Brasileirão 2026

O golaço de Claudinho no Maracanã é o destaque merecido a quem vem arrebentando desde a Série B

Quando muita gente dava como certa a ascensão do Flamengo à liderança do Campeonato Brasileiro nesta rodada, o Red Bull Bragantino frustrou os planos dos rubro-negros no Maracanã. E o golaço do Massa Bruta, que abriu o placar e valeu o empate por 1 a 1, serve para valorizar o futebol de Claudinho. Num ano em que a empresa austríaca investiu pesado em promessas, o craque da Série B acabou um pouco esquecido – até relegado ao banco de reservas por Felipe Conceição. No entanto, mesmo que o Braga faça uma campanha fraca, o jovem de 23 anos se coloca entre os melhores meias do Brasileirão e protagoniza a sua equipe.

Formado pela base do Santos, Claudinho se transferiu ao Corinthians nos juniores e se profissionalizou por lá. Foi então que teve sua primeira passagem pelo Bragantino, em 2016, ganhando sequência no nível principal. O meia disputou a Série B de 2016 pelo Massa Bruta, antes de ser emprestado pelo Santo André e se destacar no Paulistão. Com isso, seria contratado pela Ponte Preta, onde era reserva no Brasileirão de 2017. Sua história começaria a mudar quando foi levado pelo Red Bull Brasil ao Paulistão de 2018. Não emplacou de cara, mas seguiria como aposta da empresa e, depois de um curto empréstimo ao Oeste e do Paulistão 2019 no Toro Loko, virou o cara do projeto do Braga a partir da Série B 2019.

Claudinho simplesmente arrebentou na última edição da segundona. Inicialmente emprestado, garantiu a transferência em definitivo ainda no meio da campanha. O Red Bull Bragantino treinado por Antônio Carlos Zago contava com o futebol incisivo do meia, de muita habilidade para encarar os mercadores e qualidade para bater na bola. O camisa 39 anotou dez gols, com uma aptidão às pinturas, e foi uma figura essencial do Massa Bruta no retorno à Série A. Isso, porém, não o tornaria intocável para o Paulistão 2020. Com a troca no comando, Felipe Conceição deixou o jovem do banco na reta final da campanha e também no início do Brasileirão.

A recuperação de Claudinho aconteceu por seus méritos. Anotou o gol de empate na estreia contra o Santos, mesmo saindo da reserva. E foi um lindo tento aos 47 do segundo tempo. A partir de então, o camisa 10 recuperaria seu lugar na armação. O Red Bull Bragantino decepciona neste Brasileirão, com péssimo aproveitamento em casa e uma defesa que dificilmente passa os 90 minutos sem sofrer gols. Apesar disso, alguns jogadores se salvam. Artur e Alerrandro realmente provam o seu valor depois da aposta feita pela Red Bull. Mas o brilho de Claudinho também é importante. São quatro gols na campanha, além de figurar entre os melhores meias na votação da Bola de Prata.

Desde o primeiro tempo, Claudinho já incomodava o Flamengo nesta quinta. O meia era uma importante fonte de jogadas do Bragantino, contra um adversário que parecia sentir o desgaste pelo segundo jogo em 48 horas. O jovem acelerava principalmente pelos lados e dava verticalidade aos paulistas. O camisa 10 também exigiu uma boa defesa de Hugo Neneca, numa cobrança de falta que quase encobriu o goleiro. De qualquer maneira, não seria uma primeira etapa tão emocionante, com o Massa Bruta marcando forte e travando a partida na intermediária, mas sem criar tantas oportunidades.

A etapa complementar, porém, mal precisou começar para que Claudinho assinasse sua obra de arte. A jogada inteira é belíssima, com trocas de passes desde a saída do círculo central e muita aceleração. O camisa 10 deu um toque de letra no meio-campo, mas passou em velocidade e apareceu na área para concluir. O domínio foi levantando a bola, antes de mais um toquinho para ajeitar no alto, até a pancada sem deixar a pelota cair. Categoria e fúria, tudo no mesmo lance, num tento que também soa como redenção ao jogador. Em 2016, Claudinho foi vice da Copa São Paulo com o Corinthians ao perder a final justamente diante do Flamengo. Desperdiçou o pênalti decisivo contra a equipe de Lucas Paquetá, Léo Duarte e Vizeu.

O Braga teve a chance do segundo tento na sequência, até que o Flamengo pressionasse e se safasse aos 25. Num cruzamento de Isla, Lincoln salvou o empate. Mas não era uma grande atuação dos rubro-negros, por mais que a entrada de Bruno Henrique tenha ajudado. Apesar da persistência pela virada, a posse de bola não se convertia em tantos lances de perigo aos cariocas. A substituição do extenuado Pedro por Vitinho ainda no intervalo cobrou seu preço, com a ausência do centroavante sendo sentida.

O Flamengo chega aos 31 pontos, igualado a Atlético Mineiro e Internacional no topo da tabela. Todavia, leva a pior nos critérios de desempate contra ambos os concorrentes, além de ter um jogo a mais que o Galo. Dentro das perspectivas, foi um péssimo resultado. Já o Red Bull Bragantino soube fazer bem a sua estratégia para salvar um pontinho no Maracanã, mesmo que o resultado não alivie sua situação. O time de Maurício Barbieri é o penúltimo colocado, com 13 pontos. Talvez os planos da Red Bull de emplacar no Brasil levem mais um tempo. Claudinho, de qualquer forma, mostra bola a saltos maiores.

Classificação fornecida por
Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo