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O Guia Trivela da Série A do Brasileirão 2021 – por quem acompanha de perto os 20 clubes

Convidamos jornalistas locais para analisar como cada um dos integrantes da Série A chega para esta temporada do Brasileirão

Ninguém sabe mais detalhes sobre um clube do quem o acompanha no dia a dia, de perto, por motivos profissionais ou por afinidade. Por isso, convidamos jornalistas e setoristas de veículos locais para nos contar como chegam os 20 participantes do Campeonato Brasileiro que começa neste sábado.

Em que estágio estão em termos táticos? Quem pode se destacar? Como foi a montagem do time? Quais obstáculos precisarão superar? Tem algum jovem prestes a explodir?

Você está prestes a descobrir.

América Mineiro

Matheus Laboissière (@matheuscruzlaboissiere), jornalista e dono do www.jornalplanetaserra.com.br

Lisca fará mais um Campeonato Brasileiro pelo América (Foto: Doug Patrício/Fotoarena/Imago/One Football)

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O América tem um padrão definido, o elenco sabe o que fazer dentro de campo. Lisca vai querer manter seu jeito de jogar na Série A, que é o de propor o jogo em detrimento de uma formação mais cautelosa, priorizando o contra-ataque. Pode dar certo, mas caso não dê o resultado esperado com o passar das rodadas, espero que Lisca também experimente outras estratégias.

O nível de desempenho do América no primeiro semestre é positivo, mas ainda faltam desafios difíceis em rodadas seguidas, exatamente o que encontraremos na Série A. O Campeonato Mineiro decaiu ainda mais de nível de 2020 para esse ano e enfrentar o Cruzeiro, time de Série B, não é mais parâmetro. O próprio Atlético, em minha visão, parece ser mais pagador de salários astronômicos do que reduto de bons jogadores, condizentes com os valores pagos por um terceiro, já que o clube tem dívida astronômica. Ou seja, ainda estão por vir os grandes testes para o elenco do América Mineiro.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

O elenco está sendo bem montado em sua maioria, com titulares e reservas podendo atuar tranquilamente. A chegada de Bruno Nazário é um investimento dentro das possibilidades do clube e que pode dar muito certo. A permanência de Ademir pode ajudar, assim como a vinda de Ribamar, que é muito melhor fazendo o papel de pivô (protegendo a bola e girando) do que de finalizador.

Considero como erros a renovação de Marcelo Toscano, já veterano e sem poder de barganha, e a vinda de Alan Ruschel, que acaba sendo um risco desnecessário. Digo isso porque há dois laterais esquerdos da base (Carlos Junio e Vitor Hugo) que poderiam ter sido mais testados durante o estadual, pois têm personalidade e condição de desenvolvimento rápido maior do que Lucas Luan, também jovem e primeiro reserva de Lisca.

Claro, a contratação de Yan Sasse também é um erro, pois ele foi muito mal nas últimas temporadas, é o tipo de risco que o América não pode correr, por causa do baixo orçamento. Também acho equivocada a contratação de Lohan, já que não deu mostras de que será utilizado por Lisca até agora, mesmo com nove meses de clube. Deveria ter sido testado, pode dar certo.

A venda do zagueiro Messias foi um erro imperdoável, pois era um dos pilares do time, mesmo que não vivesse sua melhor fase no clube – decaiu um pouco o seu nível de atuação na segunda metade da Série B. A defesa precisa de mais reforços, mas o meio-campo foi muito bem montado. As chegadas de Juninho Valoura e Ramon são opções que podem até se tornar titulares durante a Série A, principalmente o segundo. O ataque também carece de investimento, ainda mais porque Rodolfo não nutre de confiança inabalável, principalmente depois que teve parte do passe comprada pelo clube. Pode ser Lohan essa peça, reitero.

Há, ainda, um gargalo na lateral direita que não foi resolvido com a contratação de Eduardo, ex-Ceará. Mas pelo menos o América tem conseguido negociar jogadores que não teriam chance na Série A, como os pratas-da-casa Flávio e Vitão. Falta arrumar um clube para Léo Passos.

E, daqui para frente, de acordo com Salum, só chegarão jogadores para jogar de titular, melhorando o nível do elenco. Esperamos esses três atletas de qualidade superior à do elenco atual, principalmente na zaga, lateral direita, ponta esquerda e um centroavante.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

Zé Ricardo evoluiu muito nos últimos dois anos. Deixou de passar insegurança no meio-campo para ser um dos pilares principais do time. Melhorou muito nas trocas mais rápidas de passes e viradas de jogo. Precisa ainda ser mais produtivo ofensivamente, não só finalizando a gol como dando assistências. A Série A será uma ótima oportunidade para ele confirmar essa subida de patamar em suas atuações. Creio que Lisca poderia proteger um pouco mais a defesa, isso ajudaria demais Zé Ricardo. Juninho acaba indo muito ao ataque, costuma ser o primeiro a dar combate na saída de bola do adversário, o que sobrecarrega nosso jogador da base.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

Gustavinho, 19 anos, é a principal promessa do América na Série A 2021. Não tem medo de encarar os adversários, embora ainda cometa erros ofensivos, alguns que dão contra-ataques perigosos. Não entendi o fato de Lisca não lhe ter dado mais minutos em campo (foram apenas 576 minutos em 12 partidas, seis como titular).

Ele só vai evoluir ainda mais e aumentar o nível de acertos se jogar, não há outro jeito de melhorar – foi assim com Zé Ricardo, por exemplo. Fazer isso na Série A será muito mais difícil, até pelo nível exigido das partidas. Mas é possível que Gustavinho tenha destaque. É a minha aposta.

Qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

O principal obstáculo do América Mineiro para se manter na elite nacional e até beliscar uma vaga na Copa Sul-Americana é ele mesmo. Cabe aos jogadores entender que o nível deles, de forma geral, se comparado ao dos demais atletas adversários, é praticamente o mesmo. A diferença é mais no valor de salário na maioria das comparações com os candidatos diretos contra o rebaixamento.

Para alcançar seus objetivos, os jogadores precisarão ter força mental durante todo o campeonato, que será posta à prova nessas partidas grandes em sequência. O time precisa ter o chamado sangue nos olhos, encarar cada rodada como decisiva. Sem esse espírito de luta, o time perde qualidade. Com esse espírito brigador, as chances de sucesso serão muito maiores.

Athletico Paranaense

Fernando Freire (@freire88), do Globo Esporte.com

Nikão continua sendo referência do Athletico Paranaense

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O Athletico usa uma equipe com aspirantes (sub-23) e reservas no estadual. Então, o time titular só tem seis jogos, todos pela Sul-Americana, com cinco vitórias e uma derrota. O aproveitamento é bom, mas vale destacar que os adversários eram os limitados Melgar, Aucas e Metropolitanos. A base do time é a mesma do último Brasileirão. Então, a defesa segue como ponto forte, comandada por Santos e Thiago Heleno. O ataque, porém, preocupa. São apenas quatro gols em cinco jogos (nota da edição: antes de golear o Aucas por 4 a 0 na quinta-feira, também pela Sul-Americana).

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

As únicas mudanças em relação à reta final do ano passado são Jonathan por Khellven na direita, Léo Cittadini por Jadson no meio e Carlos Eduardo por Vitinho na frente. Mas os três novos titulares já estavam no clube no ano passado. E os únicos jogadores contratados no início da temporada, o lateral direito Marcinho e o atacante Matheus Babi, ainda são reservas. Então, a principal mudança no Athletico é no banco: o português António Oliveira substitui Paulo Autuori no comando rubro-negro. O time é praticamente o mesmo.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

Santos, Thiago Heleno e Nikão, assim como no ano passado, são as grandes referências técnicas do Athletico. Santos e Thiago Heleno são os principais responsáveis pela força defensiva, com apenas um gol sofrido nesses cinco jogos. Nikão é o destaque do meio para frente, mas ele tem contrato só até o final do ano. O recém-contratado David Terans, ex-Galo e Peñarol, chega com o desafio de aumentar o poder de criação.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

O Athletico, tradicionalmente, aposta muito em jovens. Do time titular, Khellven e Abner são os mais novos. Ambos têm 20 anos e têm muita qualidade. Sem exagero, é possível dizer que estão entre os melhores laterais do futebol brasileiro hoje, apesar de ainda pouco conhecidos do grande público. Vale ficar de olho neles. Outros jovens devem ganhar espaço durante o Brasileirão, como o zagueiro Luan Patrick, o volante Kawan e os atacantes Jajá e Vinícius Mingotti. É uma geração bastante promissora.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

O time A do Athletico tem apenas seis jogos nesta temporada e contra adversários limitados. Então, os titulares só serão realmente testados durante o Brasileirão. Hoje, fica evidente a limitação do ataque. Terans pode dar uma nova cara ao setor ofensivo, mas o Athletico terá que buscar outros reforços, principalmente se Nikão não renovar. Hoje, vejo o Furacão na briga por vaga na Sul-Americana. Se Terans encaixar e outros reforços chegarem logo, dá para sonhar com Libertadores.

Atlético Goianiense

Joao Paulo di Medeiros (@jpdimedeiros), repórter de Esportes do jornal O Popular

Marlon Freitas é um dos destaques do Atlético Goianiense (Foto: Weimer Carvalho/Imago/One Football)

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O Atlético-GO manteve a estrutura da equipe que fez boa campanha na Série A do Campeonato Brasileiro. O time joga de forma competitiva, mas falha quando precisa propor mais o jogo, tanto que sofreu com três empates sem gols na fase de grupos da Copa Sul-Americana. Com espaço para contra-ataque, o Dragão costuma se dar bem. Apesar de sobrar na primeira fase do Campeonato Goiano, o time rubro-negro parou na semifinal e perdeu o tricampeonato, que seria inédito.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

O Atlético-GO conseguiu manter boa base que disputou a Série A, mas perdeu peças importantes como o goleiro Jean, os zagueiros Gilvan e João Victor, e os meias Chico e Ferrareis. A diretoria buscou peças de reposição, como o meia João Paulo, mas ainda procura outras no mercado para melhorar a parte ofensiva.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

O volante Marlon Freitas é o principal jogador da equipe. Ele é responsável por ditar o ritmo de jogo, defende bem e aparece no ataque. É um dos atletas mais queridos da torcida.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

O atacante Ronald, de 19 anos, foi destaque e campeão do Campeonato Goiano pelo Grêmio Anápolis, no qual estava emprestado pelo Dragão. Rápido e habilidoso, é uma peça interessante para o lado direito do ataque.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

O Atlético-GO precisa melhorar sua força dentro de casa. O time sofre para vencer partidas sob seu mando de campo desde as últimas rodadas da Série B de 2019. O time teve a sétima pior campanha como mandante na Série A de 2020 e não conseguiu marcar gols na Sul-Americana em seu reformado e ampliado estádio particular.

Atlético Mineiro

Mário Marra (@mariomarra), da ESPN Brasil

Hulk conhece né? (Foto: Doug Patrício/Fotoarena/Imago/One Football)

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

Eu tendo a ser pouco mais paciente porque a mudança de um treinador para o outro foi meio brusca. Nos primeiros jogos, sem Sampaoli, e ainda antes do Cuca, eu estava gostando bastante da manutenção da ideia, com o Lucas Gonçalves (técnico interino). Mas era o Campeonato Mineiro. A mudança para o Cuca custou derrotas. Perdeu para a Caldense e para o Cruzeiro. O funcionamento demorou um pouco, mas acho que hoje o Atlético é melhor. Não melhor que ano passado, quando teve a ideia durante toda a temporada, mas melhor que no início da transição. As ideias do Cuca já estão um pouco mais claras em relação à movimentação. A gente via o Keno em cima da lateral, o Savarino em cima da lateral, um time que tentava chegar por meio da amplitude e trabalhava muito a bola. O time de hoje mantém as linhas altas, também joga com os zagueiros praticamente no meio-campo, mas tem um funcionamento de ataque diferente. Eu vejo Keno ou Marrony, Savarino, menos como pontas e muito mais como segundos atacantes.

Nas duas temporadas passadas, não dá para falar que a utilização de um falso 9 foi boa porque era um time que criava, criava, criava e tinha uma taxa de conversão muito baixa. O atual também não tem um camisa 9, mas o giro tem sido muito interessante, muito intenso, e o Hulk conhece, né? Ele é bom jogador com a bola. Pode ser útil na finalização, no último passe, na assistência. Pode ser útil apenas passando pela área para atrair a atenção de alguém. Ele tem feito isso bem. Acho que o funcionamento do ataque é diferente e o time tem uma taxa de conversão mais elevada.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

O Atlético vive um mundo da ilusão. Um grupo chamado de “Quatro Rs” que cuida do clube, da parte financeira, que tem a ideia do clube hoje em dia (Rubens Menin, Rafael Menin, Renato Salvador e Ricardo Guimarães). O estádio está cada vez mais perto. O Atlético acaba não sentindo (as dificuldades) porque esses caras colocam dinheiro, são muito atleticanos e pessoas que estão dentro do Atlético há muitos anos. Não são atores novos na vida do Atlético. Quem é atleticano sabe que eles estão ali há muito tempo. Sem chegar na questão de que o dinheiro um dia terá que ser reposto para esses caras, eles conseguem fazer com que o Atlético não perca ninguém. Pelo contrário, ainda contratou, melhorou o time com Nacho Fernández. Pode-se até questionar se o Hulk renderá, mas é titular e estrela da companhia. E o Nacho ninguém questiona.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

Nacho Fernández. Eu até pensei um pouquinho por causa do Júnior Alonso, mas acho que o Alonso, ainda em início de temporada, não esteja tão bem quanto esteve na temporada passada. Acho que o Igor Rabello tem sido um bom destaque defensivo da temporada. Erra muito pouco e cresceu bastante. Mas acho que o Nacho é o condutor do time. Não fez gol ainda na Libertadores. Perdeu um na cara, mas ninguém cobra. Ninguém fala nada, porque percebemos o jogo girando a partir dele ou para ele.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir? 

Acho que a temporada é boa para o Guga. Deve ir para a Olimpíada. Ele tem jogado bem, sido muito importante. Pensando em jogadores que não são tão conhecidos, o início de ano do Calebe era bem interessante, fazendo gol, participando bem. Quando o Cuca chega, interrompe um pouco o crescimento dele e ele tem uma contusão. Acho que a temporada tende a ser interessante para o (Matías) Zaracho, que também é um jogador que perdeu espaço com o Cuca, mas já o está recuperando. É bom jogador e está mostrando isso mais claramente. Inclusive mais improvisado, vindo de trás. O Savinho, jogador de 17 anos, que está sempre ficando no banco e é de seleção de base, merece alguma atenção.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

Ano passado era uma questão de casca, de pressão, da cobrança que eles sentiriam pelo título. Acho que isso não mudou, mas eu não acho que foi por isso que o Atlético não conquistou o título. Não foi campeão porque não fez gol. Não foi um problema defensivo. Era assim a ideia mesmo. Não acho que fez tanta diferença na temporada passada. Mas para mim o que vai ser um sério problema é a quantidade de jogador selecionável. Tem muito jogador que pode desfalcar o Atlético por muito tempo por causa das seleções e por causa do calendário. Ainda tem esse papo de o Nacho ir para a Olimpíada, de ele ser um dos jogadores mais velhos da Argentina. Aí atrapalha tudo.

Bahia

Elton Serra (@eltonserra), comentarista dos canais ESPN/Fox Sports

Patrick deve ser um dos destaques do Bahia (Foto: Dudu Macedo/Fotoarena/Imago/One Football)

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O time melhorou bastante nas mãos de Dado Cavalcanti. Na reta final do Brasileiro passado, já apresentava evolução. Com a permanência na Série A, passou a aprimorar um pouco mais o jeito de jogar, ficando mais com a bola e sendo menos reativo. É um time que voltou a marcar no campo do adversário, mas que também sabe se fechar defensivamente – algo que não conseguiu executar em 2020.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

É um elenco ainda em formação. As contratações de Conti e Luiz Otávio ajudam a fortalecer a zaga, ponto fraco do Bahia na temporada passada. A chegada de Thaciano deu o equilíbrio necessário ao meio-campo, que agora encontrou o jeito certo de atacar e defender com a mesma eficiência. As chegadas de Matheus Galdezani, Lucas Araújo, Jonas e Óscar Ruiz também foram importantes para dar profundidade ao elenco. Porém, o tricolor ainda carece de mais opções ofensivas.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

O grande destaque deve ser o volante Patrick. Substituiu Gregore e elevou o patamar do meio-campo. É um volante que marca e joga. Tem desarme, visão de jogo, ótimo passe longo, chuta de fora da área e é bom no jogo aéreo. É um meio-campista quase completo.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

Além de Patrick, o lateral esquerdo Matheus Bahia tem grande potencial. Tem apenas 21 anos e assumiu a posição desde o ano passado com muita personalidade. Joga numa posição carente no futebol brasileiro e tem uma excelente margem de crescimento.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

Como quase todos os clubes nordestinos, a logística é sempre um fator complicador. Viagens longas diminuem o tempo de treinamento e descanso. Sempre foi um grande problema num campeonato de regularidade.

Ceará

Fernando Graziani, editor-chefe de esportes do grupo O POVO

Vina continua sendo o jogador mais decisivo do Ceará (Foto: Tiago Caldas/Fotoarena/Imago/One Football)

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

Guto Ferreira é o segundo técnico mais longevo dos times da Série A, só perde para Lisca, do América Mineiro. Ele tem um futebol reativo, de contra-ataque, transição muito rápida e o elenco está montado para isso.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

A base do elenco do ano passado foi mantida, mas aconteceram outras contratações, como Steve Mendoza, Yony González, mas que não está bem, Felipe Vizeu, que tem contrato até junho, não se sabe se vai renovar ou não porque o custo/benefício não está sendo muito bom. Contrataram também Messias, grande zagueiro do América Mineiro, está fazendo a diferença. Contrataram Gabriel Dias, que era do Fortaleza, Marlon, que compõe elenco, mas não é titular. Como centroavante, contrataram Jael. E Vina acaba sendo um reforço porque renovou contrato. É um elenco bem parecido com o do ano passado.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

O jogador mais preparado para pintar como destaque ainda acho que é Vina. Ele é o jogador com maior capacidade de decisão no elenco.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

João Vitor, um menino de 16 anos, que realmente pode fazer a diferença. Depende das oportunidades que o Guto Ferreira vai dar para ele. É um atacante, é um jogador com bastante potencial.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

O maior obstáculo é muito parecido com o do Fortaleza. É encontrar jogadores que possam fazer gols. O Ceará teve problemas para fazer gols em jogos decisivos nessa reta final, perdeu a Copa do Nordeste para o Bahia, perdeu o Cearense para o Fortaleza, muito por ter um aproveitamento ofensivo baixo. O principal desafio é esse. Tem Cléber como centroavante, Jael e Vizeu, mas nenhum dos três tem conseguido ser o jogador de confiança. A maioria deles faz gols quando entra no segundo tempo. Tem Saulo Mineiro também. São quatro jogadores de ataque, mas nenhum consegue se firmar como a referência, como titular para fazer gols.

Chapecoense

Letícia Sechini (@leticiasechini), jornalista de Chapecó

Anselmo Ramon é a esperança de gols da Chapecoense (Foto: Fabio Leoni/Fotoarena/Imago/One Football)

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

A derrota para o Avaí na final do Campeonato Catarinense não me permite um prospecto muito positivo. Durante o Estadual, a Chape demonstrou muito pouco poder de decisão, e até um certo desgaste quando a competição afunilou (levando em conta o atraso de vida com a anulação das quartas de final e tudo mais). A decisão foi marcada por uma saída de bola bem ruim, pouca organização, pouca ofensividade, que renderam o título ao adversário da capital. A atitude da diretoria, em seguida, foi justamente pela demissão do técnico Mozart e seus auxiliares. Além do Brasileirão, a Chape entra já, já na Copa do Brasil e não pode desperdiçar a chance de levantar uma grana e melhorar o clima – isso TEM que gerar motivação agora, né?

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão, diante de todas as circunstância?

A Chape iniciou a temporada 2021 muito pianinha, na paz, na moral, na humilde, sem reforços em relação a 2020, e com algumas perdas bem significativas, como o goleiro João Ricardo. No decorrer do Estadual, vieram algumas contratações, mas cautelosas demais e que não inspiram tanta confiança quanto a torcida esperava. É claro, cabe aqui a boa e velha licença poética: já tivemos equipes de baixíssimo orçamento que fizeram história no clube, então… segura na mão de Felipe Endres e vai.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

(Fora os meninos da base que estão ocupando o time com muita responsabilidade e muito bem preparados,) Anselmo Ramon. Foi artilheiro em 2020, tem sido decisivo e passa segurança – e dá a impressão de ser um cara importante no contexto do grupo, o que é ideal para esse momento.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir? 

Felizmente, a Chape pode contar hoje com uma geração excelente de atletas formados na própria base, que mesmo sendo muito jovens demonstram muito comprometimento e amor à camisa. O maior nome hoje é o atacante Perotti, com 15 gols marcados nesse Catarinão. Em alguns jogos, chegou a ser “desparelho” ver a calma dele nas decisões em relação a atletas bem mais experientes.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

O foco em ser competitiva, acima de tudo. O time não pode sentir tanto a pressão das decisões extra-campo – na hora do jogo, todo adversário é um adversário e a competitividade tem que existir independente de qualquer coisa. Inclusive, independente do silêncio na arquibancada. A instituição em si depende muito dos bons resultados no Brasileirão (e claro, na Copa do Brasil), precisa querer mais do que a permanência na Série A, e o ambiente interno tem que favorecer. Quero ver a Chape voltando a assustar os gigantes e virando meme por golear o Inter e o Palmeiras, sim.

Corinthians

Tomás Rosolino (@TomasRosolino), do Meu Timão

O jovem Raul Gustavo é uma das esperanças do Corinthians para o Campeonato Brasileiro (Foto: Marco Galvão/Fotoarena/Imago/One Football)

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

É bem complicado falar em padrão tático porque, pela primeira vez desde 2007, o Corinthians começa o Brasileiro com um técnico diferente do que começou a temporada. Apesar de Vágner Mancini ter buscado algumas novidades, tentando três zagueiros no fim, é difícil saber o que do que ele construiu será seguido com Sylvinho. O próprio Mancini disse no começo do ano que não tinha alternativa tática porque não tinha um padrão ainda. Ainda é tudo novo com a chegada do Sylvinho. Em termos de desempenho, alguns atletas subiram muito seu repertório, especialmente Matheus Vital e Gustavo Mosquito. São os dois principais jogadores de ataque, artilheiros da temporada. Vital é líder de assistências. Seriam as duas grandes esperanças. De resto, é um time muito jovem. O clube tem a esperança que os dois zagueiros, Raúl Gustavo e João Víctor, despontem. E tem alicerces de sempre: Cássio, Fagner, e muito provavelmente o Gil porque o Jemerson tem apenas mais um mês de contrato.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão, diante de todas as circunstâncias?

Foi bem acidentada. O Corinthians teve um surto de Covid logo no segundo jogo do ano. Tinha a primeira fase da Copa do Brasil contra o Salgueiro, em Pernambuco, e até rolou a demissão do médico Ivan Grava porque ele discordou de liberar os jogadores infectados em apenas dez dias. Se cumprissem 14 dias, não enfrentariam o Salgueiro, e o Corinthians correria um grande risco de não se classificar porque naquele grupo tinha Cássio, Fagner, Gil, vários jogadores. A partir daí, foi tudo muito acidentado. Várias levas de Covid, alguns jogadores se machucaram. O time pareceu se encontrar quando Mancini dividiu o elenco em dois grupos. Ele tinha uma zaga de novatos com um ataque mais experiente. No outro time, um ataque mais novo com uma zaga mais experiente. Foi meio mesclando até perceber que o time ideal juntava o ataque mais experiente, com Luan no comando, e o Mosquito, com a zaga mais jovem. Ganhou do Santos na Vila e trucou em um jogo contra o São Paulo com três zagueiros. Até teve um bom desempenho.

O Corinthians desandou de vez quando levou 4 a 0 do Peñarol com um time reserva e foi facilmente dominado contra o Palmeiras, mas o ponto essencial, na minha opinião, é que não tinha o Fagner. Há muitos anos ele é muito importante nessa equipe do Corinthians e ficou claro que não sabiam o que fazer sem o seu apoio pela direita. O Corinthians tem alguns pontos claros. Cássio, Fagner, Gabriel, Matheus Vital, Mosquito, Luan, que está enfim tendo um bom desempenho, embora longe do esperado, Lucas Piton na esquerda, mas você ainda tem dúvidas. A zaga virou uma dúvida. Se usa o Gil ou o Raúl Gustavo. Como volante, tem uma dúvida se terá um meio-campo mais mordedor ou armador. Tem uma montagem de time com bastante indefinição, ainda mais se for comparar com outros anos do Corinthians.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

Para mim não tem dúvida que é o Matheus Vital. Ele fez um gol em 27 de dezembro contra o Botafogo. Desse gol até agora, ele marcou sete. Antes disso, em quase três anos de Corinthians, ele tinha feito seis gols. Ele também deu quatro assistências, que são quase metade do total de assistências que ele tinha dado até então. Ele tem nove no total. Em pouco tempo, subiu muito o seu nível de participação em gols que era uma grande falha dele. Ele assumiu essa responsabilidade de ser um dos principais jogadores do time. É um meia-armador que chega na frente, fazendo gol. Ele passou a bater bola parada, então isso dá uma inflada nos números. Tirando os óbvios, como Cássio e Fagner, ele é claríssimo o jogador para pintar como destaque. Tenho minhas dúvidas se ele termina o Brasileiro no Corinthians.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir? 

Para não ficar no Mosquito, do qual já falei, e não é tão jovem assim, eu diria que o Raul Gustavo seria esse cara. Ele tem poucos jogos como profissional e está surgindo junto com o João, mas o João Victor já teve um Brasileiro ano passado com o Atlético Goianiense em que foi titular. Lucas Piton já está em seu terceiro ano de profissional. Acho que o Raul seria o jovem mais próximo de explodir. Um zagueiro alto, forte, canhoto. Claramente cru no posicionamento tático, ainda comete uns erros, mas tem um grande potencial. Pode ser um grande nome se for bem trabalhado.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

Entender que pela primeira vez desde… sei lá, acho que desde que voltou da Série B, o Corinthians claramente não briga pelo título. Você pode falar: ah, teve uns anos em que foi mal. Teve anos em que foi mal, mas entrou em todos os campeonatos como um dos candidatos, e não é o chavão. Ele entrou mesmo. Em 2009, chegou como campeão paulista invicto e da Copa do Brasil. Acabou relaxando. Em 2010, era o ano do centenário, foi provavelmente o time que mais investiu. Em 2011, foi campeão. Em 2012, não brigou porque abriu mão das sete primeiras rodadas para ganhar a Libertadores. Em 2013, entrou muito forte e teve um segundo turno ridículo. Em 2014, brigou. Em 2015, foi campeão. Em 2016, virou o turno brigando pelo título do primeiro turno com o Palmeiras. Em 2017, também brigou. Em 2018, era um time forte até que se desmanchou, saíram Carille, Balbuena, Rodriguinho. Em 2019, apesar de tudo, chegou à reta final do primeiro turno e se ganhasse do Ceará, em casa, jogo em que levou um gol olímpico, ficaria a dois pontos do Flamengo. Em 2020, com o investimento feito para trazer o Tiago Nunes, que era muito bem cotado, para trazer o Luan, o Cantillo, um volante pedido pelo treinador, esperava-se que brigasse pelo título. Não brigou em nenhum momento, mas se esperava.

Em 2021 está bem claro: a ideia da diretoria é reformular. O time é jovem. Há outros muito mais prontos. Os dois do Sul estão trazendo jogador de Copa do Mundo ainda em idade boa. Palmeiras está muito mais pronto. São Paulo voando. Flamengo tem nem o que falar. Atlético Mineiro também. O Corinthians está muito abaixo de pelo menos seis times. O maior obstáculo será ficar bem claro que um sétimo lugar não seria ruim para o Corinthians. Se der para baixar esse sarrafo, não acho que seja tão difícil o Corinthians emplacar um sétimo, oitavo, nono lugar, o que acho que seria uma boa temporada para o elenco que tem.

Cuiabá

Derik Bueno (@derikbueno) e Jonathas Gabetel (@joegabetel), ambos do globoesporte.com

O Cuiabá comemora o acesso (Foto: Divulgação / AssCom Dourado)

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O Cuiabá ainda não tem padrão tático definido por Alberto Valentim. Apesar do título invicto no Mato-grossense, a equipe não desenvolveu um bom desempenho em campo. Encontrar a maneira ideal do Cuiabá será uma grande missão de Valentim. Ainda mais que vai encarar equipes de alto nível técnico.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

A diretoria do Cuiabá foi ao mercado em busca de jogadores com experiência em Série A e que buscam seus respectivos espaços como é o caso do goleiro Walter, do zagueiro Marllon e do atacante Jonathan Cafu, todos ex-Corinthians. Aliado a isso, jogadores considerados promessas chegaram ao clube mato-grossense por empréstimo para dar equilíbrio ao elenco. Nomes como o do meia Pepê, ex-Flamengo, e do atacante Guilherme Pato, ex-Internacional, são alguns deles.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

Existe uma expectativa muito grande quanto ao desempenho do goleiro Walter. Sem dúvidas ele é a principal contratação do Cuiabá para a temporada até o momento. Ajudou o time a terminar com a melhor defesa na invicta campanha do título mato-grossense. Dos 12 jogos que esteve em campo na temporada, sofreu apenas quatro gols. Reserva de luxo no Corinthians, Walter tem no Cuiabá a oportunidade de se consagrar como titular incontestável na disputa do Brasileirão.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

O Cuiabá ainda não se consolidou como um clube revelador de talentos. No entanto, o jovem atacante Raul, de 20 anos, tem chances de surgir como uma grata surpresa. Após período de empréstimo ao Fortaleza, o atacante retornou ao Cuiabá e ganhou oportunidades na equipe principal antes mesmo da chegada de Alberto Valentim. Raul marcou cinco gols no estadual e pode ser utilizado para compor o elenco do Dourado no Brasileirão.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

O entrosamento do elenco e a adaptação a um esquema tático implementado por um novo treinador (Alberto Valentim) serão grandes obstáculos, já que o time passou e ainda passa por uma grande reformulação. Além disso, a própria qualidade dos adversários será um desafio, pois o Brasileirão deste ano está recheado de elencos estrelados e, como diz a frase que já se tornou clichê, “não existe jogo fácil”. Se quiser permanecer na elite, o Cuiabá precisa investir em reforços e evoluir em campo.

Flamengo

Téo Benjamin (@teofb), analista independente e autor do livro ‘Outro Patamar’

Arrascaeta, do Flamengo (Foto: Divulgação/Flamengo)

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O Flamengo hoje tem um padrão tático bem definido, que inclusive não varia muito quando usa um time misto ou reserva. Em termos de desempenho, tem conseguido jogar bem, mas ainda oscila dentro dos jogos, especialmente quando consegue abrir vantagem e os adversários, sem nada a perder, decidem partir para cima. A defesa ainda preocupa e precisa se ajustar. É o único setor do time que não tem uma escalação titular bem definida e vem falhando especialmente nos escanteios defensivos. O desafio que fica depois desse início de ano é justamente encontrar um equilíbrio maior.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

O elenco vem com a mesma base dos últimos anos. Basicamente só houve uma contratação pontual na zaga: Bruno Viana. De resto, algumas possíveis saídas podem injetar dinheiro no caixa e fazer a diretoria correr atrás de reforços, mas ninguém espera mudanças muito drásticas no time que vem conquistando títulos desde 2019.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

O destaque do Flamengo sempre acaba sendo Gabigol. É o jogador que aparece nos momentos decisivos e marca gols importantes, mas não só isso. Vem se mostrando cada dia melhor na criação de jogadas, também empilhando assistências. Mas o grande destaque desse início de ano é provavelmente Arrascaeta. O meia uruguaio começou a mil, desfilando com um futebol mágico dentro de campo. Outro que mantém uma regularidade incrível desde que retornou ao Brasil é Filipe Luís: absolutamente craque. Além deles, Diego merece destaque pela mudança de posição. Vem se mostrando cada dia mais confortável como volante e teve grandes atuações nas primeiras partidas da Libertadores.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

Certamente o jovem mais promissor é João Gomes. Ele surgiu como uma boa opção na segunda metade do Brasileirão 2020 e veio ganhando espaço aos poucos. Seu início de temporada foi animador, com boas atuações tanto pela Libertadores quanto pelo Carioca. Aliás, seu primeiro gol pelo profissional foi o que selou o título rubro-negro no estadual. É um jogador que vem amadurecendo muito rápido. A cada cinco jogos, parece que evoluiu como se tivesse jogado um ano no time titular.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

A principal busca é pelo equilíbrio. Em primeiro lugar, o equilíbrio entre o volume ofensivo e a solidez defensiva. O time começou a temporada sofrendo bastante com os contra-ataques dos adversários. Melhorou nesse aspecto, mas passou a sofrer muito nas bolas paradas. Com isso, leva gols em quase todos os jogos. Para além disso, é preciso ter mais equilíbrio para manter o controle dos jogos. Em geral, os adversários costumam jogar muito fechados contra o Flamengo, mas depois de tomarem um ou dois gols partem para cima colocando um ritmo frenético de jogo, com muitas bolas longas e correria. Nesses momentos, o time rubro-negro tem tido dificuldades de retomar o controle para si.

Por fim, um grande obstáculo para o Flamengo é a própria expectativa criada para a temporada. Quando se fala em uma “boa temporada” no Flamengo atual, é preciso entender que o sarrafo é muito, muito alto.

Fluminense

Marcello Neves (@mneves_), repórter do jornal O Globo, Jornal Extra e da revista Época

Fred e Kayky comemoram (Foto: LUCAS MERÇON / FLUMINENSE F.C.)

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O Fluminense mudou seu padrão tático quando comparado com 2020. Se as equipes de Odair Hellmann e Marcão eram reativas, a de Roger Machado tenta jogar com blocos em transição. Esse, inclusive, tem sido um dos grandes problemas neste início de temporada, porque muitos jogadores ainda não entenderam totalmente essa mudança. A nível de desempenho, Roger chegou a ter o melhor início de um técnico no clube no Século XXI (75%), mas a equipe deixou a desejar nas fases decisivas do Campeonato Carioca e em alguns jogos na Libertadores.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

O Fluminense apostou em jogadores que estavam sem contrato ou em rescisões amigáveis para acertar contratações. É o caso de Juan Cazares, por exemplo, que tinha vínculo com o Corinthians e rescindiu para acertar com o Fluminense. Além dele, o tricolor também acertou com Abel Hernandez, ex-Internacional; Raúl Bobadilla, ex-Guaraní-PAR; Wellington, ex-Athletico; Samuel Xavier, ex-Ceará; David Braz, ex-Grêmio; Manoel, ex-Cruzeiro; e Rafael Ribeiro, ex-Náutico. Todos eles gastando apenas apenas US$ 100 mil (cerca de R$ 572 mil na cotação atual) em transferências.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

A resposta normal é Fred. É o ídolo e principal nome desta equipe. Já se tornou o segundo maior artilheiro da história do clube e o terceiro maior artilheiro brasileiro na história da Libertadores. No Brasileiro, é o maior goleador dos pontos corridos, mas está próximo de quebrar recordes na competição geral (desde 1971). Ele é o quarto maior artilheiro do Brasileiro (152 gols) e está a dois de igualar Romário (o segundo colocado, com 154). Roberto Dinamite (190) é o líder.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

Kayky, de 17 anos, chama a atenção. Ele já está vendido ao Grupo City (irá defender o Manchester City quando completar 18 anos) e disputará apenas este Campeonato Brasileiro. Foi eleito a revelação do Campeonato Carioca e tem bons jogos na Libertadores. É o tipo de jogador que parece não sentir a pressão das partidas apesar da pouca idade. Também destaco o volante Martinelli, que tem mostrado bom nível desde o último Brasileiro.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

A irregularidade. O objetivo da equipe é buscar uma vaga na Libertadores, mas apesar de ter contratado reforços, a base da equipe ainda é muito jovem. Da equipe titular, Marcos Felipe, Calegari, Nino, Martinelli, Kayky e Luiz Henrique tem 25 anos ou menos. Ao mesmo tempo, a encorpada no elenco com jogadores experientes pode ajudar. O calendário também tem sido um problema para o Fluminense, o que diminuiu o rendimento durante a sequência de jogos no Campeonato Carioca e na Libertadores.

Fortaleza

Fernando Graziani, editor-chefe de esportes do grupo O POVO

Felipe Alves é um “grande líder, muito frio e decisivo” (Foto: Doug Patrício/Fotoarena/Imago/One Football)

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

Enderson Moreira ficou como técnico até três semanas atrás. Ele estava tendo bons resultados, mas o time não estava jogando bem. Optaram por mandá-lo embora. Contrataram o Juan Pablo Vojvoda, que está há 15 dias, argentino. Ele realmente chegou com grande capacidade de trabalho, muito sério. Ele vem treinando muito, implementou treinamento no dia do jogo, inclusive. Quando o jogo é à noite, ele treina de manhã.

Os jogadores têm assimilado bem. Foi campeão cearense agora. Evidentemente, o nível dos adversários até agora que o Fortaleza enfrentou com Vojvoda é baixo, os times do Campeonato Cearense têm um nível mais baixo, com exceção dos dois jogos que ele fez contra o Ceará, que foram jogos de dois times no mesmo nível. O time fez 20 gols em cinco jogos, só tomou um. Taticamente, tem conseguido uma variação muito grande. Ele tem mexido muito, já escalou quase 30 jogadores em cinco jogo, tem conhecido o elenco.

Trabalho muito intenso de conversas pessoais, de conversas com vídeos mostrando a Premier League. Ele tem a Premier League como o grande ideal de futebol total. Ele tem implantado essa cultura de muito trabalho. Ele é muito trabalhador, ele e a comissão. Temos informações de que está bem impressionante o ritmo de trabalho.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

Ela teve algumas contratações pontuais, como o zagueiro Tite, que chegou muito bem. Lucas Crispin também foi contratado, Robson, que era do Coritiba, então, houve algumas contratações pontuais para montar o elenco. Matheus Jussa, Ederson e Daniel Guedes também chegaram para esta temporada. O time também trouxe Matheus Vargas, que é do Fortaleza, jogou pelo Atlético Goianiense na temporada passada.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

O jogador mais preparado do Fortaleza para pintar como destaque é, sem dúvida, o goleiro Felipe Alves. Continua sendo desde a temporada passada. Ele é um cara fenomenal, grande líder, muito frio e decisivo.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

O Fortaleza não tem nenhum jovem de destaque nesta temporada. A base do Fortaleza está devendo. Começaram agora um trabalho a médio e longo prazo, mas não há nenhum jogador com essa capacidade, no momento, de chamar a atenção.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

O maior obstáculo é, sem dúvida, fazer mais gols contra times fortes. O ataque do Fortaleza, o sistema ofensivo pode até funcionar. Individualmente, não tem jogadores artilheiros. Esse é um problema. Wellington Paulista faz seus golzinhos, mas não é um cara confiável para ser o artilheiro máximo, Robson perdeu muitos gols, David perde gols demais, Osvaldo não é um grande finalizador. Isso acaba fazendo diferença.

Grêmio

Rodrigo Oliveira (@roliveiraAOVIVO), da Rádio Gaúcha

Douglas Costa é anunciado pelo Grêmio (Foto: Imago / One Football)

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O técnico Tiago Nunes assumiu e está fazendo um excelente trabalho, com resposta rápida. Ele aproveitou uma base do Renato e melhorou muito essa base. Deu um padrão tático, fez alguns ajustes de posicionamento e o Grêmio está jogando bem e, acima de tudo, está organizado.

Ele manteve o 4-2-3-1 do Renato, mas com algumas mudanças. Por exemplo, Renato jogava com dois volantes e um meia. Tiago manteve isso, mas Matheus Henrique, que é o segundo volante, tem mais liberdade para avançar. E o meia, que pode ser Jean Pyerre, pode ser Darlan, recua um pouco mais para buscar o jogo. Questões de ajuste, mas o time está com padrão tático e bom desempenho.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

O Grêmio manteve a base do ano passado, com algumas contratações pontuais, com destaque para o Douglas Costa, que é a cereja do bolo. Vai jogar na ponta direita e é o grande candidato a craque. Rafinha está muito bem jogando na lateral direita. No mais, é a base do ano passado.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

O grande candidato a craque é o Douglas Costa. Maior contratação do futebol brasileiro na temporada. Veio para ser a cereja do bolo, vai jogar na ponta direita. Mas quem já está pintando como destaque é Ferreira. O Grêmio tem uma tradição incrível de lançar pontas esquerdos velozes. Tinha Pedro Rocha, Éverton Cebolinha, Pepê e agora Ferreira, que é mais rápido que todos esses e mais driblador que todos os citados também. Já está jogando muito bem. Por isso, hoje o grande destaque é Ferreira, mas Douglas Costa vem para ser o craque do time.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

Eu apostaria no Ricardinho, atacante que fez gol no Grenal, no jogo de ida. É um centroavante de mobilidade, moderno, que volta para buscar jogo. Está jogando muito bem. Diego Souza já tem uma certa idade, não acredito que ele vai aguentar jogar quarta e domingo. Então, Ricardinho tende a receber chances. É quem eu coloco como jovem promessa com potencial de explodir.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

A armação das jogadas. Em condições normais, o Grêmio funcionaria muito bem com Jean Pyerre como armador, porque é um jogador de muita qualidade técnica. Quando ele está jogando bem, dita o ritmo do jogo. O problema é que Jean Pyerre tem oscilado muito, ele não tem conseguido jogar bem. Ou, quando joga bem uma vez, cai de rendimento ou se machuca, tem tido muitas lesões.

Quando Jean Pyerre não joga, seja por não estar bem, seja por estar apto, o Grêmio ainda não conseguiu achar um substituto para ele. César Pinares, que poderia ser esse jogador, não conseguiu ter um bom rendimento ainda. Tiago resolveu colocar Darlan, que estava sendo usado como volante. Melhorou, teve uma boa performance, mas ainda não é o armador que o Grêmio precisa. E Douglas Costa vem para jogar na ponta. Então acredito que o obstáculo é o Grêmio melhorar a armação das jogadas. Seja encontrando um camisa 10, seja recuperando Jean Pyerre ou encontrando uma outra forma de armar sem ter um camisa 10”.

Internacional

Rodrigo Oliveira (@roliveiraAOVIVO), da Rádio Gaúcha

Taison é anunciado pelo Internacional (Foto: Divulgação)

 

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O Inter em relação a padrão tático e nível de desempenho é uma incógnita porque os jogadores ainda não conseguiram se adaptar às ideias de Miguel Ángel Ramírez. É um modelo de jogo novo, que os jogadores não estão acostumados. O Inter oscilou muito, desde goleadas espetaculares contra Olimpia, Juventude e Deportivo Táchira, até atuações ruins como nos Grenais e até constrangedoras, como o empate com o Always Ready. O desempenho do Inter no Brasileirão vai passar muito pela forma como os atletas vão assimilar o modelo de Miguel Ángel Ramírez. Hoje o time está oscilando muito, pode golear como pode jogar mal e perder.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

A montagem do time não teve reformulação. Manteve a base do último Campeonato Brasileiro. Fez só uma contratação, Carlos Palacios (nota da edição: também repatriou Taison). Está sem dinheiro e não quer fazer muitas contratações, só pontuais. O grupo é o mesmo, mas como o modelo de jogo mudou, alguns atletas perderam espaço que tinham com Abel, como Caio Vidal, e outros passaram a ganhar espaço com Miguel Ángel Ramírez, como Zé Gabriel e Nonato, principalmente.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

O mais preparado para pintar como destaque do Inter é Yuri Alberto, não tenho a menor dúvida. Ele não vem sendo titular sempre por uma questão de modelo de jogo do Ramírez, mas agora ele deve usar um esquema com dois atacantes, o 4-4-2. Assim, devem jogar Thiago Galhardo e Yuri Alberto. Ele é um atacante completo, um jogador que vai ser vendido para a Europa logo, logo. A meu ver, é o melhor jogador do Inter hoje.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

Os jovens com mais potenciais para explodir são Yuri Alberto, Praxedes e o Maurício. O Maurício é um jogador de confiança de Miguel Ángel Ramírez porque ele se adaptou muito bem ao jogo de posição. Foi um dos jogadores que melhor entendeu a ideia. É um jogador que tende a ser titular e tem muita qualidade.

Yuri Alberto é um jogador que está mais perto de virar um craque de nível mundial em breve. Acredito que ele já apareceu, é um jogador afirmado. Praxedes foi um dos destaques da Copinha (ainda em 2020), ainda não teve tantas oportunidades, mas se conseguir se firmar na equipe é um jogador que também tende a explodir.

Outro jogador que é uma promessa é Johnny, volante de 19 anos que é norte-americano, é da seleção norte-americana, mas Ramírez não vem o utilizando, uma coisa que até não compreendemos. Se Ramírez começar a utilizar, é outro jogador que dá para destacar.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

O maior obstáculo que o Inter vai ter para superar e fazer uma boa temporada será a dificuldade de implementar as ideias de Miguel Ángel Ramírez porque é um modelo de jogo muito complexo, que leva tempo para ser assimilado pelos atletas. E o futebol brasileiro não costuma dar esse tempo todo. O Inter perdeu o Gauchão para o Grêmio, e Ramírez já sofreu muitas críticas. O time está oscilando muito.

O obstáculo principal é Ramírez conseguir fazer os jogadores assimilarem as ideias dele e ao mesmo tempo  não sentir a pressão caso os resultados e o desempenho demorem a aparecer. Porque ele não está acostumado com esse ambiente de pressão. No Independiente Del Valle, não costumava ter uma pressão tão forte. Esse é o maior obstáculo que o Inter vai ter que superar.

Juventude

Eduardo Costa (@oeduardocosta), repórter do jornal O Pioneiro e da Rádio Gaúcha Serra

O Juventude celebra o acesso (Foto: Fernando Alves / Juventude)

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O Juventude teve um começo com muitas dificuldades no Gauchão. O desempenho estava muito abaixo. O pouco tempo de pré-temporada, a mudança de técnico e ter que jogar sempre fora do Estádio Alfredo Jaconi devido a troca do gramado, atrapalhou. Aos poucos com a chegada de reforços, o técnico Marquinhos Santos conseguiu uma evolução e a equipe tem um padrão tático no 4-2-3-1.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

Durante o Campeonato Gaúcho chegaram reforços como o zagueiro Rafael Forster e o meia Wescley, que se tornaram titulares. Com o fim da Série B, o elenco recebeu contratações e algumas peças deixaram o grupo. No intervalo entre a reta final do Estadual e início do Brasileirão, outros jogadores chegaram como o meia Chico, o lateral-direito Michel Macedo, os atacantes Fernando Pacheco e Mosquera, o zagueiro Victor Ramos e o meia-atacante Bruninho.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

O Juventude tem bons nomes como o meio-campista Guilherme Castilho. Polivalente, pode jogar na segunda função do meio ou mais adiantado. No Gauchão, atuou nas duas e foi uma das principais peças do Juventude. O meia Wescley também pode aparecer como destaque.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

O Juventude é um clube formador. Por isso, aposta nas suas categorias de base e um nome que pode despontar na Série A é o atacante Marcos Vinicios. Ele foi destaque do Juventude no Brasileirão de Aspirantes no ano passado e subiu para o time principal neste Estadual. Assumiu a titularidade e foi bem.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

A diferença de investimento. O Juventude entra com a menor folha salarial e o menor índice de investimento para contratações. A direção teve que buscar parcerias com outros clubes da Série A e conseguir alguns reforços por empréstimo.

Palmeiras

Rodrigo Fragoso (@reporterfragoso), repórter do Estádio TNT Sports

O Palmeiras terá o inesperado retorno de Dudu para o Campeonato Brasileiro (Foto: Getty Images)

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

É um Palmeiras que já tem uma cara, uma identidade. Você sabe de que forma o Palmeiras é perigoso. Um time com três zagueiros com qualidade pra lançar atacantes em velocidade, principalmente o Rony. Quando não liga em velocidade os atacantes pelos passes em profundidade, os localiza por meio das roubadas de bola num meio-campo muito participativo nesse quesito. Por mais que o sistema privilegie as alas, os dois lados ainda não se consolidaram como pontos fortes de apoio ao ataque, já que Viña, Marcos Rocha, Mayke e Victor Luis revezaram muito por variadas circunstâncias.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

O Palmeiras se reforça novamente por meio das suas categorias de base. A chegada de Danilo Barbosa, classificado como coringa pela comissão técnica, ainda não impressionou tanto quanto Renan, por exemplo, zagueiro que assumiu a titularidade como se fosse um veterano. O técnico Abel Ferreira esperava por um centroavante, que não chegou, mas ganhou o inesperado retorno de Dudu. Embora não tenha as características de um centroavante, para um calendário pesado como este, ele chega pra ser titular e torna o rodízio dos atacantes bem menos desequilibrado.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

Se Dudu chegar como saiu, fisicamente, tem tudo para ser o destaque do time. Se Abel Ferreira potencializou Rony, Dudu tem características semelhantes para encaixar no atual modelo de jogo e ainda agrega qualidades técnicas superiores, na minha visão. No entanto, a dúvida em relação ao físico de Dudu permite uma óbvia segunda opção: Rony. O jogador cresceu muito sob o comando de Abel Ferreira na temporada passada e se tornou protagonista de um time muito coletivo, mas que joga sempre buscando a sua velocidade como diferencial ofensivo. E ele tem correspondido.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

Na minha opinião, Renan surge como a joia da temporada. Não é fácil localizar zagueiros canhotos no futebol brasileiro. Os grandes destaques dos últimos anos são Kanneman e Cuesta, por exemplo. Ambos argentinos. O Galo teve de buscar o paraguaio Junior Alonso. Léo Pereira não se firmou no Flamengo. Luan Peres é uma rara realidade. Renan, com somente 18 anos, pegou a vaga do lado esquerdo de Abel embaixo do braço e se mostra preparadíssimo pra encaixar como uma luva ao lado dos consolidados Gómez e Luan.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

O Palmeiras precisará lidar com a pressão dos resultados que atingiu na última temporada. Campeão da CDB, da Libertadores e do Paulistão, as comparações dos resultados (e não da performance) surgirão sempre que uma sequência ruim ameaçar surgir. Em termos de campo e bola, o Palmeiras não deve mudar sua característica, que é comprovadamente vencedora, mas precisará mostrar aos adversários que também cria e tem volume de jogo contra rivais de mesmo nível de competição quando a bola é entregue nos seus pés e um ‘ônibus’ é estacionado em frente a grande área.

Red Bull Bragantino

Diego Pérez (@Diegoprz), repórter e setorista da Rádio 102,1 FM

Claudinho, do Red Bull Bragantino
Claudinho, do Red Bull Bragantino (Imago/OneFootball)

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O Bragantino chega num nível tático muito bem moldado, muito bem formado pelo técnico Maurício Barbieri. Eu diria que vem com variações que não tinha na temporada anterior. O Bragantino costuma jogar no 4-3-3. No meio tem um primeiro volante, um volante de sustentação (que consegue fazer a criação e também recompõe) e o Claudinho livre. Ele pode flutuar entre os dois lados ou chegar um pouco mais à frente como um segundo atacante, mas também fazer essa função de pegar a bola atrás para começar a construir as jogadas.

Os atacantes pelos lados têm sido o Artur e o Helinho, naquele mesmo padrão do Brasileiro anterior, com jogadores velozes. E o Helinho acaba trazendo uma qualidade técnica um pouco maior do que o time tinha no ano anterior. O Helinho está num momento melhor tecnicamente, o Artur tem oscilado bastante, não tem jogado bem nessa temporada e acaba preocupando o torcedor – para o técnico Mauricio Barbieri, parece que ele ainda é intocável. O Ytalo é centroavante, que muitas das vezes é mais garçom do que goleador. Por já ter jogado como meio-campista e segundo atacante, nem sempre ele fica enfiado como centroavante. É o artilheiro da equipe nessa temporada, mas se dá muito bem nessa dupla com o Claudinho, dando muitas assistências – com o Claudinho chegando de frente e o Ytalo fazendo o pivô ou com o Ytalo recuando e o Claudinho sendo esse cara mais ofensivo.

Sobre as variações: em determinado momento da Copa Sul-Americana, o técnico Mauricio Barbieri escalou três zagueiros e veio num 3-5-2 para espelhar as equipes adversárias. Nessa formação, ele traz um zagueiro a mais – foi o Ligger, que é mais experiente e tem mais confiança, mas no desenvolver da temporada pode ser o Natan, contratado junto ao Flamengo e muito promissor. A escolha se deu pela ausência do Helinho, mas a equipe acabou ficando mais segura com essa formação. A variação tática pode acontecer numa possível ausência do Claudinho, do Helinho ou do Artur. Apesar dos muitos jovens, nem todos eles estão maduros e as peças de reposição não são no mesmo nível técnico dos titulares. Isso faz com que o técnico Mauricio Barbieri tenha se reinventado com o 3-5-2. Caso haja a perda de um desses três jogadores de frente, o time pode vir com mais um zagueiro e dar mais liberdade aos dois laterais, o que potencializa principalmente o Aderlan e o Luan Cândido.

