Campeonato Brasileiro

O Flamengo teve poder de reação, mas é o Palmeiras que sai satisfeito com o empate

O Maracanã recebeu uma digna decisão do Campeonato Brasileiro neste sábado. Embora nem tudo tenha sido festa nos arredores do estádio, um clima de fervor tomou as arquibancadas, ocupadas por mais de 65 mil. Era o momento de ver o desfecho do confronto direto entre Flamengo e Palmeiras, no qual os rubro-negros procuravam encurtar as distâncias e os alviverdes buscavam disparar de vez na liderança. Ao final, em uma partida muito intensa no segundo tempo e cheia de acontecimentos, o empate por 1 a 1 acaba sendo mais agradável aos alviverdes, que se seguram na ponta com uma boa vantagem, fortes candidatos a reconquistar o título nacional após dois anos.

A derrota na visita ao Boca Juniors pela Copa Libertadores abalou o Palmeiras, mas o time de Luiz Felipe Scolari não podia deixar que o revés afetasse seu rendimento no Brasileirão. Por isso mesmo, o treinador manteve uma escalação com boa parte de seus titulares, salvo exceções – como destaque à presença de Guerra e aos vários desfalques na lateral direita. Já o Flamengo não tinha motivos para poupar e vinha com a base que possui a Série A como único interesse nesta reta final de temporada.

Quando a bola rolou, o Palmeiras tentou partir para cima durante os primeiros dez minutos. Criou boas jogadas e, a partir de sua velocidade, pressionou a defesa do Flamengo, que conseguiu se safar. Dominando a posse de bola, os rubro-negros não demorariam a responder e teriam suas principais chances com Vitinho, fazendo uma de suas melhores atuações desde que desembarcou no Rio de Janeiro. O ponta era a principal válvula de escape no time de Dorival Júnior, incomodando principalmente pela esquerda. Ia para cima de Luan, improvisado na lateral.

Aos poucos, a temperatura do jogo diminuiu, entre a insistência do Flamengo e o bom trabalho defensivo do Palmeiras. Faltava mais agressividade aos rubro-negros nas finalizações, um problema um tanto quanto constante ao clube. E quando Vitinho fez grande jogada na linha de fundo, Antônio Carlos apareceu na área para o corte providencial. Logo depois, aos 33, parte dos refletores do Maracanã se apagaram e provocaram uma pausa de oito minutos. Quando a bola voltou a rolar, o Fla se mantinha em cima. Ainda assim, quem apareceu nos acréscimos foi César, com uma defesa importante em lance de Guerra – no qual acabaria assinalado um impedimento inexistente.

O segundo tempo serviu para que o confronto pegasse fogo. Afinal, o Palmeiras abriu o placar logo aos quatro minutos. Excelente lançamento de Antônio Carlos a partir da direita, que Dudu dominou na entrada da área. O atacante tirou Pará da jogada e acertou um forte chute no canto de César, que ainda tocou na bola, mas não evitou o tento. Méritos do camisa 7, que sabe se provar decisivo e tem sido importante em alguns jogos grandes neste Brasileiro. A vantagem, além do mais, permitia que os alviverdes abraçassem de vez sua estratégia preferida, resguardados na defesa e prontos a contra-atacar.

O Flamengo precisava se sacudir e não demorou a responder o Palmeiras. Foi quando brilhou o goleiro Weverton. Aos nove minutos, ele fez uma defesa essencial em finalização de Paquetá, com espaço dentro da área. Depois, salvaria chute de Éverton Ribeiro. E enquanto as alterações de Felipão privilegiavam os contragolpes, Dorival deixava os rubro-negros mais ofensivos, com Diego no lugar de William Arão. A alteração decisiva, todavia, foi outra. Mesmo com a boa participação de Vitinho, o treinador optou por renovar as energias com Marlos Moreno. Depois, ainda mandou Geuvânio na vaga de Uribe. Diante dos infrutíferos cruzamentos até então, faltava acertar o passe final ou tentar alguma jogada individual. No fim, a segunda opção é a que valeu.

Marlos manteve o ritmo intenso do Flamengo no ataque. Tornou-se a principal válvula de escape, seja na criação, seja nas arrancadas. Dava ainda mais velocidade à ponta esquerda, agora confrontando Gustavo Gómez, agora improvisado na lateral. E a sua vontade foi recompensada aos 35, com um belo gol. Avançou em velocidade, passou por Gómez como quis e chutou cruzado para vencer Weverton. A bola ainda resvalou na trave antes de entrar. Maneira marcante de encerrar um jejum de gols que durava desde 2016. A virada poderia ter sido instantânea, em outra jogada do colombiano, que Paquetá desperdiçou. E ao final, os rubro-negros pareciam mais inteiros para a vitória. Martelaram bastante, mas a falta de precisão impediu um resultado melhor.

Não foi uma atuação ruim do Flamengo, especialmente pela reação após o gol. De qualquer forma, o gosto amargo é inescapável diante da chance que escapou dos rubro-negros. A tarefa de ultrapassar o Palmeiras no topo da tabela se torna mais difícil. E, assim, os alviverdes aumentam sua confiança no título – um time bem montado e com elenco recheado. Considerando os momentos errantes de Internacional e São Paulo, o Fla parecia mesmo o principal concorrente nesta reta final. Continua atrás. O Palmeiras chega aos 63 pontos, quatro a mais que o Flamengo e cinco a mais que o Inter. Restam mais sete rodadas para que o time, desacreditado até a chegada de Scolari, busque mais uma vez a taça.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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