Campeonato Brasileiro

O Inter lava a alma com uma virada para os livros do Gre-Nal e se fortalece ainda mais no sonho pela taça

O Internacional se agiganta na reta final do Brasileiro. E depois de uma vitória tão importante no meio da semana, os colorados acreditam ainda mais no título, graças ao épico vivido no Gre-Nal do Beira-Rio. Até parecia que a sequência de triunfos do time de Abel Braga chegaria ao fim. Embora o primeiro tempo não tenha sido emocionante, o Inter era superior até o início da segunda etapa, mas perdeu fôlego. O Grêmio cresceu no jogo e abriu o placar. A invencibilidade tricolor no clássico ia se ampliando para 12 partidas, mas, exatamente diante dos temores, os colorados provaram que este momento é seu. O empate arrancado aos 45 do segundo tempo já parecia bom às pretensões da equipe, até pelos tropeços dos demais concorrentes. Contudo, o Inter poderia mais e insistiria. Graças a um pênalti nos acréscimos, Edenílson definiu a imensa vitória por 2 a 1. O gol que encerra a freguesia recente no Gre-Nal, que alarga a série de triunfos do time e que torna o sonho de reconquistar o título nacional, após 41 anos, ainda mais real.

Apesar do calor em Porto Alegre, o Internacional começou o clássico com mais intensidade e teria sua primeira chance logo aos dois minutos. Praxedes soltou o chute forte e Vanderlei rebateu. Era uma partida travada, de qualquer forma. Quando o Grêmio tinha a posse de bola, não conseguia aproveitar a velocidade pelas pontas. Os colorados travavam bem os rivais, mas sem marcar tão em cima quanto como ocorrido no Morumbi. Praxedes se destacava ao ditar o ritmo no meio-campo, mas ainda havia cautela das equipes.

Diante da falta de atrevimento, o Gre-Nal passou bons minutos sem grandes emoções. O motivo para o Inter comemorar vinha dos tropeços dos concorrentes ao título, Flamengo e Palmeiras, nas partidas paralelas. No entanto, no final da primeira etapa, os colorados voltaram a se adiantar um pouco mais e criaram seu principal lance. Aos 34, Praxedes abriu com Yuri Alberto na área e o atacante, ao tocar por cima de Vanderlei, acertou o travessão. Já ao Grêmio, o maior problema viria depois. Geromel torceu o pé num lance sozinho e, sentindo muitas dores, precisou ser substituído por Rodrigues.

O segundo tempo melhorou bastante logo em seus primeiros minutos, com mais intensidade das equipes. O Inter parecia mais disposto a tomar a iniciativa e passou a aumentar a velocidade de seus ataques, além de adiantar sua marcação, enquanto o Grêmio tentou encaixar os contragolpes. A grande chance veio aos sete minutos, numa jogada de Yuri Alberto. O atacante tocou para o meio da área, mas Peglow estava pressionado e finalizou mal, por cima, mesmo na pequena área. Os colorados arriscavam mais e Edenílson também mandaria um míssil ao lado da trave. Quando Lucas Silva respondeu, também não acertou o alvo.

Abel Braga faria sua primeira troca com Maurício no lugar de Peglow. Depois de 15 minutos superiores do Inter, o Grêmio desfrutava de posses mais longas no campo de ataque. Diego Souza até mandaria um chute perigoso neste momento, quase sem ângulo, que Lomba desviou. E o centroavante desperdiçou outra chance, aos 26, depois de um passe açucarado de Jean Pyerre. Na tentativa de encobrir Lomba, acabou mandando para fora. Renato aproveitou a superioridade tricolor para logo fazer três trocas e dar força ao seu ataque, com Luiz Fernando e Ferreirinha, além de Maicon na organização.

A pressão do Grêmio se tornaria mais forte. De novo, Diego Souza ganharia uma chance dentro da área. Conseguiu cabecear de perto e a bola cruzou perigosamente a frente do gol. E o primeiro tento da equipe amadureceu até vir num ataque rápido, aos 31 minutos, justo quando o Inter tentava sair das cordas. Diogo Barbosa disparou pela esquerda e Diego Souza foi muito inteligente, ao só escorar a bola. Jean Pyerre passou livre na direita e tocou rasteiro diante de Lomba. Abel Braga já preparava mais substituições, com Abel Hernández e Marcos Guilherme nos lugares de Patrick e Praxedes, para recolocar os anfitriões no ataque.

O Grêmio ainda teve uma boa chegada depois da troca, enquanto os rivais se reorganizavam, mas o final do jogo teria o Internacional pressionando pelo empate. Nonato e Uendel também entraram na equipe, mas faltava um pouco mais na criação. Edenílson não conseguiu completar um cruzamento e, quando a bola sobrou na entrada da área para Abel Hernández, o uruguaio mandou por cima. O grito sairia da garganta para o empate aos 45. Cuesta cruzou para a área e Abel Hernández foi excelente em sua movimentação, escapando de Kannemann para cabecear livre. Vanderlei ainda tocou na bola, sem evitar o gol.

Nos acréscimos, até parecia que o empate prevaleceria. Nenhuma das equipes mostrava grande calma para buscar a vitória. E o épico do Internacional se consumaria justamente aí, graças a um pênalti. Edenílson cabeceou e a bola bateu no braço de Kannemann, colado ao corpo. Havia dúvidas sobre a marcação, mas o VAR confirmou, sem que Luiz Flávio de Oliveira revisasse no monitor. É um lance-chave, cuja validade dominará o debate sobre o Gre-Nal. O próprio Edenílson assumiu a batida e, com muita segurança, deslocou Vanderlei para decretar a virada. Não daria tempo para mais nada depois disso. O apito final gerou uma comemoração efusiva dos colorados, enquanto os tricolores ainda reclamavam do penal – e não só dele, já que o árbitro não marcou um empurrão de Nonato sobre Ferreirinha na outra área, pouco depois do empate.

O Internacional sai da rodada ainda mais líder do Brasileirão. Com oito vitórias consecutivas, a equipe chega aos 62 pontos e abre quatro de vantagem sobre o São Paulo. Para melhorar a situação, os colorados também agradecem as derrotas de Flamengo, Atlético Mineiro e Palmeiras. Já o Grêmio praticamente se despede das chances de título com essa virada. Um triunfo poderia embolar o campeonato, mas os tricolores ficam na sexta colocação, com 51 pontos. Na próxima quinta, o time faz o jogo atrasado contra o Flamengo para tentar recuperar suas esperanças.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo