Numa rodada do Campeonato Brasileiro repleta de confrontos diretos, Flamengo e Palmeiras entraram em campo no Mané Garrincha com o cenário desenhado após os jogos de quarta. O duelo era importante aos dois times, mas uma vitória parecia mais favorável para os rubro-negros se sentirem vivos na briga pelo título, no único objetivo que resta na temporada, enquanto os alviverdes conciliam interesses mirando Libertadores e Copa do Brasil. No fim, os cariocas prevaleceram num ritmo mais forte. O Fla teve uma de suas principais atuações neste Brasileirão, não apenas pelo resultado, mas também pela forma como se apresentou. Os flamenguistas fizeram um bom primeiro tempo, contaram com boas exibições de alguns de seus e também resgataram alguns pontos fortes da última temporada. A vitória por 2 a 0 deixa o Flamengo na terceira colocação, ganhando um pouco mais de confiança.

O Flamengo tinha dado uma resposta importante na rodada anterior, ao vencer o Goiás e encerrar sua sequência ruim. O resultado contra um candidato ao rebaixamento, porém, não recebia créditos totais. Até por isso, o encontro com o Palmeiras era tão importante. A principal novidade de era a escalação de Arão como zagueiro. Diego e Gérson formaram a cabeça de área, com o quarteto de 2019 mais à frente: Ribeiro, Arrascaeta, e Gabigol. O Palmeiras, entre seguir na luta pelo Brasileiro e se preparar à Libertadores, manteve uma equipe parecida à que goleou o na segunda-feira. A única alteração de Abel Ferreira era Marcos na lateral. De resto, vários destaques seguiam, como Matías Viña, Raphael Veiga, Gabriel Menino, Willian e Luiz Adriano.

A primeira chance da partida seria do Palmeiras, num passe de Viña para Willian, que errou o gol ao bater na linha da pequena área. Mas, apesar do susto, o primeiro tempo guardou posturas muito diferentes. O Flamengo era mais agressivo, marcando forte desde o campo de ataque e trabalhando muito bem os passes. Não era o time de 2019, mas se viam claros resquícios. Os palmeirenses se continham um pouco mais, mas encontravam dificuldades, especialmente pela falta de consistência no meio-campo. Os rubro-negros tinham mais posse de bola e, mesmo assim, atacavam com velocidade para explorar os espaços na marcação. O quarteto de frente funcionava muito bem, assim como Gérson.

As chances do Flamengo logo começaram a se repetir. Arrascaeta tentaria de bicicleta e forçou uma defesa difícil de logo aos cinco. Gabigol também participava bastante, embora não concluísse as jogadas tão bem. Gérson seria outro a tentar. O Fla crescia e tinha boa intensidade, além de ótima precisão nos passes. O gol parecia maduro, por mais que o time não acertasse o pé, a exemplo também de Everton Ribeiro. As roubadas de bola na frente ajudavam, com o time logo acelerando. E a lesão de Rodrigo Caio, substituído por Gustavo Henrique, não atrapalhou a confiança. O Palmeiras mal criava, limitado a um cruzamento ou outro.

O gol do Flamengo dependeu de uma lambança do Palmeiras, mas também apresentou alguns méritos do time no primeiro tempo. A jogada começou a partir de uma roubada de Gabigol. A trama envolveu Everton Ribeiro, Bruno Henrique e Arrascaeta, até que o uruguaio tocasse sem muita força por baixo de Weverton. Kuscevic salvou em cima da linha, mas também carimbou Luan e viu a bola entrar. Gol contra bobo dos palmeirenses, que entregaram a diferença no placar quando o empate parecia um ótimo negócio.

Na volta ao segundo tempo, o Palmeiras passou a trocar mais passes e também marcava mais forte. Poderia ter empatado aos dez, mas Gabriel Menino desperdiçou uma ótima oportunidade, com liberdade para definir na marca do pênalti. O Flamengo recuou e alguns jogadores perderam intensidade, sentindo a melhora dos alviverdes. Rogério Ceni levou certo tempo para fazer as alterações, mas algumas trocas pareciam questionáveis, especialmente pela escolha de sacar Arrascaeta e Gérson. Ainda assim, as mudanças ajudariam o Fla a ganhar fôlego para a reta final da partida, mesmo com Abel Ferreira também acionando seu banco. Além do mais, os substitutos flamenguistas participaram do gol que tranquilizou o placar.

Antes da baciada de trocas, Gustavo Henrique já tinha perdido um lance excelente, ao errar cabeçada livre após cobrança de falta. O Flamengo voltou a subir sua marcação, o que deu resultado. Bruno Henrique exigiria uma ótima defesa de Weverton aos 35. Logo depois, o segundo gol saiu num escanteio. Gustavo Henrique cabeceou em cima de Pedro. O atacante, que saíra do banco, conseguiu aparar e ajeitar para trás. Pepê, outro substituto, pegou bem na bola e mandou de primeira às redes. Era o gol que sacramentava a vitória. A partir disso, o jogo desacelerou. O Fla se poupou e o Palmeiras também não se desgastaria pela reação. Ficou assim.

O Flamengo é o terceiro colocado, com 55 pontos e um jogo a menos em relação aos dois times à frente. Não é a equipe de 2019, mas parece se acertar e ainda tem qualidade individual para sonhar. Se os rubro-negros acharem seu encaixe e os destaques voltarem a produzir bem, como aconteceu hoje, dá para sonhar com a briga até o final. Ainda é um elenco acima da média e corresponder num jogo desse peso dá confiança. O Palmeiras fica em quinto, com 51 pontos e também um jogo a menos em relação aos dois primeiros. Pelas matemática, dá para brigar. A questão é mais a dosagem de forças pensando em Libertadores e Copa do Brasil. Abel Ferreira não parece disposto a entregar os pontos na Série A. De qualquer forma, administrar o elenco pensando nas duas finais é fundamental.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore