa, ainda é jovem e já mostrou potencial no Flamengo, em 2019, antes de sair — além de ter chegado por um motivo especial.

O Mundial de Clubes de 2025 é o que vem norteando o clube e até servindo de argumento na hora de contratar. Lázaro citou a competição como um dos motivos que o trouxeram para a Academia de Futebol.

Os altos investimentos para as vindas de Felipe Ânderson, Agustín Giay e Maurício também tem o novo torneio da Fifa como um dos seus panos de fundo.

De todos os reforços para a atual temporada, o único que destoa é Caio Paulista. Não é um jogador que chega para resolver, não muda o patamar do time e nem é um jovem a ser lapidado.

Não por acaso, Caio está perdendo a disputa com Vanderlan pela lateral-esquerda, mesmo quando Abel faz dobra no setor com Piquerez.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata LimaSetorista

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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