Já que estou falando individualmente de jogador, o Bragantino possui o Raul como primeiro volante, que joga muita bola, é muito bom jogador, talvez um dos melhores desse elenco, mas também ganhou uma peça muito interessante que é o Ramires. Ele preferencialmente é o segundo volante, um cara mais de construção, mas que nesse time do Bragantino tem atuado muito bem na função de primeiro volante. É um cara muito intenso, de muito vigor físico, que corre para todos os lados. Então, tem sido uma peça importante para o nível técnico e para o desempenho tático do time.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

É um time que não sofreu muitas alterações em relação ao Brasileiro de 2020. Preservou a base titular e se reforçou pontualmente, com peças importantes para o banco de reservas, mesclando nas competições. No gol se mantém o Cleiton, variando com o Júlio César, mas o Cleiton é o titular – convocado para a seleção olímpica. O clube trouxe uma peça importante para a zaga, mesmo sem ser titular, que é o Natan. Léo Ortiz e Fabrício Bruno se encaixaram, é aquela dupla de zaga que dá confiança à equipe, mas o Nathan é essa opção junto com o Ligger e não deixam a desejar. Talvez o Bragantino peque um pouco nas laterais. Contratou o Rafael Luiz, lateral direito que se destacou na Série B com o Cruzeiro e pertencia à Ferroviária, mas ele se lesionou e não está à disposição do time nesse momento. Então, o Aderlan fica muito sobrecarregado. Na esquerda tem o Edimar, o Luan Cândido e o Weverson. O Edimar acaba sendo mais titular, mas o Luan Cândido pinta como essa possibilidade, mas oscila bastante – às vezes faz boas apresentações, às vezes deixa a desejar no quesito vontade.

O meio-campo acabou sendo reforçado. Além do Raul, do Lucas Evangelista e do Claudinho, o Bragantino trouxe também o Ramires e o Jadsom Silva. O Ramires um pouco mais experiente, que pode fazer as duas funções como volante, e o Jadsom Silva que fez uma boa Série B pelo Cruzeiro, dá uma boa sustentação como primeiro volante, não deixa o Raul tão sobrecarregado. Na frente, o clube se reforçou com três jogadores interessantes. Um muito interessante é o Helinho, que tem sido importante fazendo dupla com o Claudinho pelo lado esquerdo, também joga muito bem na ausência do Artur pelo lado direito. Tem muita facilidade, um jogador do drible fácil, veloz e também com uma boa finalização. E mantém a média de idade do elenco baixa, com 23,9 anos. Além dele, o Pedrinho se destacou no Athletico Paranaense, passou pelo Oeste, teve um litígio no Furacão e agora chega ao Bragantino. E, nas vezes que o Barbieri optou pelo rodízio no Paulista, quem chamou mais atenção foi o Pedrinho, um jogador que pode apresentar também algo novo. Ele ajuda na ausência do Claudinho, pode jogar como meia-atacante ou nas pontas.

Por último, o Gabriel Novaes. O centroavante fez uma excelente base no São Paulo, foi até para o Barcelona B, jogou pelo Córdoba na Espanha, estava emprestado ao Bahia e chega ao Bragantino. Fez só um jogo até aqui, não deu tempo de ser inscrito na Sul-Americana, mas deve ser bastante usado no Brasileiro, até pela iminente saída do Hurtado – que não deve ser comprado em definitivo e retornará ao Boca Juniors. O Ytalo é um centroavante com seus 33 anos, não faz tantos gols e acaba sendo importante, mas tem a questão do desgaste físico e o Gabriel Novaes chega como uma peça valiosa – até porque o Alerrandro segue como uma incógnita, fica mais no departamento médico do que dentro de campo, apesar da qualidade que sabemos que ele tem.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

Sem dúvida nenhuma, é chover no molhado falar que o jogador destaque desse time é o capitão e camisa 10 Claudinho – melhor jogador, revelação e artilheiro do último Campeonato Brasileiro. É um jogador muito bom, dribla muito fácil, é plástico, finaliza muito bem, foi o cara dos golaços no último Campeonato Brasileiro. Tem sido assim também no Campeonato Paulista desse ano, foi eleito o Craque do Interior e ficou na seleção da competição. É um jogador muito promissor, convocado para a seleção olímpica, o que pode até atrapalhar a sequência dele nesse início de Brasileiro. Outra questão é que ele pode sair para o futebol europeu no meio da temporada. Mas é o jogador mais pronto.

Destacaria mais outros três jogadores desse elenco do Bragantino: Léo Ortiz, zagueiro, muito bom e muito consistente, na ausência do Claudinho é o capitão; o Raul, que está lesionado neste momento, mas é um primeiro volante muito maduro; e o Lucas Evangelista, que é um cara já mais rodado, com um pouco mais de bagagem embora tenha apenas 26 anos (o elenco do Bragantino é novo, então ele se torna um dos mais experientes) e tem feito bons jogos, tem sido decisivo, tem aparecido bastante nos jogos importantes – com passes, com intensidade, com seriedade e também com gols, é um cara que gosta de finalizar de fora da área.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

O que o Bragantino mais tem são jogadores jovens. O Nathan, 20 anos, um cara que despontou muito bem no Flamengo e que o Bragantino fez o investimento alto pode ser um dos destaques durante a temporada, pode vir a evoluir bastante. Destacaria também o Ramires, que surgiu bem no Bahia, foi para o Basel e chega podendo evoluir bastante dentro do Campeonato Brasileiro. O Helinho, principalmente, pode explodir. Tem apenas 21 anos de idade, já tem jogado muito, é diferente. Quando voltou de lesão, ele jogou entre os reservas no Campeonato Paulista num primeiro momento e dava pra notar ali que nitidamente na parte técnica ele era superior aos demais. O Pedrinho também. Com 21 anos, chega como reforço e tem sido um coringa no time do Mauricio Barbieri – assim como o Tomás Cuello, é um 12° jogador. E como eu falei do Cuello, ainda colocaria ele – uma prateleira abaixo dos outros que eu mencionei, porém é um cara muito voluntarioso, que entra no time do Bragantino pela vontade e pela raça.

E qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

Acho que a oscilação, por ser um time jovem. Faz bons jogos, mas também tem sequências ruins. Na própria Copa Sul-Americana o time oscilou antes de engrenar, oscilou também no Campeonato Paulista – e talvez até por isso tenha sido eliminado. Os jogadores do Bragantino, por serem jovens, nem sempre mantêm um padrão de desempenho. Às vezes acabam oscilando bastante. A parte física também é algo a ser superado – acho que por todos os clubes do Brasil, não seria diferente aqui no Bragantino. O Massa Bruta tem um trabalho muito bom do departamento médico, os jogadores que se lesionam voltam rapidamente e é difícil algum jogador se lesionar por aqui. A comissão técnica tem feito muito bem esse trabalho de rodízio e de preservar os atletas, mas o desgaste acaba sendo uma coisa a ser superada por todos os clubes.

Outro obstáculo que o técnico Mauricio Barbieri vai ter que superar, juntamente com a diretoria do Bragantino, é o fato de que, por acreditar na evolução e no longo prazo desses jogadores, para o presente o elenco talvez não esteja tão pronto assim tecnicamente falando. Quando sai um titular, o técnico tem que pensar em uma variação tática porque os reservas não mantêm o mesmo padrão de desempenho. É algo a ser superado, achar opções e também trabalhar com esses jogadores mais jovens para que possam desempenhar mais nas partidas quando são exigidos. Essa oscilação não dá segurança ao técnico, tanto é que o Barbieri é criticado na cidade por demorar a fazer as substituições. Ele talvez não tenha tanta segurança em jogadores com potencial para mudar o jogo.

