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O Botafogo volta à Série A com a força de quem sobrou no momento decisivo

Foram longos 12 meses de aflição, espera e expectativa. Pela segunda vez em sua história, o Botafogo acabou rebaixado no Brasileirão. E tinha o caminho aberto para se reerguer, em uma Série B parelha, mas na qual os alvinegros contavam com investimento bem maior que o dos concorrentes. Não dá para dizer que os botafoguenses atropelaram na Segundona. Mas tiveram a virtude de crescer muito de produção quando a disputa se afunilava – algo que, por exemplo, não conseguiram na queda de 2014. A ascensão valeu a tranquilidade na conquista do acesso, com três rodadas de antecedência, bem como a confiança de que o próximo ano pode ser melhor a sua torcida.

Há um ano, por exemplo, o Botafogo atravessou um mês de novembro tenebroso. Não venceu mais nenhum jogo a partir da virada do mês, com seis derrotas nas últimas sete rodadas. O desempenho pífio acelerou o rebaixamento em uma campanha que já era ruim. Porém, também deixou ensinamentos. Mais modesto, mas mais firme, o Botafogo planejou o seu orçamento ao longo do ano para o que viria no segundo semestre. Não tinha tantas estrelas quanto os rivais e, mesmo assim, teve seus momentos de brilho no Campeonato Carioca. Só que o intuito mesmo era subir na Série B. Missão cumprida nesta terça, com a vitória por 1 a 0 sobre o Luverdense fora de casa.

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Dentro das perspectivas que tinha, o Botafogo montou um elenco típico para a Segundona. Trouxe alguns jogadores tarimbados, que até teriam mercado na primeira divisão, mesclados com jovens talentos. A manutenção mais importante foi a de Jefferson, mesmo se ausentando em algumas rodadas por causa da Seleção. O goleiro teve papel fundamental de liderança e também dentro de campo, com várias atuações decisivas. Dentro dos vestiários, teve o apoio de Roger Carvalho e Daniel Carvalho como vozes de comando. Deram tranquilidade e espaço para que muitos garotos pudessem brilhar.

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Nesta reta final da Série B, o maior destaque do time acabou sendo um veterano: o uruguaio Álvaro Navarro, de 30 anos, que chegou do Olmedo para deslanchar como artilheiro. Deve ser um dos pilares na base que já se forma para o próximo ano, com algumas promessas. Sassá arrebentou em algumas partidas e, aos 21 anos, possui qualidade para se desenvolver ainda mais. Neílton também teve seus lampejos na linha de frente, mais ainda pertence ao Cruzeiro, embora o nome mais quente entre os alvinegros seja o de Luis Henrique, de 17 anos, que deu sua contribuição com quatro gols na campanha. Já nos outros setores, entre vários jovens coadjuvantes, William Arão se estabeleceu como intocável.

Já no comando técnico, Ricardo Gomes dá continuidade a sua carreira como técnico, após os sérios problemas de saúde que sofreu em 2011. A chegada do treinador aconteceu em um momento no qual a troca de comando, com a demissão de Renê Simões, nem parecia tão necessária assim. Os quatro jogos sem vencer logo no início de Gomes se combinaram com a perda da liderança e o Botafogo, caindo para a quarta colocação, teve o acesso em xeque. Desconfiança revertida principalmente a partir de setembro, quando os alvinegros engrenaram. Desde então, são 10 vitórias em 14 rodadas, com a equipe firmando-se nos poucos gols sofridos por sua defesa. Importante para abrir distância da briga ferrenha pelas outras posições do G-4, na qual a maioria dos concorrentes oscila demais.

Depois que disparou, o Botafogo só precisou administrar a vantagem. Até poderia ter subido no final de semana, mas falhou contra o Criciúma no Heriberto Hülse. Nada que atrapalhasse tanto. Com assistência de Daniel Carvalho, Ronaldo marcou o gol decisivo para os cariocas contra o Luverdense. Agora, basta aproveitar a vantagem para completar o outro objetivo e levantar a taça. A conquista do título, aliás, pode acontecer já na rodada que vem, contra o Santa Cruz no Rio de Janeiro. Promessa de grande festa no Estádio Nilton Santos. Restam só mais três vagas para a Série A de 2016, neste momento nas mãos de América Mineiro, Vitória e Santa Cruz.

Desde já, o Botafogo também precisa manter os pés no chão, planejando o próximo ano. Não adianta muito se enganar, achando que já volta à primeira divisão rumo às cabeças. Muito pelo contrário, com as diferenças orçamentárias para a maioria em 2015, o foco precisa mesmo ser na consolidação do elenco, assumindo o papel inicial de coadjuvante na Série A em 2016. Quem sabe, para recuperar um pouco do trabalho que se fazia em 2013, quando o time conquistou uma vaga na Libertadores e até parecia se restabelecer como força nacional. Algo jogado fora entre os erros cometidos no ano passado. Agora, o jeito é recomeçar. E se manter firme para honrar a própria história, sem repetir o pesadelo pela terceira vez.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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