Santos

Eder Traskini (@edertraskini), repórter do UOL Esporte

Fernando Diniz, técnico do Santos, acabou de chegar (Foto: Guilherme Dionizio/Efe/Imago/One Football)

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

É difícil falar em padrão tático e nível de desempenho de um time que quase foi rebaixado no Campeonato Paulista, que chegou na última rodada quase caindo para a segunda divisão do estadual. O Santos começou o ano com o Ariel Holan, que tem um estilo tático de posse de bola, de saída de três, às vezes usando os três zagueiros e o goleiro, mas conseguiu fazer isso muito pouco. O Santos sofre, principalmente no segundo nível, para fazer esta criação de jogadas. Quando a bola chega ao meio de campo, não tem um cara que chama o jogo e faz essa bola girar, encontrando os espaços. Agora, o Santos trouxe o Fernando Diniz, que é um técnico que dá continuidade a esse estilo de jogo. Mas ainda é difícil ver um nível de desempenho à altura de um Campeonato Brasileiro. O Diniz vai ter um bom trabalho, o Santos está correndo atrás de reforços para melhorar esse elenco, mas por enquanto não tem uma boa perspectiva para o Brasileirão.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

A montagem do time é basicamente ir às categorias de base e buscar o jogador da posição necessária. O Santos vem fazendo muito isso durante o último ano, quando esteve o ano inteiro praticamente bloqueado pela Fifa para fazer contratações. Então, só se reforçava indo ao sub-23, indo ao sub-20, às vezes ao sub-17, para buscar jogadores. E o problema desse cenário é que, com a demanda de jogadores necessários em um ano com Covid e tudo mais, o Santos acabou subindo jogadores que não estão prontos. Jogadores que sequer eram destaques no sub-20 e no sub-23, e aí você começa a queimar etapas de um jogador que talvez não tenha qualidade para jogar naquele momento a nível profissional. Então, a montagem desse elenco é o principal desafio do Santos. Porque chega um técnico novo, e o Santos começa agora a se movimentar no mercado, para trazer um ou outro reforço, porque vendeu Soteldo, que era um dos principais jogadores, já tinha perdido Veríssimo, já tinha perdido Pituca, o Marinho também não joga há tempos, lesionado, e tem chances de ir embora. O Santos conseguiu se livrar da punição da Fifa ao vender o Soteldo, agora precisa conseguir os reforços à altura, e é muito difícil, quando não se tem dinheiro, quando você está pagando muitas dívidas, entregar um elenco minimamente numeroso ao Fernando Diniz, já que é um campeonato muito longo. Se o Santos não conseguir contratar alguns reforços, vai sofrer demais ao longo da temporada do Brasileirão.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

O jogador referência técnica desse time do Santos com certeza é o Marinho, eleito o Rei da América na última temporada. Ele não vem muito bem nesta temporada 2021, tem sofrido com lesões, não tem conseguido jogar, tem a sombra dos interesses de fora – chama a atenção especialmente do mercado árabe – e não tem conseguido ser o jogador que o Santos espera que ele seja, o líder técnico deste time. A aposta do Santos, então, é em jogadores mais jovens. Mas podemos destacar um líder técnico que não é um cara jovem, que ainda está se firmando, que é o Luan Peres, hoje o principal jogador do time. Foi contratado em definitivo do Club Brugge, da Bélgica, e é um zagueiro canhoto, muito técnico, tem uma boa saída de bola – como o Santos gosta de sair jogando – e demonstra um bom tempo de bola no desarme, especialmente pelo chão. Ele ainda deixa a desejar pelo alto. Não é um problema dele, Luan Peres, mas, sim, um problema grande do Santos como time, e ele acaba entrando nesse problema.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

O que o Santos mais tem são jovens com potencial para explodir neste Brasileirão. A gente não pode deixar de falar de dois deles: Gabriel Pirani, meia-atacante – que costumava jogar mais pela ponta nas categorias de base, mas em quem o Ariel Holan via o potencial para ser um meia por dentro, um camisa 10. É um cara que vem demonstrando muita qualidade para receber a bola, armar o jogo, criar por dentro, conseguir aparecer para tabelas nas laterais. É um jogador que até surpreendeu um pouco, ninguém esperava que ele fosse titular e dono da posição como vem sendo.

E também o Ângelo, que é um menino muito prodígio, muito precoce, e é aquele menino da Vila mais autêntico – insinuante, do drible, que vai para cima e entorta o defensor. Ele ainda está um pouco menos preparado que o Pirani, mas a gente já viu muito menino da Vila amadurecendo rápido, especialmente jogando uma competição longa como o Brasileirão.

Qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

O maior desafio do Santos é conseguir se equilibrar na corda bamba entre ter um time competitivo e pagar as dívidas, que o clube tem aos montes. É conseguir ser criativo no mercado para contratar jogadores que vão ajudar tanto tecnicamente quanto para compor o elenco – já que o clube não tem um elenco numeroso – sem que isso onere muito a folha salarial do clube, sem que sejam jogadores que necessitem de investimentos para você tirá-los dos clubes em que estão. O maior desafio é esse, conseguir um elenco com qualidade e quantidade para um torneio tão longo sem se complicar financeiramente. O atual presidente do Santos já avisou que não vai complicar o clube financeiramente, que está muito focado em pagar dívidas. Então é essa criatividade do Santos no mercado que vai dizer se o time vai ter um bom desempenho no Brasileirão ou vai acabar se perdendo no meio de um torneio tão longo e exigente quanto a Série A.

São Paulo

Alinne Fanelli (@alinnefanelli), repórter e setorista do São Paulo na rádio Bandnews
Benítez pinta como destaque do São Paulo de Hernán Crespo (Foto: Maurício Rummens/Fotoarena/Imago/One Football)

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O técnico Hernán Crespo conseguiu dar um padrão para o São Paulo de uma maneira muito rápida. Como a própria diretoria destaca, a vantagem é que não foi um trabalho que começou totalmente do zero. O argentino evoluiu o time em muitos aspectos, mas, especialmente, em desempenho defensivo. É um início de trabalho muito bom.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

A montagem da equipe, na verdade, é para a temporada toda. Para ser forte em todos os campeonatos que disputar. Crespo ainda entende ser necessário um centroavante, por exemplo, mas está satisfeito com as peças que tem.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

O interessante desse trabalho do Crespo é que ele tem conseguido extrair o melhor de todos os jogadores. Todos já se destacaram em algum momento, mas acredito que Benítez é o grande diferencial.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

Rodrigo Nestor, que tem jogado com mais frequência agora. Mas Liziero e Luan formam uma ótima dupla.

Qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

Antes, falávamos de um time que não se dava bem em grandes decisões, especialmente pela parte psicológica. Agora, com o título do Paulista, a tendência é que o clube volte a confiar em si no que vem pela frente.

Sport

Fred Figueiroa (@FredFigueiroa), do podcast 45 minutos

Maidana contribui à solidez defensiva do Sport (Foto: Nayra Halm/Fotoarena/Imago/One Football)

O que dá para tirar do time nesse início do ano, de padrão tático e nível de desempenho?

O início de temporada do Sport foi o pior possível. Uma soma de problemas comprometeu completamente o que poderia ser um trabalho de continuidade e evolução. As punições da Fifa (caso André) e da CNRD (outras dívidas) impediram o clube de inscrever os reforços e os remanescentes que tiveram o contrato renovado. As primeiras semanas vieram com eliminação na Copa do Brasil e grave dano na Copa do Nordeste. Pior: com a iminência de uma eleição acirradíssima e que vinha sendo adiada desde dezembro, a atual gestão demitiu Jair Ventura na semana da votação, e, assim, o trabalho voltou para a estaca zero. Umberto Louzer chegou e tem mostrado enorme dificuldade em implantar seu estilo de jogo. O desempenho nas finais do estadual foi fraco e elevou a tensão para o começo do Brasileiro.

Como foi a montagem desse time para o Brasileirão?

Há um consenso de que o elenco para 2021 é muito superior ao de 2020. A melhor forma de comprovar isso é resgatar escalações do Sport nas rodadas finais da edição passada, quando precisou jogar em alguns momentos com laterais da base improvisados como atacantes dos dois lados. Essa escassez de opções parece ter ficado para trás. Em 2021, o Sport terá 100% da sua cota de TV (ano passado, R$ 16 milhões foram retidos na fonte) e conseguiu trazer jogadores mais rodados para cada função. Mas chega na Série A com alguma insegurança sobre os goleiros, precisando encaixar um substituto para o recém-negociado Adryelson (Sabino será a opção imediata) e sem um segundo volante titular. Tendência é que novos reforços cheguem apenas depois de abrir algum espaço na folha salarial.

Quem é o jogador mais preparado para pintar como destaque?

O destaque técnico do time é o zagueiro Maidana, até pelo fato de continuar sendo um time essencialmente defensivo. Foi o melhor jogador do Sport na Série A de 2020 e a renovação mais celebrada, além de ter feito uma partida excelente na final do estadual. O recente retorno de André também o coloca como potencial destaque.

Na sua opinião, há algum jovem começando a aparecer que tem potencial de explodir?

O Sport tem dois excelentes nomes vindo da base: o atacante Mikael e o meia Gustavo. Ambos disputaram vários jogos como titulares na temporada em alto nível. Desde a chegada de Louzer, no entanto, perderam espaço, no time titular e até no banco de reservas. Este inclusive é o principal motivo de pressão da torcida sobre o novo treinador.

Qual o maior obstáculo que o time deverá superar para ter uma boa temporada?

O maior obstáculo do Sport para fazer um Brasileiro mais seguro que o de 2020 é superar a instabilidade deste início de 2021, o que será muito difícil – pela situação em que o clube inicia o campeonato, ainda longe de um encaixe ideal, e pela tabela complicadíssima das primeiras rodadas. A tendência é largar atrás na classificação, e isso poderá ser destrutivo até pela característica principal do time. Louzer mal chegou e já está pressionado. Uma boa largada seria fundamental, mas é algo quase fora da realidade.

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